A ocupação territorial de Cubatão evidentemente está relacionada à industrialização e à migração de trabalhadores que por sua vez desencadeou um crescimento demográfico exacerbado. A falta de planejamento habitacional aliada à indisponibilidade de “terrenos firmes” para novas moradias e o estado de pobreza dos migrantes recém-chegados, empurra-os para a periferia e afetando em demasia a estrutura socioeconômica do município.
Por..:: Wellington Borges
A pouca terra disponível, os aluguéis caros, a inexistência de políticas de assentamentos ou falta de recursos para implantação das mesmas, expulsam os migrantes do “Centro” da cidade para se “refugiarem” em sub-moradias insalubres como cortiços e favelas.
Historicamente há dois momentos que deflagraram o surto migratório e a utilização de sub habitações. Primeiro, a construção da Via Anchieta, em meados de 1940, que deu a origem aos “bairros” Cota. Segundo, a implantação do polo industrial que, em local inadequado, deu origem aos aglomerados habitacionais de baixa renda como a extinta Vila Parisi e o Jardim São Marcos (antigo Maracangalha) que resiste, até o momento, com a favela do Papelão a seus arredores.
Para se entender o processo de favelização gerado pelo fluxo migratório “atraído” pelo parque petroquímico de Cubatão deve-se observar alguns fatores sociais.
Se que a maioria dos trabalhadores arregimentados às construções das fábricas eram os de menor qualificação. Os migrantes assimilados na construção civil, em sua grande maioria, eram semianalfabetos (analfabetismo funcional). Conforme estudos realizados pela USP, quando da implantação do Plano Diretor para Cubatão, há a citação de que os munícipes não reivindicavam seus direitos com mais veemência devido à baixa escolaridade. A somatória desses problemas, ou seja, ausência de planejamento urbano (como já foi dito, ou vontade política e/ou recursos para executá-las) e baixa instrução escolar, propiciaram o surgimento de várias áreas favelizadas com carências sociais gritantes. Estas podem ser identificadas através das consequências imediatas, tais como:
a) Consequências primárias: falta de creches, de postos de saúde e policial, de centros de convivências, de transporte, de praças esportivas, de saneamento básico. Tais fatores estão atrelados diretamente à má qualidade de vida;
b) Consequências secundárias: surgimento de uma população carente no sentido amplo. Há carência de opções de lazer, de princípios éticos e morais, de politização e mobilização social, de educação, ou seja, carência de cidadania;
c) Consequências terciárias: além da baixa qualidade de vida e do impacto ambiental gerado pela alta densidade demográfica, as sub-moradias colaboram também para o recrudescimento da violência, da dependência das drogas e dos crimes correlatos.
Infelizmente este quadro induz á banalização da vida, onde a garantia de emprego e bons salários atenderiam sobremaneira para a melhoria da qualidade devida, além de intervenções do poder público nessas áreas.
As favelas, na maioria dos casos, ocupam terrenos públicos e de proteção ambiental como áreas de mangues e encostas. Muitas estão situadas em área de risco geológico, podendo ser soterradas durante um escorregamento de encosta, outras, devido à proximidade do polo industrial, podem sofrer problemas com vazamento de gases nocivos à saúde e, parte destas coloca em risco a potabilidade da água, pois se estabeleceram em área de mananciais fundamentais para o abastecimento da Baixada Santista.
O impacto ambiental gerado por uma favela é considerável. Começa pelo desmatamento que, consequentemente, assoreia os rios e, em muitas situações, o aterramento direto dos mangues. Lixo exposto e/ou jogados nos cursos d’águas contribuem para o surgimento de enfermidades. A falta de esgoto polui a água e, assim, proliferam as doenças gastrintestinais.
Além disso, existem ações imorais, oportunistas e eleitoreiras que imperam na questão do crescimento das favelas. É fato e de conhecimento de muitos, a invasão e a construção de novos barracos a margem das existentes, por “equipes bem treinadas” com habilidade suficiente para levantar um barraco em uma noite. Essas “novas moradias” são vendidas ou negociadas. A “Indústria da Invasão” é a própria exploração da miséria.
Fonte..:: Wellington Borges AQUI








