Baixada Santista: recursos para Turismo não chegam a 0,70%. Dos cerca R$ 9,23 bilhões orçados para 2018 para as nove prefeituras da região, somente R$ 62,4 milhões (cerca de 0,68%) estão sendo destinados ao setor.
Por..:: Carlos Ratton
A informação título dessa reportagem, obtida após consulta às administrações municipais, não deverá sair da cabeça do pequeno, médio e grande empresário que acredita que existe uma preocupação institucional com a pasta em termos regionais. Dos cerca R$ 9,23 bilhões orçados para 2018 para as nove prefeituras da Região Metropolitana da Baixada Santista, somente R$ 62,4 milhões (cerca de 0,68%) estão sendo destinados ao setor de Turismo. Assim como a Cultura, os números representam menos de 1% da soma de todos os orçamentos juntos. Vale a pena salientar que no caso de Bertioga e Peruíbe três áreas – turismo, cultura e esportes – são englobadas. Ou seja, os recursos saem de uma única conta.
Cubatão, que recentemente foi classificada entre outras 45 cidades paulistas como Municípios de Interesse Turístico (MITs) e que passará a receber da Secretaria de Estado do Turismo, anualmente, R$ 650 mil para o desenvolvimento de ações voltadas a esse importante setor econômico, é a que menos investe. Com um orçamento de R$ 1,2 bilhão, aplicará até o final do ano somente R$ 731 mil em turismo (0,06% do orçamento).
Santos, considerada a capital da Baixada, também não apresenta números animadores. Segundo dados fornecidos pela Administração, dos R$ 2,6 bilhões previstos para este ano, somente R$ 3,57 milhões (0,13%) estão sendo destinados à pasta. São Vicente vem em terceiro no quesito pouco investimento. Dos R$ 1,06 bilhão, o Município investe somente R$ 4,2 milhões (0,40%).
Reconhecida como a Pérola do Atlântico por conta das belezas de suas praias, Guarujá vem em quarto lugar entre as cidades da região que menos investem em Turismo. Dos R$ 1,4 bilhão previstos em 2018, só investirá R$ 8,2 milhões (0,59%). Já Praia Grande, que recebe um número significativo de turistas da região, vem em quinto lugar. Dos R$ 1,4 bilhão previstos, somente R$ 11,8 milhões (0,84%) são destinados ao turismo.
Itanhaém, no Litoral Sul, vem em sexto lugar. Dos R$ 410 milhões previstos para 2018, o Município vai investir R$ 3,7 milhões (0,92%) em turismo. Logo em seguida, vem Bertioga. Dos R$ 493 milhões orçados para este ano, R$ 9,6 milhões (1,95%) vão para o turismo. Já Mongaguá, com orçamento de R$ 219 milhões, irá aplicar R$ 7,4 milhões (3,39%) na área. Peruíbe, com orçamento de R$ 280 milhões, pretende investir R$ 12,9 (4,61%) em turismo.
Fonte..:: Diário do Litoral AQUI
💡 ..:: Opinião de Renato Marchesini: O turismo diante dos orçamentos municipais
A reportagem publicada pelo Diário do Litoral, em 2018, trouxe à discussão uma questão que continua sendo importante para compreender o desenvolvimento turístico regional: quanto os municípios efetivamente investem em turismo?
Dos cerca de R$ 9,23 bilhões previstos nos orçamentos das nove prefeituras, somente R$ 62,4 milhões eram destinados ao setor, representando aproximadamente 0,68% do orçamento total.
O percentual chamava atenção porque a Baixada Santista possui uma das maiores concentrações de atrativos turísticos do estado de São Paulo, reunindo praias, áreas de Mata Atlântica, patrimônio histórico, manifestações culturais, gastronomia, turismo náutico, turismo de negócios, ecoturismo e turismo de aventura, entre diversas outras possibilidades.
Além disso, o turismo movimenta uma extensa cadeia econômica, envolvendo hotelaria, restaurantes, comércio, transporte, agências, guias de turismo, eventos, equipamentos culturais e atividades de lazer.
📊 Quanto cada município destinava ao turismo?
Os dados apresentados pela reportagem permitem observar diferenças significativas entre os municípios.
Cubatão apresentava a menor proporção de recursos destinados ao turismo. Com orçamento de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, o município previa aplicar cerca de R$ 731 mil, equivalente a 0,06% do orçamento.
