⛪ A Paróquia Anglicana de Todos os Santos — All Saints’ Church, localizada no bairro do José Menino, em Santos (SP), é um dos importantes testemunhos da presença britânica e anglicana na história da cidade. Sua trajetória está diretamente relacionada à comunidade de língua inglesa, aos marinheiros que chegavam ao porto de Santos, às empresas britânicas estabelecidas na cidade e ao processo de transformação econômica e urbana ocorrido entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.
Por ..:: Renato Marchesini: Historiador com Pós-Graduações em História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio.
Fotografia antiga: Igreja Anglicana, em Santos, em meados de 1920 — Foto: Memória Santista.
⚓ A presença anglicana antes da construção do templo
A história da Igreja Anglicana em Santos é bem anterior à construção do atual templo.
De acordo com a história oficial da Paróquia de Todos os Santos, em 23 de outubro de 1861 teve início a Missão aos Marinheiros de Santos, organização com sede em Londres destinada a oferecer apoio espiritual e assistência aos marinheiros e imigrantes ingleses. Na mesma ocasião, começou a Capelania Inglesa em Santos, considerada o embrião da atual comunidade anglicana.
As primeiras atividades religiosas registradas ocorreram em 18 de maio de 1862, sob o nome de All Saints’ Church.
Durante esse período, a comunidade de língua inglesa ainda não possuía um templo próprio.
As famílias dos homens de língua inglesa que viviam ou trabalhavam em Santos, quando pertenciam à tradição anglicana, participavam de cultos realizados segundo o rito Episcopal e Anglicano em outros espaços religiosos ou no Salão da Missão aos Marinheiros.
Em determinadas ocasiões, vinha de São Paulo o cônego Fenn, aproximadamente uma vez por mês, para celebrar os serviços religiosos. O sr. Holmes, encarregado dos trabalhos da Missão aos Marinheiros, acompanhava as celebrações e tocava o harmônio para os hinos.
Essa realidade demonstra que a comunidade anglicana santista se organizou gradualmente, antes de possuir uma sede própria.
🌎 Santos e a comunidade anglo-americana
No final do século XIX e início do século XX, Santos possuía uma intensa relação com empresas estrangeiras e com o comércio internacional.
A importância do porto favoreceu a instalação de empresas, bancos, companhias comerciais e prestadores de serviços ligados à economia internacional.
Entre os membros da comunidade anglo-americana estavam pessoas que trabalhavam para empresas e instituições como o British Bank, E. Johnston & Co., The City of Santos Improvement Co., Bank of London & South America, Wilson Sons e outros estabelecimentos.
A presença desses profissionais, comerciantes, funcionários e suas famílias contribuiu para a formação de uma comunidade de língua inglesa relativamente organizada na cidade.
A própria documentação histórica relacionada à igreja registra essa ligação entre a comunidade anglicana, as empresas britânicas e os marinheiros estrangeiros que chegavam ao porto de Santos.
🏛️ A Associação da Igreja Anglicana
Com o crescimento da comunidade, surgiu a necessidade de organizar formalmente os serviços religiosos e criar um espaço próprio para o culto.
Assim, em setembro de 1917, foi constituída a Associação da Igreja Anglicana.
Os estatutos da associação estabeleciam como finalidade o culto religioso segundo o rito anglicano e determinavam a construção de uma igreja denominada “All Saints”.
A documentação histórica registra que o terreno destinado à construção foi objeto de doação relacionada à E. Johnston & Co., empresa vinculada à comunidade britânica de Santos.
A formação da associação representou um momento decisivo: a comunidade que durante décadas havia utilizado espaços provisórios passou a organizar a construção de um templo próprio.
🏗️ A construção da All Saints’ Church
O projeto do templo data de 1916, e a construção ocorreu entre 1917 e 1918.
Documentação do patrimônio arquitetônico de Santos identifica o projeto como “Projecto para Igreja Ingleza do José Menino”, relacionado ao acervo da Paróquia de Todos os Santos. O projeto é atribuído aos arquitetos anglo-argentinos Walter B. Bassett-Smith e Bertie Hankins Collcutt, e a construção ficou a cargo da Companhia Construtora de Santos.
A localização escolhida foi a atual Praça Washington, nº 92, no bairro do José Menino.
A construção do templo deve ser compreendida dentro de um período em que Santos experimentava profundas transformações urbanas, econômicas e sociais.
Projeto da Igreja Anglicana em Santos SP. Imagem: Memória Santista.
✝️ A consagração da Paróquia de Todos os Santos
Em 21 de abril de 1918, a Paróquia Anglicana de Todos os Santos foi dedicada e consagrada pelo Bispo Edward Francis Every, então responsável pela Diocese da Argentina e Ilhas Malvinas, sob a jurisdição da Igreja da Inglaterra.
