🌱 O turismo comunitário pode transformar a maneira como enxergamos os territórios, valorizando as pessoas, suas histórias, seus saberes e suas iniciativas sociais. Em 12 de agosto de 2015, o vídeo Envolvimento da Comunidade dos Bairros Cota para o fomento do Turismo Comunitário registrou uma palestra de Renato Marchesini, então apresentado como gestor de projetos, sobre as possibilidades de envolver os moradores no desenvolvimento de experiências turísticas em Cubatão, no litoral paulista. O registro, produzido pelo Projeto Com Com – Comunicação Comunitária, documenta uma importante discussão sobre participação social, valorização territorial e turismo de base comunitária.
Por ..:: Renato Marchesini / Bacharel em Turismo, Historiador, Geógrafo e Biólogo, com Pós-Graduação em Ecoturismo, Zoologia, Gestão Pública, Gestão em Projetos, RH e Projetos Sociais, Gestão Educacional, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Direitos Humanos, História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio e Mestre em Ciências.
🎥 Assista ao vídeo: o envolvimento comunitário no turismo
O vídeo Envolvimento da Comunidade dos Bairros Cota para o fomento do Turismo Comunitário resgata uma experiência de mobilização e diálogo sobre o papel dos moradores na construção de alternativas para o desenvolvimento local.
- Tema: turismo comunitário e participação dos moradores.
- Local: Bairros Cota, em Cubatão (SP).
- Data do registro: 12 de agosto de 2015.
- Palestrante: Renato Marchesini, gestor de projetos da R9 Turismo.
- Produção audiovisual: Projeto Com Com – Comunicação Comunitária.
O registro merece ser revisitado por quem pesquisa turismo sustentável, desenvolvimento territorial, comunicação comunitária e valorização de iniciativas sociais.
🏘️ Bairros Cota: Território, memória e identidade
Os Bairros Cota estão localizados nas encostas da Serra do Mar, em Cubatão, junto ao corredor da Rodovia Anchieta. A formação desses núcleos habitacionais está relacionada, entre outros fatores, à construção das rodovias e à ocupação das encostas ao longo do século XX.
A região apresenta uma história marcada por desafios sociais, questões habitacionais e ambientais e iniciativas de recuperação socioambiental. Por isso, compreender os Bairros Cota exige ir além das imagens frequentemente associadas à vulnerabilidade: é necessário reconhecer as pessoas, suas experiências, suas expressões culturais e sua capacidade de construir novas perspectivas para o território.
Um exemplo importante foi o projeto Ateliê Arte nas Cotas, associado a intervenções artísticas nas casas, nos muros e nos espaços comunitários. A iniciativa contribuiu para dar visibilidade à criatividade local e inspirou experiências de visitação voltadas à valorização cultural e social da região.
🤝 O que é turismo de base comunitária?
O turismo de base comunitária (TBC) é uma forma de organizar experiências turísticas que reconhece a comunidade como protagonista do processo. Os moradores não devem ser tratados apenas como parte do cenário visitado, mas como participantes das decisões, da interpretação cultural e da distribuição dos benefícios gerados pela atividade.
Nesse modelo, o turismo pode contribuir para:
- Valorizar a identidade local, incluindo memórias, histórias, tradições e expressões artísticas.
- Gerar oportunidades de trabalho e renda, por meio de serviços, atividades culturais, alimentação, artesanato e condução de visitantes.
- Fortalecer a autoestima comunitária, reconhecendo os conhecimentos e as capacidades existentes no território.
- Promover intercâmbios culturais, aproximando moradores e visitantes de maneira respeitosa.
- Estimular a educação patrimonial e ambiental, ampliando o conhecimento sobre a história, a paisagem e os desafios locais.
- Apoiar iniciativas sociais, criando oportunidades de divulgação e articulação para projetos desenvolvidos pela própria comunidade.
Entretanto, o turismo comunitário não deve ser visto como uma solução automática para problemas sociais. Seus resultados dependem de planejamento, participação efetiva, formação, infraestrutura adequada, respeito à privacidade dos moradores e mecanismos transparentes de distribuição dos benefícios.
🧭 Renato Marchesini e a valorização do turismo comunitário
A atuação de Renato Marchesini na concepção e na promoção de experiências de turismo comunitário na região está documentada em publicações e registros da época.
Em 2015, um artigo acadêmico publicado no Caderno Virtual de Turismo, assinado por Aristides Faria Lopes dos Santos, Renato Marchesini analisou a experiência de visitação relacionada ao projeto Ateliê Arte nas Cotas, em Cubatão. O trabalho discutiu as implicações sociais e ambientais da atividade turística e a possibilidade de aproximar visitantes de iniciativas comunitárias. <Link url=”https://www.ivt.coppe.ufrj.br/caderno/article/view/954” title=”Consultar a publicação acadêmica”/>.
