O Romi-Isetta completa 70 anos em 2026, e a celebração chega a Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, com uma exposição especial no Tivoli Shopping. Entre 14 e 30 de agosto de 2026, o público poderá conhecer fotografias, documentos, informações históricas e um exemplar original do Romi-Isetta 1958, em uma iniciativa que resgata a memória de um dos mais emblemáticos capítulos da industrialização brasileira.
Por ..:: Renato Marchesini: Historiador com pós-graduações em História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio.
🚗 Um pequeno carro que entrou para a história
O Romi-Isetta ocupa um lugar especial na história da indústria automobilística brasileira. Produzido pela Romi S.A., em Santa Bárbara d’Oeste (SP), ele é reconhecido pela Fundação Romi como o primeiro carro de passeio produzido em série no Brasil.
O primeiro exemplar fabricado no país deixou a linha de montagem em 30 de junho de 1956. Pouco depois, em 5 de setembro de 1956, ocorreu o lançamento oficial em São Paulo, quando uma caravana com os primeiros 16 exemplares percorreu as ruas da capital paulista.
O acontecimento representou uma mudança importante: o Brasil começava a avançar da simples montagem de veículos com componentes importados para uma produção automobilística com significativa fabricação nacional de componentes. Naquele momento, aproximadamente 72% do peso das peças do Romi-Isetta já era produzido no Brasil.
🇧🇷 O Romi-Isetta e a industrialização do Brasil
Para compreender a importância do Romi-Isetta, é necessário olhar para o Brasil da década de 1950.
O país atravessava um período de industrialização, urbanização e modernização, marcado pelo crescimento das cidades, pela expansão das rodovias e pelo aumento da demanda por novos meios de transporte.
A indústria automobilística começava a ganhar espaço na economia brasileira, e o Romi-Isetta surgiu nesse cenário como um veículo compacto, inovador e adequado às necessidades de mobilidade urbana.
A sua história também se relaciona ao processo de transformação de Santa Bárbara d’Oeste em um importante polo industrial, mostrando como a produção industrial pode fazer parte da identidade, da memória e do patrimônio cultural de uma cidade.
🇮🇹 Da Itália para Santa Bárbara d’Oeste
A história do Romi-Isetta também possui uma dimensão internacional.
O projeto original do Isetta foi desenvolvido na Itália pela empresa ISO Automotoveicoli, em 1953. Em 1955, Américo Emílio Romi e Carlos Chiti viajaram à Europa para negociar a fabricação do veículo no Brasil e trouxeram dois exemplares do Iso Isetta para testes.
A produção brasileira ocorreu sob licença da empresa italiana, mas a adaptação e a fabricação realizadas pela Romi S.A. deram ao veículo uma importância própria na história da indústria nacional.
🏭 A Romi-Isetta e a história de Santa Bárbara d’Oeste
A relação entre o automóvel e Santa Bárbara d’Oeste é fundamental.
A Romi S.A. iniciou sua trajetória em 1930, como uma oficina de reparos de automóveis fundada por Américo Emílio Romi. Ao longo das décadas, a empresa ampliou sua atuação e passou a produzir máquinas e equipamentos, participando do processo de desenvolvimento industrial brasileiro.
A fabricação do Romi-Isetta inseriu Santa Bárbara d’Oeste em um capítulo pioneiro da indústria automobilística brasileira.
Por isso, falar sobre o Romi-Isetta também significa falar sobre trabalho, tecnologia, indústria, inovação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico local.
⚙️ O primeiro Romi-Isetta produzido no Brasil
Um dos momentos fundamentais dessa trajetória aconteceu em 30 de junho de 1956, quando o primeiro Romi-Isetta produzido no Brasil saiu da linha de montagem.
Pouco mais de dois meses depois, em 5 de setembro de 1956, ocorreu o lançamento oficial em São Paulo.
Uma caravana formada por 16 veículos percorreu as ruas da cidade, apresentando ao público um automóvel que chamava atenção por seu tamanho reduzido, desenho diferenciado e proposta de mobilidade urbana.
📸 Uma exposição para preservar a memória
A exposição Romi-Isetta 70 anos! apresenta uma oportunidade para conhecer essa história por meio de diferentes documentos e objetos.
Entre os materiais apresentados estão:
- fotografias históricas;
- documentos;
- informações sobre a trajetória do veículo;
- registros relacionados à produção industrial;
- um exemplar original do Romi-Isetta 1958.
A iniciativa permite aproximar o público de uma história que envolve não apenas um automóvel, mas também a industrialização brasileira e a memória de Santa Bárbara d’Oeste.
A Fundação Romi mantém no CEDOC – Centro de Documentação Histórica – um importante acervo relacionado ao Romi-Isetta, incluindo mais de 1.000 fotografias, mais de 1.500 desenhos técnicos e mais de 500 recortes de jornais e revistas, além de catálogos, manuais e outras publicações.
🗃️ O patrimônio documental do Romi-Isetta
A preservação dos documentos relacionados ao Romi-Isetta possui enorme importância para a pesquisa histórica.
Os desenhos técnicos preservados pelo CEDOC registram componentes e sistemas utilizados na fabricação do automóvel. Muitos desses documentos estão em italiano, refletindo a origem italiana do projeto e a adaptação realizada para a produção brasileira.
Esse tipo de documentação permite compreender não apenas como o veículo era fabricado, mas também como conhecimentos técnicos, projetos industriais e tecnologias circulavam entre diferentes países.
Assim, os documentos industriais tornam-se fontes fundamentais para a história da tecnologia, da indústria e do trabalho no Brasil.
🎬 Um automóvel que também chegou ao cinema
O Romi-Isetta não ficou restrito às ruas e às fábricas.
