O Gavião-real – Harpia harpyja

Ver de perto um ninho de gavião-real (Harpia harpyja) é privilégio para poucos na natureza. Sem predadores naturais, a maior águia caçadora das Américas faz seus ninhos no topo de árvores muito altas e de copas isoladas – o que dificulta qualquer aproximação.

Créditos imagem..:: Arquivo Fundação Neotrópica do Brasil

Contornando essas barreiras, a pesquisadora Marja Milano, que participa de um estudo sobre a ave, é uma das poucas privilegiadas a conseguir aproximar-se de um ninho da espécie. Ela integra um projeto da Fundação Neotrópica do Brasil, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, para mapeamento de ninhos de gavião-real com o objetivo de compreender melhor sua biologia e os desafios de sua conservação. 

Para a pesquisadora, um desses desafios é a necessidade de grandes extensões de floresta preservada para que a espécie possa viver, em um país com altos índices de desmatamento. “A harpia alimenta-se de animais de médio porte, a exemplo de macacos, tamanduás-mirins e quatis. Esses mamíferos não ocorrem na abundância necessária para garantir a alimentação das harpias em ambientes muito fragmentados e desmatados, por isso a ave necessita de áreas conservadas para sua alimentação”, explica. 

Incialmente encontrada na Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, a espécie hoje possui dificuldade para encontrar habitat nos quais possa se alimentar e criar seus filhotes com segurança. Quando encontra um local seguro para a nidificação, uma característica curiosa da espécie é reutilizar os mesmos ninhos em diferentes ciclos reprodutivos ao longo da vida: monitoramentos no Brasil indicam que um casal pode voltar ao mesmo ninho por cerca de 30 anos.

A partir desse padrão de comportamento, os pesquisadores pretendem compreender melhor a biologia e a vida da ave a partir da análise e acompanhamento de ninhos pré-selecionados. O local escolhido para esse monitoramento fica próximo ao Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, onde está localizada a maior área de floresta desse estado e onde foi registrado o ninho de harpia mais ao sul do país.

Além de buscar novos locais de nidificação e monitorar os filhotes em desenvolvimento, os pesquisadores também pretendem anilhar um deles para acompanhá-lo até sua fase adulta. Assim, poderão identificar a área de vida da ave, seu padrão de dispersão, bem com o a intensidade de uso das áreas em que ocorre. 

Os dados identificados irão auxiliar em tomadas de decisões conservacionistas, guiando, por exemplo, a forma de manejo de áreas de entorno de pontos de nidificação. Uma das aves mais desejadas no turismo de observação de aves, o gavião-real (Harpia harpyja) é classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como vulnerável à extinção.

Fonte..:: Fundação Grupo Boticário

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