A situação chamava ainda mais atenção porque Cubatão havia sido classificada como Município de Interesse Turístico (MIT) e passaria a receber recursos estaduais para ações relacionadas ao desenvolvimento turístico.
Santos, considerada a principal referência regional, possuía orçamento de aproximadamente R$ 2,6 bilhões, mas destinava cerca de R$ 3,57 milhões ao turismo, equivalente a 0,13%.
Em São Vicente, o orçamento chegava a aproximadamente R$ 1,06 bilhão, com cerca de R$ 4,2 milhões destinados ao turismo, correspondendo a 0,40%.
🏖️ Guarujá e Praia Grande
Conhecido nacionalmente pelas suas praias e pelo tradicional título de “Pérola do Atlântico”, o Guarujá também apresentava uma participação relativamente pequena do turismo em seu orçamento.
Dos aproximadamente R$ 1,4 bilhão previstos para 2018, cerca de R$ 8,2 milhões seriam destinados ao setor, correspondendo a 0,59%.
Em Praia Grande, também com orçamento próximo de R$ 1,4 bilhão, aproximadamente R$ 11,8 milhões estavam destinados ao turismo, equivalente a 0,84%.
O município recebe tradicionalmente grande quantidade de visitantes, especialmente durante os períodos de férias, feriados prolongados e temporada de verão.
🌊 Itanhaém, Bertioga, Mongaguá e Peruíbe
No litoral sul da região, Itanhaém apresentava orçamento de aproximadamente R$ 410 milhões, com previsão de R$ 3,7 milhões para o turismo, ou 0,92%.
Em Bertioga, dos cerca de R$ 493 milhões orçados, aproximadamente R$ 9,6 milhões eram destinados ao turismo, correspondendo a 1,95%.
Mongaguá, com orçamento de aproximadamente R$ 219 milhões, previa investir R$ 7,4 milhões, ou 3,39%, na área.
Já Peruíbe, com orçamento estimado em R$ 280 milhões, apresentava a maior proporção entre os municípios citados, com previsão de aproximadamente R$ 12,9 milhões, equivalente a 4,61%.
É importante observar que percentuais maiores não significam necessariamente maior eficiência ou melhores resultados. A qualidade do planejamento, a execução orçamentária, a capacidade técnica e a existência de projetos estruturantes também são fundamentais.
⚠️ Turismo, cultura e esporte: Contas que dificultam a análise
Outro ponto destacado na reportagem merece atenção.
Em Bertioga e Peruíbe, os recursos destinados a turismo, cultura e esportes estavam agrupados em uma mesma estrutura orçamentária.
Isso cria uma dificuldade para quem pretende analisar exclusivamente o investimento turístico.
Se o orçamento apresenta uma única conta para diferentes áreas, torna-se mais difícil saber quanto efetivamente foi aplicado em turismo, quanto foi destinado à cultura e quanto corresponde às políticas esportivas.
Por isso, mais do que observar simplesmente o valor anunciado como “orçamento do turismo”, é necessário analisar a execução orçamentária e a aplicação efetiva dos recursos.
💰 O turismo é investimento, não apenas despesa
O debate apresentado pela reportagem continua sendo relevante porque o turismo frequentemente é tratado apenas como uma área de eventos, divulgação ou promoção de destinos.
Entretanto, turismo é uma atividade econômica complexa e transversal.
Um destino turístico depende de infraestrutura urbana, mobilidade, segurança, saneamento, conservação ambiental, patrimônio histórico, qualificação profissional, sinalização, acessibilidade, promoção e planejamento.
Por isso, investimentos realizados em outras secretarias também podem beneficiar diretamente o turismo.
Uma avenida revitalizada, um patrimônio restaurado, uma unidade de conservação estruturada, uma área pública qualificada ou uma política de saneamento podem gerar impactos positivos sobre a atividade turística.
O desafio está justamente em identificar, planejar, integrar e mensurar esses investimentos.
🧭 Aí, né, a consequência é sermos eternamente potencial. Osso!
E assim, mais uma vez, fica claro por que o turismo encontra tantas dificuldades para deslanchar de maneira estruturada em nossa região.