A consagração marcou a conclusão de uma etapa fundamental da organização da comunidade anglicana em Santos.
O templo passou a atender tanto os membros da comunidade anglo-americana residente na cidade quanto a tradição de assistência religiosa relacionada aos marinheiros de língua inglesa que chegavam ao porto.
A igreja permanece na Praça Washington, nº 92, no bairro do José Menino, em frente ao atual Orquidário Municipal de Santos.
🏰 A arquitetura da igreja
Um dos aspectos mais marcantes da All Saints’ Church é sua arquitetura.
A documentação da Prefeitura de Santos e do CONDEPASA caracteriza o edifício como uma construção de estilo neogótico vitoriano, inspirada na estética anglo-normanda das capelas rurais inglesas.
Outras descrições históricas da própria comunidade utilizam a expressão estilo normando, destacando sua estrutura em pedras (sandstones) e sua planta em forma de cruz.
A diversidade dessas denominações estilísticas não diminui a singularidade do edifício. Pelo contrário: evidencia a combinação de referências arquitetônicas britânicas utilizadas na concepção do templo.
A igreja constitui um exemplar particularmente significativo da arquitetura religiosa protestante construída no início do século XX em Santos.
Foto Antiga da Igreja Anglicana em Santos nos anos 40. Imagem: Novo Milênio.
🪨 Pedra, cruz e elementos interiores
O templo possui estrutura em pedra e planta em formato de cruz.
Na nave encontram-se elementos importantes da liturgia anglicana, entre eles a pia batismal e o púlpito, localizado junto ao arco-cruzeiro.
O conjunto arquitetônico foi concebido para unir funcionalidade religiosa e forte expressão visual, seguindo referências encontradas na arquitetura eclesiástica britânica.
Essa característica ajuda a explicar por que a igreja permanece como um dos edifícios religiosos mais singulares da paisagem urbana santista.
🌈 Os vitrais e a iconografia religiosa
Outro elemento de grande interesse são os vitrais.
A capela possui representações relacionadas à tradição cristã, incluindo episódios da Paixão e Ascensão de Cristo, os apóstolos Pedro e Paulo e a representação da Virgem e a Criança.
Também aparecem referências aos santos patronos dos países que compõem a tradição britânica, incluindo Escócia, Gales, Inglaterra e Irlanda.
Esses elementos transformam os espaços internos em importantes documentos visuais da religiosidade e da cultura anglicana.
Para o visitante interessado em história da arte, arquitetura e patrimônio religioso, os vitrais constituem uma das características que merecem atenção durante uma visita.
🇬🇧 A influência britânica na formação de Santos
A construção da igreja está inserida em um contexto histórico mais amplo.
Durante o século XIX, a influência econômica britânica no Brasil cresceu significativamente. Santos, por ser um dos principais portos brasileiros, participou diretamente desse processo.
A circulação de mercadorias, capitais, profissionais, comerciantes, engenheiros, marinheiros e empresários estrangeiros contribuiu para transformar a cidade.
A presença britânica não se limitou às atividades comerciais. Ela também deixou marcas na arquitetura, nos transportes, nas instituições, nos costumes e na vida cotidiana.
Nesse contexto, a Igreja Anglicana tornou-se um dos espaços que materializaram essa presença cultural na paisagem santista.
🚂 Modernidade, porto e transformação urbana
A influência estrangeira esteve relacionada a um período em que setores da sociedade brasileira buscavam incorporar referências de modernidade provenientes da Europa e dos Estados Unidos.
Em Santos, esse processo esteve associado às transformações do porto, das ferrovias, do comércio do café, das companhias de serviços e da infraestrutura urbana.
A cidade passou a receber novas tecnologias, empresas, trabalhadores e visitantes.
A Igreja Anglicana deve ser entendida dentro dessa transformação: Ela é simultaneamente patrimônio religioso, documento arquitetônico e testemunho das relações internacionais que ajudaram a moldar Santos.
👨👩👧👦 A comunidade anglicana e a Missão São Marcos
A história da igreja também passou por uma importante transformação na década de 1960.
Em 1965, membros da Paróquia São Marcos, da então Igreja Episcopal Brasileira, comunidade de língua portuguesa, juntaram-se à congregação da All Saints’ Church.
Posteriormente, as duas comunidades passaram por um processo de integração, dando origem à Missão Organizada da Paróquia de Todos os Santos.
Esse momento foi importante porque aproximou duas tradições comunitárias que até então possuíam trajetórias linguísticas distintas: a comunidade histórica de língua inglesa e a comunidade de língua portuguesa.
🇧🇷 A integração à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Em 1971, a comunidade de Santos passou a integrar a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil — IEAB, ficando vinculada à então Diocese Anglicana de São Paulo.
