📰 O lado campestre de São Vicente: natureza, qualidade de vida e potencial para o ecoturismo
Revista Beach&Co — revista do Litoral | Edição nº 132 | Junho de 2013
Destaque da capa: Copa 2014 — Guarujá de portas abertas.
Publicação: matéria de Flávia Souza, publicada nas páginas 50, 51 e 52 da revista Beach&Co, sobre a vida rural em São Vicente (SP), a biodiversidade da região e seu potencial para o desenvolvimento do ecoturismo e do turismo de base comunitária.
🌿 O lado campestre de São Vicente
Texto e Fotos: Flávia Souza
A saudável vida no campo, onde se encontram ar puro, natureza preservada, animais silvestres e alimentos cultivados pelos próprios moradores, tudo isso bem pertinho do mar. Não é o paraíso?
A vida no campo é simples. O dia começa antes mesmo do raiar do sol. A música sertaneja toca nos rádios, enquanto o cheirinho de café coado se espalha pelo ar. O galo já cantou, e os planos para o dia no sítio são muitos: plantar, colher, cuidar dos animais, pescar e preparar o almoço no fogão a lenha. No campo, a vida tem um ritmo próprio. Só que não se está no interior, e sim em pleno litoral.
Em São Vicente, é possível encontrar um cenário montanhoso, com ar puro e muito verde ao redor, formando um quadro natural de rara beleza. É nesse cenário, localizado no entorno do Núcleo Itutinga-Pilões, no Parque Estadual da Serra do Mar, que vivem centenas de famílias.
Instaladas no sítio Acaraú, elas desfrutam de algo precioso: qualidade de vida. “Estamos na cidade, mas afastados da correria, da poluição, do estresse, do barulho e das dores de cabeça, que é a vida dentro da cidade”, explica o empresário vicentino Valdenor Coelho Ferreira, que, havia um ano e meio, mantinha um sítio no local à época da reportagem.
O casal Fernando e Josenice Santos, por sua vez, vivia na região havia 15 anos. Para eles, o contato com a natureza representava uma oportunidade de renovar as energias e desfrutar da riqueza da fauna e da flora locais.

🌳 Potencial turístico da área rural
A área rural de São Vicente apresenta grande potencial para atividades de ecoturismo, embora esse segmento ainda fosse pouco explorado à época da publicação. A reportagem também destacava a ausência de planejamento público específico para o desenvolvimento turístico daquela região.
Segundo o então secretário de Esportes e Turismo de São Vicente, Alexandre Morais Rodrigues, antes de viabilizar qualquer projeto turístico, seria necessário estudar profundamente o território. Entre as questões apontadas estava a situação fundiária, para identificar quais áreas estavam sob jurisdição da prefeitura, da Fundação Florestal ou de proprietários particulares.
Para Renato Marchesini, diretor da R9 Turismo, o desenvolvimento de projetos para a região dependia do envolvimento articulado dos setores público e privado e da própria comunidade. Segundo ele, havia diversas atrações e possibilidades de experiências turísticas a serem estruturadas.
“No local, podemos trabalhar com atividades de caminhadas ecológicas, estudo do meio, mountain bike, passeios a cavalo e charrete. São muitas as opções”, afirmou Marchesini na reportagem.
O profissional também destacou a possibilidade de desenvolver o turismo de base comunitária, permitindo que os moradores obtivessem renda por meio da recepção de visitantes e, simultaneamente, atuassem como agentes de preservação ambiental.
Para que o potencial turístico se convertesse em benefícios para o município e para as comunidades locais, Marchesini ressaltou a necessidade de medidas como:
- criação e organização de roteiros turísticos;
- elaboração de diagnóstico turístico, ambiental, social e econômico;
- estabelecimento de parcerias entre órgãos públicos, empresas e comunidades;
- cooperação com universidades da região;
- contratação de empresas e profissionais habilitados para realizar levantamentos técnicos;
- valorização da participação dos moradores no planejamento e na execução das atividades.
Essas propostas evidenciavam a importância do planejamento como etapa fundamental para transformar os recursos naturais e culturais da região em experiências turísticas organizadas, responsáveis e capazes de gerar benefícios locais.

