..:: Do Combate ao Turismo: O Roteiro das Fortificações do Porto de Santos
O litoral paulista guarda um dos acervos arquitetônicos e militares mais ricos do Brasil. O estudo do professor Elcio Rogerio Secomandi, apresentado no VI Seminário Regional de Cidades Fortificadas, convida a olhar para as antigas muralhas do Porto de Santos sob uma nova perspectiva: a transformação de velhas estruturas de defesa em rotas turísticas e culturais.
Por..:: Elcio Rogerio Secomandi
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..:: De Sentinelas de Pedra a Equipamentos Culturais
Durante séculos, a entrada do estuário de Santos e os seus canais de acesso foram protegidos por cortinas de fortificações para afastar piratas, corsários e nações rivais. Com a evolução tecnológica, a artilharia de posição fixa tornou-se obsoleta.
Hoje, estas estruturas já não servem para o combate, mas ganharam um novo papel vital: preservar a memória histórica e impulsionar o turismo náutico e cultural.
..:: Principais Monumentos do Sistema de Defesa
O complexo defensivo que protegeu a região ao longo de quatro séculos conta com marcos de grande relevância histórica e arquitetónica:
- Forte São João (1551) – Bertioga: Uma das fortificações mais antigas do país, aberta ao público e exemplo de integração histórico-ambiental.
- Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande (1584) – Guarujá: Erguida durante o período da União Ibérica, situa-se num ponto estratégico da entrada do canal e é o conjunto militar mais expressivo do estado.
- Casa do Trem Bélico (1734) – Santos: Antigo depósito de munições e armas (os chamados “trens bélicos”), restaurado para funcionar como centro de informações turísticas e ponto de partida do circuito histórico.
- Forte Augusto (1734) / Museu de Pesca – Santos: Antiga sentinela avançada cuja área hoje abriga o famoso Museu de Pesca.
- Fortalezas do Período Republicano: O Forte de Itaipu (1902) e o Forte dos Andradas (1942), construídos para responder à modernização das belonaves e da artilharia no século XX.
..:: A Proposta: A Variante Colonial do “Circuito dos Fortes”
Inspirando-se em modelos internacionais — como os passeios de barco pelos canais dos moinhos na Holanda ou os itinerários históricos das baías de Guanabara e Florianópolis —, a proposta defende o aproveitamento das embarcações, escunas e lanchas que já navegam pelo estuário de Santos.
A ideia consiste em incluir um “pit stop histórico” e guias capacitados para contar a história do povoamento, das bandeiras e das batalhas coloniais enquanto os visitantes navegam pelas mesmas águas que outrora foram cruzadas por exploradores e corsários.
A não perder: Visitar estes monumentos é mais do que fazer um passeio turístico; é viajar no tempo e reconhecer o valor das gerações que ajudaram a construir as fronteiras e a identidade do Brasil.
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