Cacique Tibiriçá: O Braço Direito dos Jesuítas.


Foi pelas mãos de um índio o cacique de São Vicente que a obra da fundação de São Paulo se concretizou (Território da Capitania Hereditária de São Vicente). As mesmas mãos também comandaram o desarmamento frente a esquadra de Martim Afonso, garantindo a chegada tranqüila a nova terra.

Tibiriçá era chefe da nação indígena dos Guaianazes e sogro de João Ramalho, que aqui vivia já há muitos anos.

Conta Frei Gaspar em suas memórias que ao saber da chegada de uma armada portuguesa ao porto de São Vicente, “Tibiriçá reuniu 500 homens com arcos e flechas para o ataque. Reconhecendo que a armada era de um compatriota, João Ramalho negociou a paz com Tibiriçá, facilitando a colonização”.

Batizado pelos padres Leonardo Nunes e Anchieta, com o nome de Martim Afonso Tibiriça, o cacique Tibiriçá – que em tupi quer dizer Maioral – foi um forte aliado dos jesuítas e amigo dos portugueses.

Segundo registrou Anchieta, Tibiriçá, atendendo pedido dos padres, transferiu sua tribo para próximo do Colégio de São Paulo. Tibiriçá deu ainda outra prova de fidelidade e amizade aos jesuítas, ao repelir com bravura o ataque à Vila de São Paulo de Piratininga, em 10 de junho de 1562. Ele e sua tribo lutaram contra índios Tupis e Carijós, chefiados por seu próprio irmão Arari, chefe dos Tupis e Carijós, que, naquele memorável dia graças aos esforços dos jesuítas e de Tibiriçá e saíram vitoriosos.

Faleceu a 25 de dezembro de 1562, com avançada idade, vítima de prolongada enfermidade. Aquele dia de natal foi de tristeza para os índios. O cacique, desde cedinho, estava passando muito mal. O padre Anchieta, a seu lado, empenhava-se em suavizar lhe os últimos momentos. Havia muito tempo vinha ele sofrendo de câmaras de sangue. Provavelmente, de disenteria amebiana, doença europeia contra a qual não estavam os indígenas preparados biologicamente.

A indiada, cá fora, não se conformava, e chorava. Chorava aos gritos angustiados. E pela aldeia rolava um lamento surdo e inquietante. Os tambores lá longe, ecoavam. Logo mais, a nova melancólica caiu como um raio: Tibiriçá morrera!

À tardinha, realizou-se o sepultamento o cacique Tibiriçá recebeu todas as homenagens e foi enterrado com honra no colégio. Compareceu todo o mundo. João Ramalho e sua mulher Bartira, batizada com o nome de Isabel, seus numerosos filhos, seus netos, todos os seus descendentes, os jesuítas, os indígenas chorando… Seu corpo foi levado para o colégio de São Paulo e ali sepultado. Hoje jaz na cripta da Catedral de São Paulo, ali no largo da Sé. Local onde depois veio a ser sepultada sua filha Bartira e seu genro João Ramalho.

Para saber Mais..:: Abril

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