🏡 A vida no sítio e a relação com a natureza
A reportagem também apresentava relatos de moradores que mantinham vínculos com a área rural, mesmo trabalhando ou vivendo parte da semana na cidade. O contato com a natureza, a tranquilidade e a possibilidade de desfrutar da fauna e da flora eram apontados como elementos importantes da qualidade de vida.
Entretanto, a proximidade com ambientes naturais também envolvia desafios. A matéria relatava episódios de ataques de animais silvestres a animais domésticos e acidentes com serpentes, mostrando que a convivência com a natureza exigia cuidados e respeito aos limites da vida selvagem.
Glória dos Santos Araújo, moradora do Acaraú havia 27 anos na época da publicação, relatou encontros com animais silvestres, incluindo jaguatiricas. A diversidade de espécies fazia parte da experiência cotidiana de quem vivia naquela região.
Esses relatos revelam uma realidade em que a conservação ambiental, a segurança dos moradores e a convivência responsável com a fauna precisam caminhar juntas.
🐦 Biodiversidade e riqueza ambiental do Acaraú
Além dos relatos sobre onças e serpentes, a matéria mencionava a presença de diferentes animais na região, como porco-espinho, lagarto, esquilo, paca, tatu, gambá e capivara. Também havia referências a macacos, incluindo macaco-prego e bugio.
Entre as aves observadas, destacavam-se a saíra-de-sete-cores, o sanhaço-azul, o tiê-sangue, o guaçó, o sabiá-laranjeira e diferentes espécies de tucanos.
A presença dessa biodiversidade reforça o potencial da região para atividades de observação de aves, interpretação ambiental, caminhadas ecológicas e educação ambiental, desde que planejadas com critérios técnicos, respeito à fauna e minimização dos impactos sobre os ecossistemas.
A valorização desse patrimônio natural pode contribuir para ampliar as oportunidades de visitação responsável e fortalecer a conscientização sobre a importância da conservação da Mata Atlântica.

🍊 Agricultura de subsistência e saberes tradicionais
Outro aspecto abordado pela reportagem era a agricultura de subsistência. Nos quintais e sítios, os moradores cultivavam frutas como limão, laranja, mexerica, goiaba, abacate, banana, abacaxi e pinha, além de legumes, verduras e ervas aromáticas.
Glória compartilhava conhecimentos tradicionais sobre o cultivo de plantas e o uso de recursos naturais, demonstrando a relação entre os saberes transmitidos entre gerações e a vida cotidiana no campo.
Esses conhecimentos constituem parte importante do patrimônio cultural das comunidades rurais e podem contribuir para experiências de turismo rural e de base comunitária, desde que os moradores participem das decisões e sejam reconhecidos como protagonistas das atividades.
A reportagem também destacava a presença de córregos e pequenas quedas-d’água nos sítios, compondo a paisagem e contribuindo para a percepção de tranquilidade e contato direto com a natureza.
📸 Registros fotográficos da reportagem
Página 50: cachoeira em meio à vegetação, ilustrando a paisagem natural da área rural de São Vicente.
Página 51: animais presentes na região, relatos sobre a convivência com a fauna silvestre e a fotografia de José Tadeu apresentando sua plantação de café.
Página 52: registros da vegetação, das aves, dos animais domésticos e dos moradores, incluindo a legenda “Valdemar Coelho e Antonio Carlos e a tranquilidade da vida em São Vicente”.
Crédito fotográfico da matéria original: Flávia Souza.
🧭 Renato Marchesini e o planejamento do turismo sustentável
A participação de Renato Marchesini, então diretor da R9 Turismo, na reportagem evidencia sua atuação na discussão sobre o potencial turístico da área rural de São Vicente e sobre a necessidade de estruturar projetos com planejamento, participação comunitária e responsabilidade ambiental.
Sua contribuição destacou que a existência de atrativos naturais, por si só, não garante o desenvolvimento turístico. É necessário realizar diagnósticos, organizar roteiros, identificar as condições de acesso e uso do território, qualificar os serviços e estabelecer parcerias entre poder público, iniciativa privada, instituições de ensino e comunidades locais.
A proposta de integrar caminhadas ecológicas, estudos do meio, passeios e atividades de turismo de base comunitária também aponta para a possibilidade de diversificar a oferta turística da Baixada Santista, valorizando áreas que vão além das praias e dos atrativos urbanos tradicionais.
O princípio central é que o turismo deve gerar oportunidades para as comunidades, contribuir para a conservação ambiental e respeitar as características sociais, culturais e territoriais de cada localidade.
📚 Referência da publicação
SOUZA, Flávia. O lado campestre de São Vicente. Beach&Co — revista do Litoral, edição nº 132, junho de 2013, p. 50–52. Matéria sobre a área rural de São Vicente, a biodiversidade do entorno do Núcleo Itutinga-Pilões e o potencial para o desenvolvimento do ecoturismo.
Nota editorial: o texto acima foi reorganizado para publicação digital, preservando as informações centrais da matéria fornecida. Os relatos e as declarações atribuídos aos entrevistados referem-se ao contexto da publicação original, de junho de 2013.
🌱 Projetos de turismo comunitário e sustentável
Para projetos de turismo comunitário, planejamento de roteiros e consultoria especializada, entre em contato com Renato Marchesini, da R9 Gestão Cultural, Ambiental e Turística — R9 Turismo.
Site: https://r9turismo.com
E-mail: contato@r9turismo.com
💬 Espaço do Leitor:
🔰 Você acredita que o turismo rural e de base comunitária pode contribuir para valorizar a biodiversidade, preservar os saberes tradicionais e gerar oportunidades de renda para os moradores da área rural de São Vicente? Compartilhe sua opinião! 🔰

Fonte..:: Revista Beach & Co, Julho de 2013, nª 122.
Para Projetos e Roteiros Turísticos / WWW.R9TURISMO.COM


