Ciclotour: Buenos Aires Aposta nas Bicicletas

Desde dezembro de 2010, o governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires passou a promover o uso de bicicletas na capital argentina. O programa Mejor en Bici envolve a construção de ciclovias e infraestrutura de estacionamentos, educação para a mudança da cultura motorizada, fomento para empresas que aderirem ao programa e empréstimo gratuito de bikes e capacetes.

Por..:: Gisele Brito

Pelo lado prático, são visíveis os investimentos pela cidade: a proposta do Mejor en Bici é criar 100 quilômetros de ciclovias. Atualmente – pouco mais de três meses após o início do projeto – 50 km já estão prontos e privilegiam vias que levam às universidades e prédios públicos de maior circulação. Há 11 pontos onde os moradores podem retirar uma bicicleta, depois de preencher o devido cadastro. O uso pode ser ainda tímido, mas Buenos Aires já oferece infraestrutura invejável comparada, por exemplo, a Rio e São Paulo.

O discurso do poder público em prol do uso das bicicletas também é forte. A sua divulgação está espalhada pela cidade, em redes sociais e no site do programa. As magrelas não poluem, custam pouco e são rápidas, dizem as autoridades, declarando a bicicleta como melhor para saúde e para a cidade. Além do mais, ela combina com as praças de Buenos Aires, imensas áreas verdes espalhadas pelos bairros, sem grades ou guardas e cheias de gente de todas as idades vivenciando o simples – e estranho para muitos brasileiros – espaço público.

Há urgência empurrando o Mejor en Bici. Para os portenhos, o trânsito da cidade começa a ficar caótico. Mas um paulistano a passeio por lá não diria isso. Sua impressão – como foi a minha – é a de que existem mais táxis do que carros particulares, que as coisas ficam muito próximas umas das outras e que o sistema de transporte público é barato e, com exceção do metrô, de qualidade.

Durante os sete dias em que estive na cidade, me desloquei o tempo todo de ônibus ou a pé. Sem ter que passar por longas esperas no ponto, me cansar ou ficar entediada. Buenos Aires é realmente muito convidativa e inspira a vida pelas ruas. A cidade é plana, tem uma organização bem lógica das ruas, é toda quadradinha. As avenidas atravessam dezenas de quadras e bairros e por todos os lados a paisagem arquitetônica, os cafés, as livrarias e as praças motivam os passos.

A tarifa do ônibus vai de 1,10 a 1,25 pesos, mais ou menos equivalente a R$ 0,44 e R$ 0,50, dependendo da distância a ser percorrida. A maioria das linhas circula a noite toda, o que facilita a vida de quem frequenta a intensa cena noturna da cidade. E nenhum ônibus tem cobrador ou catraca. Ao entrar no coletivo, o passageiro informa ao motorista o seu destino, ele digita uma informação em um painel eletrônico, outra máquina informa o valor a ser pago, o passageiro insere a quantidade em moedas e recebe um comprovante. Todos a quem perguntei disseram que o papelzinho não é fiscalizado. E mesmo assim, todos pagam a passagem.

Embora pioneiro, do metrô não se pode falar tão bem. A primeira linha subterrânea de Buenos Aires foi construída em 1913 e foi a primeira da América do Sul. Hoje, o “Subte” — como eles dizem –, tem 56 quilômetros (em São Paulo, são 69 km), mas está longe de agradar os portenhos. Seu traçado e a integração entre linhas são alvo de críticas. É tão velho que os próprios passageiros fecham e abrem a porta ao ouvirem um apito. Em paralelo, o sistema ferroviário terrestre, mais moderno que o Subte, faz a ligação metropolitana e é bem confortável. Mas ambos não funcionam até muito tarde e depender deles depois das 22h é ficar na rua.

Infelizmente, não pude usufruir do Mejor en Bici, pois ainda não está disponível para os turistas. A ideia é que, no futuro, hotéis emitam comprovantes de hospedagem para que os visitantes estrangeiros possam se cadastrar com um documento de identidade e, assim, poder gozar desse serviço público. Mas não é preciso esperar até lá. Já existem empresas privadas que alugam bikes e até realizam roteiros turísticos sobre duas rodas. Por isso, fique de olho nas alternativas. Quando você tiver oportunidade de visitar a animada e romântica Buenos Aires, arrisque circular por ela de bike.

Fonte..:: EcoCidades

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