

Cores dão destaque às cotas, em Cubatão
Pintura de imóveis atrai até estrangeiros
Por..:: Manuel Alves Fernandes
Quando Henrique Carlos Alberto Davi visitou pela primeira vez a região da Rodovia dos Imigrantes e, ao fundo, a orla marítima da Baixada Santista, a partir da altura da Cota 200, no Km 50 da Via Anchieta, ficou durante segundos estático, mudo, só olhando. Parecia encantado.
Quem conta essa história, na Rua Principal do bairro da Cota 200 – reserva florestal da Serra do Mar –, é o aposentado Washington da Silva Oliveira. Morador dali há 50 anos, ele não viu a cena, que lhe foi contada por vizinhos. Mas acredita no espanto do visitante, ao ver a paisagem grandiosa. E mostra a sua veia de poeta popular: “Não podia ser de outra forma. Hoje a cota é doce, é um bairro colorido, bom de se viver”.
Há dez anos, a Rua Principal do bairro, na encosta da serra e a 200 metros da cota do nível do mar (cota é a altura em relação à maré máxima), era uma rústica passagem de terra e pedras soltas. Hoje, ostenta drenagem e pavimentação novas.
Muitas das atuais 750 moradias, aproximadamente, que passaram por reforma eram casas velhas de alvenaria sem acabamento, mal ajambradas. Pelo menos 50 delas já têm pinturas decorativas de cores vivas que se destacam na vegetação. O objetivo, nos próximos anos, é colorir todos os imóveis.
🏘️ A Cota
A Cota 200, que nasceu na década de 1940 como acampamento de operários do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) que trabalhavam na construção da Via Anchieta, era, até meados dos anos 2000, mau exemplo de danos ambientais decorrentes de invasões de florestas.
Com a urbanização iniciada em 2008 pelas secretarias da Habitação e do Meio Ambiente do Estado, tudo mudou. Agora, nos finais de semana, os moradores recebem turistas da região e estrangeiros que descem em vans, de São Paulo, para visitas monitoradas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
A estatal executou o Programa de Recuperação Ambiental da Serra do Mar. Demoliram-se mais duas centenas de casas de moradores em áreas de risco de deslizamento – que passaram a ocupar conjuntos habitacionais construídos no Jardim Casqueiro e no Bolsão 9, em Cubatão. E preservou um número seguro de moradias que permaneceram na Cota 200, reurbanizadas e redecoradas.
👑 O príncipe
A fama dos novos bairros-cota ganhou dimensão a partir da visita de Henrique Carlos Alberto Davi, em 25 de junho de 2014, no intervalo da Copa do Mundo no Rio. Ele veio conhecer o projeto socioambiental. Washington lembra que alguns moradores subiram no telhado para tentar acompanhar a visita. E que muitas crianças conseguiram abraçar e tirar fotos com o ilustre visitante. A partir daí, o ponto de onde Harry viu a serra ganhou o apelido de Mirante do Príncipe.
O projeto prossegue, desenvolvendo um sistema de monitoramento e previsão de riscos para a região da Serra do Mar. Mas os moradores esperam que a Prefeitura também os atenda, colocando mais micro-ônibus para ligar o bairro ao Centro de Cubatão, principalmente nos horários de pico e obrigando a concessionária de ônibus a manter veículos mais novos nas linhas.
“A CDHU prometeu água tratada nas casas já instaladas e iluminação melhor. Esperamos que cumpra”, diz José de Souza Lima, filho dos primeiros construtores da Via Anchieta e residente no bairro há 64 anos.
📷 Legendas das fotografias
- Das aproximadamente 750 moradias da Cota 200, pelo menos 50 receberam pintura em cores vivas; iniciativa se tornou chamariz turístico.
- Colorido das casas e dos estabelecimentos comerciais já pintados se destaca em meio à reserva florestal.
Fonte..:: Jornal A Tribuna, A-9, 14 de outubro de 2016.
Para Turismo Comunitário Arte nas Cotas 2000 / https://r9turismo.com