A experiência demonstra a importância de identificar potenciais culturais e sociais que nem sempre aparecem nos roteiros turísticos convencionais. Ao perceber que as intervenções artísticas e os projetos locais poderiam despertar o interesse de visitantes, Marchesini contribuiu para pensar o turismo como ferramenta de valorização territorial.
Seu trabalho merece destaque por articular turismo, planejamento de projetos e reconhecimento do protagonismo comunitário, levando a discussão para além dos atrativos tradicionais e estimulando um olhar mais atento para as pessoas que constroem diariamente a identidade de seus bairros.
Mais do que promover um destino, essa perspectiva procura criar condições para que a própria comunidade reconheça seu patrimônio, participe das decisões e tenha oportunidades concretas com a atividade turística.
🎨 Arte, cultura e experiências locais como atrativos turísticos
O turismo comunitário pode revelar aspectos de um território que dificilmente seriam compreendidos em uma visita convencional. Oficinas artísticas, narrativas dos moradores, memória do bairro, iniciativas culturais e práticas cotidianas podem se transformar em experiências educativas e de intercâmbio.
Nos Bairros Cota, o trabalho relacionado ao Ateliê Arte nas Cotas mostrou como intervenções artísticas podem contribuir para uma nova leitura da paisagem. A visitação também foi pensada em conexão com outros pontos de interesse histórico, cultural e ambiental de Cubatão.
Esse tipo de roteiro precisa ser construído com a comunidade e não apenas sobre a comunidade. Isso significa ouvir os moradores, respeitar os limites de visitação, valorizar os agentes locais e estabelecer acordos claros sobre as atividades oferecidas e os benefícios gerados.
O resultado pode ser uma experiência mais autêntica para o visitante e, ao mesmo tempo, mais respeitosa e significativa para quem vive no território.
🌿 Turismo, sustentabilidade e desenvolvimento territorial
A localização dos Bairros Cota na Serra do Mar torna especialmente importante a integração entre as dimensões social, cultural e ambiental do planejamento turístico.
O desenvolvimento de visitas deve considerar a sensibilidade da região, as condições de acesso, a segurança, a capacidade de atendimento e as normas aplicáveis às áreas protegidas. Também deve evitar a exposição indevida dos moradores e a transformação de situações de vulnerabilidade em espetáculo.
O turismo sustentável precisa gerar benefícios concretos, respeitar os direitos da população e contribuir para a conservação do patrimônio natural e cultural.
Para isso, é importante investir na capacitação de moradores, na construção participativa dos roteiros, na comunicação responsável e no acompanhamento dos resultados econômicos, sociais e ambientais das atividades.
📚 Um registro importante para a história do turismo na Baixada Santista
Revisitar uma palestra de 2015 permite recuperar parte do debate sobre o turismo comunitário na Baixada Santista e reconhecer iniciativas que buscaram aproximar o planejamento turístico da realidade dos bairros.
O vídeo produzido pelo Projeto Com Com tem valor como registro audiovisual de uma época e como ponto de partida para refletir sobre a evolução das práticas de turismo de base comunitária. Ele também reforça a importância de preservar vídeos, fotografias, depoimentos e documentos que ajudam a contar a história das iniciativas sociais e turísticas da região.
A memória do turismo não é feita apenas de destinos famosos e grandes empreendimentos. Ela também é construída por moradores, articuladores, educadores, agentes culturais e profissionais que identificam oportunidades e ajudam a transformar ideias em experiências coletivas.
🧳 R9 Turismo: Roteiros históricos, culturais e comunitários
A R9 Turismo valoriza o planejamento de experiências que aproximam as pessoas da história, da cultura, do patrimônio e das comunidades dos destinos.
Para conhecer informações sobre roteiros e projetos turísticos, acesse: 🌐 https://r9turismo.com
Conhecer um território é também ouvir suas histórias, reconhecer seus protagonistas e compreender os desafios e as potencialidades de quem vive nele.
📙 Referências para aprofundamento
- SANTOS, Aristides Faria Lopes dos; MARCHESINI, Renato; Turismo e suas implicações socioambientais: a experiência do projeto Ateliê Arte nas Cotas, em Cubatão (SP), Brasil. Caderno Virtual de Turismo, v. 15, n. 1, 2015. Disponível em: https://www.ivt.coppe.ufrj.br/caderno/article/view/954.
- PROJETO COM COM – COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA. Vídeo Turismo Comunitário Bairros Cota Cubatão SP. Registro audiovisual de 12 de agosto de 2015. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gluR4nUbLBY.
💬 Espaço do Leitor:
🔰 Você acredita que o turismo comunitário pode contribuir para valorizar os bairros periféricos, fortalecer a identidade dos moradores e gerar oportunidades de trabalho e renda? Compartilhe sua opinião e conte se conhece alguma iniciativa semelhante em sua cidade. 🔰