A Diocese Anglicana de São Paulo foi criada em 1969 e atualmente integra a estrutura da IEAB, abrangendo o Estado de São Paulo. A Paróquia de Todos os Santos, em Santos, permanece entre as paróquias da diocese.
A integração à IEAB representou uma nova etapa institucional na história da comunidade.
📖 Capelães da All Saints’ Church
A trajetória da comunidade também pode ser acompanhada pelos nomes dos capelães que exerceram suas atividades ao longo das décadas.
A relação preservada pela própria Paróquia de Todos os Santos registra os seguintes nomes e períodos:
| Capelão | Período |
|---|---|
| A. W. Allan | 1914–1924 |
| G. Cook | 1924–1925 |
| E. E. S. Forrester | 1925–1926 |
| A. G. Partington | 1926–1928 |
| G. Lawrence | 1929–1930 |
| E. D. Evan | 1930–1932 |
| D. N. Thomas | 1938–1944 |
| R. E. Williams | 1944–1946 |
| J. E. Meakin | 1946–1951 |
| I. G. Blakeney | 1953–1955 |
| F. N. Chatfield | 1953–1955* |
| T. G. R. Hughes | 1965 |
| J. A. Scott | 1965–1968 |
| A. J. Stein | 1966–1970 |
| W. F. Snedker | período não informado |
* Observação: a relação atualmente publicada pela própria paróquia apresenta F. N. Chatfield como 1953–1955, enquanto o material histórico fornecido para este artigo trazia 1957–1964. Como existe divergência entre os registros, a informação deve ser tratada com cautela e merece consulta aos documentos originais da paróquia.
⛪ A Missão São Marcos e seus ministros
A história da antiga Missão São Marcos, posteriormente integrada à trajetória da Paróquia de Todos os Santos, também possui uma extensa relação de ministros, seminaristas e bispos.
Entre os nomes preservados nos registros históricos estão José Orthon, Clodoaldo Rodrigues Ramos, João Timóteo da Silva, José Silvado Bueno, Richard Burrus Lindner, Raul de Siqueira Vilaça Filho, Sumiu Takatsu, Francis N. Chatfield, Paulo José Kriscke, Curt Kleemann, Dirson Glênio Caminha Vergara dos Santos, Takashi Simizu, além de seminaristas e outros ministros.
A partir da década de 1970, aparecem também nomes como Elliot Lorenz Sorge, Rodolfo Garcia Nogueira, Sumiu Takatsu, Walter Frank Snedker e Glauco Soares de Lima, entre outros.
A documentação atualmente disponibilizada pela própria paróquia preserva essa sucessão histórica e também registra ministros visitantes, auxiliares, coadjutores e seminaristas que participaram da vida comunitária.
👥 Uma sucessão de lideranças
Entre os nomes mais recentes relacionados à comunidade estão Roger Douglas Bird, Mário Ferreira Ribas, Leandro Antunes Campos, Pedro Triana Fernandez e outros ministros que participaram da trajetória da paróquia.
Os registros atuais também indicam a continuidade dessa história por meio de novas lideranças religiosas.
A preservação dessa memória é importante porque a história de uma igreja não é feita apenas pelo edifício: ela também é construída pelas pessoas que celebraram, ensinaram, administraram, participaram e mantiveram viva a comunidade ao longo das gerações.
🎹 O harmônio e a memória musical
A música sempre teve um papel importante nos cultos da comunidade anglicana.
Desde o período da Missão aos Marinheiros, quando o sr. Holmes tocava o harmônio para acompanhar os hinos, os instrumentos musicais fazem parte da memória da comunidade.
Atualmente, a igreja preserva um órgão de fole — harmônio, elemento de significativo valor histórico.
A documentação do CONDEPASA destaca a importância do instrumento musical para as celebrações religiosas e seu valor histórico, juntamente com o edifício, os muros e a casa paroquial.
Observação: a informação fornecida originalmente menciona que o órgão/harmônio “data de 1958”, enquanto a documentação patrimonial do CONDEPASA consultada descreve um modelo Apollo, fabricado pela Rushworth & Dreaper, em Liverpool, sem confirmar nessa fonte a data de 1958. Por isso, é mais seguro registrar a existência e a importância histórica do instrumento sem atribuir-lhe uma data específica sem documentação adicional.
🏛️ O tombamento como patrimônio cultural
A importância histórica e arquitetônica da igreja levou ao processo de preservação pelo poder público municipal.
O processo de tombamento teve início em 2010 e foi concluído em 2015.
Em 23 de junho de 2015, foi formalizado o tombamento da paróquia, incluindo a edificação, os muros — com exceção dos portões —, a casa paroquial e o órgão de fole.
O CONDEPASA reconheceu a relevância da construção, destacando sua arquitetura neogótica vitoriana e sua inspiração anglo-normanda.
