Opiliões: Conheça os fascinantes aracnídeos de oito pernas que são inofensivos e essenciais para o equilíbrio da natureza

Os opiliões são aracnídeos fascinantes e pouco conhecidos pela população. Frequentemente confundidos com aranhas devido às suas longas pernas, esses invertebrados pertencem à ordem Opiliones, considerada a terceira maior em diversidade da Classe Arachnida, reunindo atualmente mais de 6.700 espécies descritas no mundo, número que continua crescendo com a descoberta de novas espécies. Apesar da aparência curiosa, os opiliões são totalmente inofensivos para os seres humanos, desempenhando importante papel ecológico na ciclagem de nutrientes e no controle de pequenos invertebrados.

Por ..:: Renato Marchesini: Biólogo com Pós Graduação em Zoologia e Mestre em Ciências.

🔬 Classificação científica

Os opiliões pertencem à seguinte classificação biológica:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Arthropoda
  • Subfilo: Chelicerata
  • Classe: Arachnida
  • Ordem: Opiliones

A ordem Opiliones foi estabelecida pelo naturalista sueco Carl Jakob Sundevall, em 1833, com base no gênero Opilio, descrito anteriormente por Johann Friedrich Herbst, em 1798.

O termo latino Opilio significa “pastor de ovelhas”, uma referência ao curioso comportamento desses animais de movimentarem constantemente o segundo par de pernas, lembrando um pastor examinando seu rebanho.

No Brasil, recebem diversos nomes populares, como:

  • aranha-alho;
  • aranha-bode;
  • aranha-cafofa;
  • aranha-de-chão;
  • bodum;
  • fede-fede;
  • giramundo;
  • temenjoá;
  • tabijuá.

Embora muitos nomes incluam a palavra “aranha”, os opiliões não são aranhas.


🕸️ Opiliões não são aranhas

Apesar da semelhança superficial, existem diferenças marcantes entre opiliões e aranhas.

A principal delas está no formato do corpo.

Nos opiliões, o prossoma e o opistossoma encontram-se completamente fundidos, formando um corpo ovalado, sem a “cintura” característica observada nas aranhas.

Além disso, eles:

  • não produzem seda;
  • não constroem teias;
  • não possuem glândulas de veneno;
  • não oferecem risco à saúde humana.

Essas características fazem dos opiliões um grupo bastante distinto dentro dos aracnídeos.


🔎 Morfologia

Uma das características mais marcantes dos opiliões são suas pernas extremamente longas, muitas vezes várias vezes maiores que o próprio corpo.

Seu corpo apresenta:

  • um par de olhos simples localizados sobre uma pequena elevação dorsal;
  • glândulas odoríferas laterais responsáveis pela produção de substâncias defensivas;
  • quatro pares de pernas locomotoras;
  • um par de quelíceras;
  • um par de pedipalpos.

Os machos possuem um pênis verdadeiro, enquanto as fêmeas apresentam ovipositor, característica rara entre os aracnídeos.


👣 As pernas funcionam como verdadeiras antenas

O segundo par de pernas possui uma função muito especial.

Ao contrário das demais, ele é utilizado principalmente para:

  • explorar o ambiente;
  • localizar alimento;
  • perceber vibrações;
  • identificar obstáculos;
  • detectar possíveis predadores.

Por essa razão, essas pernas recebem o nome de patas anteniformes, funcionando de maneira semelhante às antenas dos insetos.


🌎 Distribuição geográfica

Os opiliões estão distribuídos praticamente por todo o planeta.

São encontrados:

  • nas florestas tropicais;
  • nas matas temperadas;
  • no Cerrado brasileiro;
  • nas savanas da Venezuela;
  • no Chaco argentino-boliviano;
  • nos Andes;
  • no Himalaia;
  • em cavernas;
  • em áreas montanhosas.

No Brasil, apresentam elevada diversidade, especialmente nos remanescentes da Mata Atlântica, um dos principais centros mundiais de endemismo para esse grupo.


🌿 Habitat

Esses animais preferem ambientes úmidos e protegidos da luz solar direta.

Podem ser encontrados:

  • sob pedras;
  • sob troncos caídos;
  • entre folhas em decomposição;
  • sobre musgos;
  • em bromélias;
  • em ocos de árvores;
  • em cavernas;
  • sob cascas de árvores;
  • na serapilheira das florestas.