É preocupante observar um orçamento tão pequeno destinado diretamente ao turismo diante da importância que a atividade possui para a economia, geração de emprego e renda, preservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento regional.
Também acredito que, em alguns casos, os valores apresentados pelas próprias administrações municipais podem não representar toda a dimensão dos investimentos que efetivamente beneficiam o turismo.
Isso acontece porque turismo, cultura, esporte, meio ambiente, eventos, patrimônio e desenvolvimento econômico são áreas que frequentemente se cruzam.
Mas existe uma questão ainda mais importante: precisamos saber identificar claramente qual é o investimento turístico, qual é sua finalidade, quem será beneficiado e quais resultados serão entregues à população.
🏛️ Turismo precisa ser tratado como atividade estratégica
Não entender o turismo como uma atividade estratégica é um grande problema.
A Baixada Santista possui condições excepcionais para desenvolver diferentes segmentos turísticos. Temos história, patrimônio, praias, Mata Atlântica, áreas protegidas, comunidades tradicionais, gastronomia, cultura, turismo náutico, turismo de aventura, ecoturismo, turismo rural, turismo de negócios e eventos.
Temos também uma localização privilegiada próxima à maior metrópole brasileira e uma infraestrutura que permite receber visitantes durante praticamente todo o ano.
Então, por que ainda somos frequentemente apresentados apenas como destinos de turismo de sol e praia?
A resposta passa, entre outros fatores, pela falta de planejamento regional integrado e continuidade das políticas públicas.
🧑💼 A importância da qualificação técnica
Outro ponto que considero fundamental é a necessidade de qualificação técnica na gestão pública do turismo.
Secretarias municipais de turismo precisam contar com profissionais preparados para trabalhar com planejamento turístico, gestão pública, elaboração de projetos, orçamento, políticas públicas, desenvolvimento de produtos, marketing, sustentabilidade e gestão de destinos.
O turismo não pode ser tratado simplesmente como espaço de distribuição de cargos.
Quando a gestão é baseada apenas em interesses políticos e não em competência técnica, planejamento e conhecimento do território, toda a cadeia turística pode perder oportunidades.
E quem paga essa conta é a própria sociedade.
🌎 Potencial não basta
A Baixada Santista possui um enorme potencial turístico. Mas potencial, sozinho, não gera desenvolvimento.
É necessário transformar potencial em produto turístico estruturado, produto em experiência qualificada, experiência em fluxo turístico e fluxo turístico em benefícios econômicos e sociais para a população local.
Também é preciso evitar um modelo baseado exclusivamente no aumento do número de visitantes.
O objetivo deve ser construir um turismo responsável, sustentável, inclusivo e economicamente viável, capaz de preservar os recursos naturais e culturais que justamente tornam os municípios atrativos.
📈 Planejamento regional é fundamental
Outro desafio é superar a visão isolada de cada município.
O turista não necessariamente enxerga os limites administrativos existentes entre Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Guarujá, Bertioga, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe.
Ele pode se hospedar em uma cidade, visitar outra, realizar uma atividade em uma terceira e consumir em uma quarta.
Por isso, pensar o turismo regionalmente pode ampliar as oportunidades. Uma política integrada pode favorecer a criação de roteiros regionais, circuitos históricos, produtos de ecoturismo, turismo cultural, turismo náutico e experiências de longa permanência.
Isso pode ajudar a reduzir a forte concentração dos fluxos turísticos nos períodos de verão e feriados.
🔎 Os números precisam gerar reflexão
Os dados de 2018 apresentados pela reportagem são históricos e devem ser analisados dentro daquele contexto orçamentário. Eles não devem ser utilizados automaticamente para representar a realidade financeira atual dos municípios.
Entretanto, permanecem extremamente importantes para provocar uma reflexão:
Quanto uma região que depende tanto do turismo está efetivamente investindo em planejamento turístico?
Mais importante ainda: Qual é o retorno desses investimentos para a população?
Essas perguntas deveriam fazer parte da agenda permanente dos gestores públicos, empresários, trabalhadores, profissionais do turismo, universidades e sociedade civil.
💬 Espaço do Leitor:
🔰 Na sua opinião, a Baixada Santista aproveita de maneira adequada todo o seu potencial turístico ou ainda falta planejamento, investimento e qualificação na gestão pública do turismo? 🔰