Esse reconhecimento consolidou a igreja como patrimônio cultural de Santos.
📅 A igreja depois de um século de história
Em 2018, a comunidade celebrou o centenário da consagração do templo.
A data marcou 100 anos desde 21 de abril de 1918, quando o edifício foi consagrado pelo bispo Edward Francis Every.
A comemoração do centenário reforçou o significado da igreja para a memória religiosa, arquitetônica e cultural de Santos.
Hoje, a Paróquia de Todos os Santos continua realizando celebrações religiosas em português e inglês. A página oficial da paróquia informa celebrações em português aos domingos e uma celebração em inglês no segundo domingo de cada mês.
🙏 Uma missão que atravessa gerações
A comunidade preserva uma declaração de missão que resume sua compreensão da vida cristã:
“Restaurar todas as pessoas para a união com Deus, e uns com os outros em Cristo, através da Oração, do Culto, dos Sacramentos, da Proclamação do Evangelho e pela Promoção da Justiça, da Paz e do Amor!”
E uma frase sintetiza a proposta de acolhimento e serviço:
“Aqui se entra para adorar a Deus, daqui se sai para amar o próximo.”
Mais do que uma frase religiosa, ela ajuda a compreender a relação estabelecida pela comunidade entre fé, convivência, serviço e compromisso com o próximo.
🏘️ Um patrimônio que conta várias histórias
A Igreja Anglicana de Santos é um patrimônio que permite observar diferentes dimensões da história da cidade.
Ela conta a história da comunidade britânica, dos marinheiros estrangeiros, das empresas internacionais, da expansão do porto de Santos, das transformações urbanas, da presença das tradições protestantes e da formação de comunidades religiosas de diferentes origens.
Sua arquitetura também testemunha o período em que referências estrangeiras passaram a integrar a paisagem urbana brasileira.
Por isso, preservar a All Saints’ Church significa preservar uma parte da memória de Santos e de suas relações com o mundo.
Fotos de ..:: Renato Marchesini.
📚 Fontes e referências históricas
Paróquia de Todos os Santos — História da Paróquia. Registro institucional sobre a Missão aos Marinheiros, Capelania Inglesa, construção, união com a Missão São Marcos, filiação à IEAB e tombamento. Paróquia de Todos os Santos — História
Paróquia de Todos os Santos — Galeria Pastoral. Relação histórica de capelães e ministros da All Saints’ Church e da Missão São Marcos. Galeria Pastoral — Paróquia de Todos os Santos
Novo Milênio — Histórias e Lendas de Santos. Documentação histórica sobre a Associação da Igreja Anglicana, seus estatutos, empresas vinculadas à comunidade e a consagração do templo. Novo Milênio — Igreja Anglicana de Santos
Fundação Arquivo e Memória de Santos — Memória da Arquitetura de Santos no Papel. Registro do projeto arquitetônico e da presença anglicana em Santos desde o século XIX.
Memória Santista — “Santos, uma cidade (também) britânica”. Artigo publicado em 22 de abril de 2018, durante as comemorações relacionadas ao centenário da Igreja Anglicana de Santos. A publicação aborda a presença britânica em Santos, as empresas inglesas, a Missão dos Marinheiros, a comunidade anglicana, a construção da All Saints’ Church e suas características arquitetônicas, constituindo uma referência importante para compreender a relação entre a história da igreja e a influência britânica na cidade. Memória Santista — Santos, uma cidade (também) britânica
CONDEPASA / Prefeitura Municipal de Santos. Documentação referente ao tombamento da Igreja Anglicana de Todos os Santos, incluindo a edificação, elementos externos, casa paroquial e órgão de fole.
Diocese Anglicana de São Paulo — IEAB. Informações sobre a estrutura diocesana e a Paróquia de Todos os Santos. Diocese Anglicana de São Paulo — Paróquias
Pesquisa, organização e adaptação: Renato Marchesini.
🗺️ Igreja Anglicana nos roteiros de turismo histórico e cultural
A All Saints’ Church pode ser incluída em roteiros de turismo histórico e cultural de Santos relacionados à presença estrangeira, à história do porto, à arquitetura religiosa e à formação urbana do José Menino.
Um roteiro que inclua a igreja pode estabelecer conexões entre patrimônio material e imaterial, história religiosa, imigração, comércio internacional, arquitetura, urbanização e turismo.
Para o visitante, conhecer esse patrimônio significa descobrir uma Santos que vai muito além das praias.
A cidade também pode ser compreendida por meio de seus edifícios, igrejas, praças, canais, antigos estabelecimentos comerciais, monumentos e espaços de memória.
Para roteiros de turismo históricos e culturais em Santos e região: R9 Turismo — r9turismo.com
💬 Espaço do Leitor:
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