O pequeno automóvel também apareceu no cinema brasileiro durante a década de 1950, tornando-se parte da representação da modernidade e dos novos hábitos urbanos.
Um dos exemplos é o filme “Absolutamente Certo”, de 1957, dirigido por Anselmo Duarte e com participação de artistas como Odete Lara e Dercy Gonçalves. O Romi-Isetta aparece em diferentes cenas da produção.
A presença do veículo no cinema mostra como a história de um objeto industrial também pode se conectar à cultura, à publicidade, ao entretenimento e ao imaginário social.
🏁 O Romi-Isetta também participou de corridas
Apesar de ter sido concebido como um automóvel compacto para uso urbano, o Romi-Isetta também participou de competições automobilísticas.
Uma dessas provas ocorreu em 13 de abril de 1958, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, durante a Festa de Aniversário do Centauro Moto Clube.
O evento contou com a participação de proprietários, entusiastas e pilotos amadores, demonstrando que o veículo conquistou uma comunidade própria de admiradores.
🕰️ De 1956 a 1961: uma trajetória curta, mas histórica
A produção do Romi-Isetta ocorreu entre 1956 e 1961.
Apesar de sua trajetória industrial relativamente curta, o automóvel deixou uma marca duradoura na história brasileira.
O encerramento da produção não apagou sua importância. Pelo contrário: o Romi-Isetta tornou-se um objeto de memória, preservado por colecionadores, instituições, pesquisadores e admiradores da história automobilística.
Setenta anos depois do lançamento, sua trajetória continua sendo utilizada para discutir industrialização, tecnologia, design, mobilidade, cultura e patrimônio.
🏛️ Patrimônio industrial também é patrimônio cultural
A história do Romi-Isetta permite ampliar a compreensão sobre o conceito de patrimônio.
Patrimônio cultural não está limitado a igrejas, casarões, monumentos e centros históricos. Fábricas, máquinas, documentos, projetos técnicos, veículos e memórias de trabalhadores também podem contribuir para contar a história de uma sociedade.
Nesse sentido, o Romi-Isetta pode ser compreendido como parte de um importante patrimônio relacionado à industrialização brasileira e à identidade de Santa Bárbara d’Oeste.
Preservar esse legado significa preservar também as histórias das pessoas que projetaram, fabricaram, venderam, dirigiram e mantiveram esse pequeno automóvel em circulação.
🎓 História, educação e memória
Uma exposição como essa também possui grande potencial educativo.
O Romi-Isetta pode ser utilizado como ponto de partida para discutir com estudantes temas como:
- industrialização brasileira;
- história de Santa Bárbara d’Oeste;
- história da indústria automobilística;
- urbanização e mobilidade;
- tecnologia e inovação;
- história do trabalho;
- patrimônio industrial;
- memória e preservação documental;
- relações entre Brasil e Itália;
- design e cultura material.
A exposição, portanto, pode ultrapassar a simples contemplação de um automóvel antigo e transformar-se em uma experiência de educação patrimonial e histórica.
📅 Exposição Romi-Isetta 70 anos: serviço
🚗 Evento: Exposição Romi-Isetta 70 anos!
📆 Data: 14 a 30 de agosto de 2026
📍 Local: Tivoli Shopping – Santa Bárbara d’Oeste (SP)
🕰️ Tema: 70 anos do Romi-Isetta, primeiro carro de passeio produzido em série no Brasil
🖼️ Na exposição: fotografias, documentos, informações históricas e um exemplar original do Romi-Isetta 1958.
🏛️ Realização: Fundação Romi
🤝 Patrocínio: Azimut e Romi S.A.
🤝 Apoio: Tivoli Shopping, Balmax Gestão de Serviços e Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste, por meio da Secretaria de Segurança, Trânsito e Defesa Civil.
📺 Media partners: TV TodoDia, Grupo O Liberal, FM Gold 94.7 e Brasil FM.
🌎 Uma celebração da história brasileira
A exposição Romi-Isetta 70 anos! é mais do que uma homenagem a um automóvel.
Ela representa uma oportunidade de revisitar um período em que o Brasil buscava modernização, industrialização e novas possibilidades de mobilidade, ao mesmo tempo em que cidades como Santa Bárbara d’Oeste consolidavam sua importância no cenário industrial.
O pequeno Romi-Isetta tornou-se, assim, um grande personagem da história brasileira.
Setenta anos depois de seu lançamento, ele continua despertando curiosidade, nostalgia e interesse histórico — lembrando que os objetos produzidos pela sociedade também podem contar a história de um país.
📚 Referências bibliográficas e fontes
FUNDAÇÃO ROMI. Romi-Isetta. Centro de Documentação Histórica – CEDOC. Santa Bárbara d’Oeste, SP.
FUNDAÇÃO ROMI. Fundação Romi disponibiliza Exposição Romi-Isetta para empréstimo em escolas. CEDOC, 6 fev. 2026.
FUNDAÇÃO ROMI. Preservação dos desenhos técnicos do CEDOC da Fundação Romi. Centro de Documentação Histórica – CEDOC.
FUNDAÇÃO ROMI. A Fundação – Nossa História. Santa Bárbara d’Oeste, SP.
FUNDAÇÃO ROMI. Mantenedora – Romi S.A.: história, atuação e relação com a Fundação Romi. Santa Bárbara d’Oeste, SP.
FUNDAÇÃO ROMI. Santa Bárbara d’Oeste 200 anos. Publicação histórica com registros sobre a trajetória da Romi-Isetta e da industrialização local.
FUNDAÇÃO ROMI. Relatório de Sustentabilidade 2021. Registros sobre a exposição Romi-Isetta 65 anos e a preservação de documentos técnicos.



