Ônibus de São Paulo para Santos: A História do Antológico King Kong, o Thornycroft da CGT

🚌 Antes da expansão das modernas rodovias e do transporte rodoviário de passageiros, a ligação entre São Paulo e Santos dependia principalmente da ferrovia. No entanto, durante determinado período, um curioso serviço de ônibus também participou dessa história: o Thornycroft conhecido como “King Kong”, equipado com carroceria brasileira produzida pela Grassi e operado pela Companhia Geral de Transportes (CGT).

Por ..:: Renato Marchesini: Historiador com Pós-Graduações em História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio e Mestre em Ciências.

Thornycroft “King Kong”, Companhia Geral de Transportes, São Paulo Railway e história do transporte rodoviário entre São Paulo e Santos.


🚂 A CGT e a São Paulo Railway

A Companhia Geral de Transportes (CGT) estava relacionada à estrutura da São Paulo Railway (SPR), empresa responsável pela ligação ferroviária entre Santos e Jundiaí.

A presença de uma empresa de ônibus vinculada ao universo da SPR revela um aspecto curioso da história dos transportes paulistas: a mesma estrutura empresarial que atuava no transporte ferroviário também participou do transporte rodoviário de passageiros.

Durante determinado período, os ônibus da CGT representaram uma alternativa importante para a ligação entre São Paulo e o Porto de Santos.


🚌 O Thornycroft “King Kong”

Entre os veículos utilizados estava o Thornycroft conhecido como “King Kong”.

O chassi era de origem britânica, enquanto a carroceria havia sido produzida no Brasil pela tradicional Grassi, empresa que teve grande importância no desenvolvimento da indústria brasileira de carrocerias para ônibus.

O veículo tornou-se uma peça emblemática da história do transporte rodoviário paulista.

Sua aparência imponente e suas dimensões fizeram com que recebesse o apelido de “King Kong”, nome pelo qual ficou conhecido entre os admiradores da história dos transportes.


🛣️ Uma alternativa rápida entre São Paulo e Santos

Em determinado período de sua operação, esses ônibus chegaram a proporcionar uma das mais rápidas ligações rodoviárias entre São Paulo e Santos.

É importante lembrar que as condições das estradas eram muito diferentes das atuais.

A infraestrutura rodoviária ainda estava em desenvolvimento, e a ligação entre o planalto e o litoral apresentava grandes desafios, especialmente por causa da Serra do Mar.

Mesmo assim, o transporte rodoviário começava a ganhar espaço e a complementar as opções oferecidas pela ferrovia.


⛰️ A ligação entre o planalto e o litoral

A conexão São Paulo–Santos sempre esteve diretamente relacionada à necessidade de vencer o desnível da Serra do Mar.

Durante décadas, a ferrovia da São Paulo Railway foi a principal responsável por realizar essa ligação de maneira regular e eficiente.

A presença dos ônibus da CGT demonstra uma etapa posterior dessa evolução: o transporte rodoviário começava a disputar espaço com o ferroviário.

Esse processo seria cada vez mais importante ao longo do século XX, especialmente com a expansão das rodovias paulistas e o crescimento do transporte individual e coletivo por estrada.


🔧 Dois ônibus que acabaram formando um só

A história do “King Kong” também é marcada por uma verdadeira aventura de preservação.

Segundo o relato utilizado como fonte, dois exemplares desse tipo de ônibus foram localizados em condições bastante precárias.

Os veículos estavam deteriorados e, para recuperar um exemplar, partes dos dois acabaram sendo aproveitadas.

Em outras palavras, os dois veículos foram “canibalizados” para possibilitar a reconstrução de uma única unidade.

Esse processo, embora pouco convencional, acabou contribuindo para preservar pelo menos parte da memória material desses antigos ônibus.


🏚️ O achado em um armazém ferroviário

Os veículos foram encontrados abandonados em um armazém ferroviário na região da Presidente Wilson, em São Paulo.

O local guardava também outros veículos e peças antigas relacionadas à história dos transportes.

O achado é especialmente significativo porque demonstra como objetos importantes para a história do transporte brasileiro muitas vezes sobreviveram durante décadas sem receber reconhecimento ou proteção patrimonial.

Em situações como essa, a ação de colecionadores e pesquisadores pode ser decisiva para impedir que peças históricas desapareçam completamente.


🛠️ A restauração do “King Kong”

Depois de localizado, o ônibus passou por um processo de restauração.

A recuperação permitiu reconstruir parte de suas características originais e devolver ao veículo uma aparência próxima daquela que possuía durante o período em que esteve em operação.

O exemplar restaurado tornou-se, assim, uma importante peça da memória do transporte rodoviário brasileiro.

Além de seu valor como veículo histórico, o “King Kong” representa uma época de transição em que ferrovias e ônibus coexistiam na formação da infraestrutura de transporte paulista.


🏛️ Uma peça rara da história dos transportes

A sobrevivência desse Thornycroft é particularmente importante porque poucos veículos daquele período chegaram preservados até os dias atuais.

Ônibus antigos frequentemente foram retirados de circulação, desmontados, modificados ou simplesmente abandonados após décadas de uso.

Por isso, cada exemplar preservado pode ajudar pesquisadores a compreender aspectos relacionados à tecnologia, indústria, transporte, urbanização e mobilidade.

O “King Kong” é, nesse sentido, mais do que um ônibus antigo: é um documento histórico sobre a evolução dos transportes em São Paulo.


📜 Ferrovias e rodovias: uma história conectada

A trajetória do “King Kong” também ajuda a compreender que a história dos transportes não pode ser dividida rigidamente entre ferrovia e rodovia.

Durante o século XX, os diferentes sistemas de transporte se complementaram, competiram e, em alguns casos, estiveram sob estruturas empresariais relacionadas.

No caso da ligação São Paulo–Santos, essa transformação foi particularmente importante.

A antiga São Paulo Railway havia criado uma conexão ferroviária estratégica entre o planalto e o litoral. Posteriormente, o crescimento das rodovias e dos ônibus modificou progressivamente a maneira como passageiros e mercadorias circulavam pela região.


🚌 O “King Kong” como patrimônio da mobilidade

A história do Thornycroft da CGT permite olhar para o passado por uma perspectiva diferente.

Não se trata apenas da história de um veículo, mas de uma etapa da evolução da mobilidade paulista.

O ônibus representa a expansão do transporte rodoviário, a participação da indústria brasileira na fabricação de carrocerias e a transformação das relações entre São Paulo, Santos e o Porto de Santos.

Sua preservação contribui para manter viva a memória de motoristas, cobradores, passageiros, mecânicos, fabricantes e empresas que participaram dessa história.


🕰️ Uma viagem pela história

Do transporte ferroviário da São Paulo Railway ao desenvolvimento das linhas rodoviárias, a ligação entre São Paulo e Santos passou por profundas transformações.

O Thornycroft “King Kong”, com carroceria Grassi e operado pela CGT, é uma testemunha material desse período.

Resgatado de um antigo armazém e reconstruído a partir de peças de dois veículos, o exemplar sobrevivente permite imaginar como eram as viagens entre o planalto e o litoral em uma época em que cada deslocamento pela Serra do Mar representava uma verdadeira aventura tecnológica e logística.


💬 Espaço do Leitor: 🔰 Você já conhecia a história do ônibus Thornycroft “King Kong”? Na sua opinião, veículos antigos como esse deveriam receber maior proteção e divulgação como patrimônio histórico dos transportes de São Paulo e da Baixada Santista? 🔰

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