Sua presença costuma indicar ambientes relativamente preservados.


🍽️ Alimentação

Os opiliões apresentam dieta bastante diversificada.

Dependendo da espécie, podem alimentar-se de:

  • pequenos insetos;
  • larvas;
  • ácaros;
  • minhocas;
  • pequenos moluscos;
  • outros artrópodes mortos;
  • fungos;
  • frutos em decomposição;
  • matéria orgânica vegetal.

A maioria das espécies possui alimentação onívora, contribuindo tanto para o controle de populações de pequenos invertebrados quanto para a decomposição da matéria orgânica.

Diferentemente das aranhas e escorpiões, os opiliões conseguem ingerir partículas sólidas, sem necessidade de liquefazer previamente o alimento.


🌙 Comportamento

A maior parte das espécies possui hábitos predominantemente noturnos, permanecendo escondidas durante o dia.

Em diversas regiões do Brasil, é comum observar grandes agrupamentos de dezenas ou até centenas de indivíduos compartilhando o mesmo abrigo durante o período diurno.

Esse comportamento reduz a perda de água, melhora a proteção contra predadores e ajuda na manutenção da umidade corporal.


🛡️ Estratégias de defesa

Embora sejam totalmente inofensivos, os opiliões desenvolveram diversas estratégias para escapar dos predadores.

Entre elas destacam-se:

  • produção de secreções com odor forte pelas glândulas odoríferas;
  • permanência imóvel, simulando morte (tanatose);
  • camuflagem;
  • fuga rápida utilizando as longas pernas;
  • autotomia, ou seja, desprendimento voluntário de uma das pernas.

Mesmo separada do corpo, a perna continua realizando movimentos automáticos durante vários minutos devido à existência de centros nervosos locais que continuam estimulando sua musculatura. Esse comportamento ajuda a distrair o predador enquanto o animal foge.


⚠️ Os opiliões oferecem risco?

Não.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam:

  • não possuem veneno;
  • não picam;
  • não transmitem doenças;
  • não atacam pessoas;
  • não apresentam importância médica.

Em situações extremas, podem apenas realizar um leve beliscão utilizando as quelíceras, sem consequências significativas para os seres humanos.

Sua fama de perigosos é apenas um mito popular.


🌱 Importância ecológica

Os opiliões desempenham funções fundamentais nos ecossistemas.

Entre suas contribuições destacam-se:

  • controle natural de pequenos invertebrados;
  • reciclagem de matéria orgânica;
  • participação na cadeia alimentar;
  • dispersão indireta de nutrientes;
  • manutenção do equilíbrio ecológico das florestas.

Além disso, são considerados excelentes bioindicadores ambientais, pois muitas espécies são extremamente sensíveis às alterações no habitat, especialmente ao desmatamento e à perda de umidade.


🔬 Curiosidades

  • Existem atualmente mais de 6.700 espécies descritas no mundo.
  • Algumas espécies possuem pernas até 20 vezes maiores que o comprimento do corpo.
  • Muitas espécies são endêmicas da Mata Atlântica brasileira.
  • Não produzem teias.
  • Não possuem glândulas de veneno.
  • Algumas espécies vivem exclusivamente em cavernas, apresentando adaptações evolutivas como redução dos olhos e despigmentação.

📚 Referências científicas

  • Kury, A. B. (Museu Nacional/UFRJ). Catálogo Mundial de Opiliones.
  • Pinto-da-Rocha, R.; Machado, G.; Giribet, G. Harvestmen: The Biology of Opiliones. Harvard University Press.
  • Machado, G.; Pinto-da-Rocha, R. Ecologia e comportamento dos Opiliones brasileiros.
  • Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ).
  • Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
  • Instituto Butantan.
  • Encyclopedia of Life (EOL).
  • World Catalogue of Opiliones.
  • International Society of Arachnology.
  • IUCN – International Union for Conservation of Nature.

💬 Espaço do Leitor: 🔰 Você já encontrou um opilião durante uma caminhada na natureza? Sabia que esse aracnídeo é totalmente inofensivo e desempenha um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas? Conte sua experiência nos comentários! 🔰

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