Recentemente, refletimos sobre o poder e o fazer do homem no campo da responsabilidade social e sobre o livre arbítrio que, como seres humanos, temos em escolher o caminho que vamos trilhar. Podemos optar em ser uma pessoa responsável socialmente, sempre preocupada com o cuidado ao meio ambiente; ou o seu reverso que nos leva a resultados catastróficos como temos, em regra, produzido quando não zelamos pela terra em que vivemos.
Por..:: Ivana M.O. Maciel
O exercício do fazer de forma responsável e um processo que nos leva a uma constante opção diária, quanto à melhor forma de construirmos uma sociedade mais justa e digna para todos. Em certos momentos o entrave coloquial entre o ser individual e ser coletivo, toma proporções enormes e nos leva a sentimentos de frustração e desesperança conosco mesmo, com o vizinho, com os políticos, dentre outros.
Acredito que todo ser humano naturalmente tem o desejo de preservar a si mesmo e consequentemente ao seu habitat, exceto quando no limite o ser tem um viver sem dignidade, caracterizada por uma vida sem educação, sem saúde, sem solidariedade e sem alegria, e desta forma é conduzindo a movimentos egoicos e destrutivos de si próprio e da sociedade.
O como fazer do homem passa a ter uma importância crescente e primordial, na modelação de cidadãos com mais responsabilidade social e planetária. Esse fazer pode ser iniciado por nós mesmos no nosso simples dia a dia, enquanto cidadãos, pais, professores, lideres de pessoas, entre outros papeis que desempenhamos. As nossas simples atitudes ao espelharem coerência entre o discurso e a prática, podem ser um excelente exemplo para todos que nos cercam.
Aprofundando nossa reflexão relembro a carta do chefe Seattle, escrita em 1854, em resposta à proposta de compras de terras de seu povo, por parte do Governo dos Estados Unidos.
“Como é que pode se comprar ou vender o céu, o calor da Terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? […]
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. […]
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontecerá com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar as suas crianças que o solo a seus pés e a cinza de nossos avôs. […] Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas, que a terra é a nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isso sabemos a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. […]”
Chamo atenção especial para a colocação do texto de que “Há uma ligação em tudo”. De forma simples o chefe da tribo confirma um dos princípios da física quântica: somos apenas UM e o que fazemos está refletido no todo.
Também, neste trecho extraímos lições sobre o desperdício provocado pelo homem em ações de destruição gratuita e desrespeito a natureza. A maior lição que destaco, porém é a forma de ser responsável em sua integralidade, seja no papel de pai, professor, pessoa, repassando novos modelos para as crianças e reforçando o respeito aos antepassados e ao planeta.
No ultimo parágrafo da carta acima é apontada a relação hierárquica da terra em relação ao homem. A ideia de limite ao poder do homem é evidenciada, não negando o poder que ele expressa através das suas habilidades no cuidado e modificação da natureza, dentro do livre arbítrio de escolher o melhor caminho para ser responsável ou não. Metaforicamente, o texto incita para a formação de um único ecossistema: o homem, incluindo todos os seres vivos, e a terra como um só.
Nessa linha, o cuidar dele mesmo é o cuidar da terra mãe e vice-versa.
Transportando o como fazer enquanto profissional, observa-se o que Ana Paula Schommer, citada no livro “Responsabilidade Social Empresarial”, organizado por Fernando Tenório da editora FGV, onde destaca e intitula as três formas básicas da atuação social empresarial:
- 1. Eticamente nas atividades produtivas (ambiente, políticas adequadas de recursos humanos, cooperação tecnológica, qualidade e gestão ambiental, maximização de insumos, apoio ao desenvolvimento de empresas locais como fornecedores e distribuidores).
- 2. Mediante investimento social, não apenas através de doações filantrópicas, mas também compartilhando capacidade técnica gerencial e técnica, desenvolvendo programas de voluntariado empresarial, adotando iniciativas de marketing social, apoiando iniciativas de desenvolvimento comunitário.
- 3. Mediante contribuição ao debate sobre políticas publicas, colaborando no desenvolvimento de políticas fiscais, educacionais, produtivas, ambientais e outras.
Concordo com as três formas identificadas por Schommer, exceto no que toca a parte do investimento social. A discordância principal é a vertente de investimento, através de doações filantrópicas, mesmo que parcialmente. Considero que a empresa deve-se abster dessas práticas, especialmente as empresas que já possuem um maior amadurecimento nos projetos de responsabilidade social.
O estimulo a projetos que tenham como principio o desenvolvimento do próprio mercado, fortalece os alicerces para ações com sustentabilidade e menos susceptíveis a fatores estanques. A filantropia pode ser melhor exercitada pelas pessoas e instituições voltadas para este fim.
O que temos que manter tanto no campo pessoal e profissional é o significado da palavra filantropia, o amor ao homem e, portanto à humanidade, em todos os nossos passos dessa caminhada, algumas vezes não tão doce, de fazer um mundo mais solidário, próspero, com educação e saúde acessíveis para todos, tendo alegria de ser um ser que sabe honrar a si mesmo e ao meio ambiente que habita.
* Ivana M.O. Maciel é economista, pós-graduada em administração financeira e marketing, mestra na área de energia com ênfase em serviços e participa do Instituto Integra, que objetiva a educação para a mulher e integração dos princípios femininos e masculinos através de desenvolvimento de projetos de geração de renda. Colunista de Plurale, colaborando com artigos sobre Sustentabilidade.
Este artigo é destaque na edição número 13 de Plurale em revista que está circulando (Envolverde/Revista Plurale)
Fonte..:: EnvolVerde



