Coruja-buraqueira curtindo a Praia: Um encontro com a natureza em Barra do Una, Peruíbe SP

ntre a vegetação litorânea e o horizonte da praia de Barra do Una, em Peruíbe/SP, um pequeno olhar atento chamou a atenção durante uma experiência de contato com a natureza. Uma coruja-buraqueira foi registrada observando tranquilamente a paisagem, proporcionando um daqueles encontros que transformam uma caminhada em uma experiência inesquecível de ecoturismo.

Por ..:: Renato Marchesini / Bacharel em Turismo, Biólogo, com Pós-Graduação em Ecoturismo, Gestão Pública, Guia de Ecoturismo e Mestre em Ciências.

Foto de ..:: Renato Marchesini

🦉 Uma coruja observando o horizonte

Esta graciosa coruja-buraqueira (Athene cunicularia) foi fotografada enquanto observava o horizonte a partir da vegetação próxima à praia de Barra do Una, em Peruíbe/SP.

Pequena, atenta e cheia de personalidade, a coruja-buraqueira é uma das espécies de corujas mais conhecidas do Brasil e pode ser encontrada em diferentes ambientes abertos.

O encontro com uma ave como essa, em um ambiente costeiro, mostra como a fauna está presente mesmo em paisagens que muitas vezes enxergamos apenas como espaços de lazer.


🌿 Quem é a coruja-buraqueira?

A coruja-buraqueira, cientificamente denominada Athene cunicularia, pertence à família Strigidae.

Uma de suas características mais marcantes é o comportamento associado à utilização de tocas no solo, onde pode se abrigar e criar seus filhotes.

Diferentemente de muitas outras corujas, que estão fortemente associadas às árvores, a coruja-buraqueira apresenta hábitos predominantemente terrestres.

Por isso, pode ser observada em campos, áreas abertas, pastagens, restingas, terrenos modificados e outros ambientes com características favoráveis à sua sobrevivência.


🏡 Por que ela é chamada de “buraqueira”?

O nome popular está relacionado justamente ao hábito de utilizar tocas e cavidades no solo.

Esses abrigos podem oferecer proteção contra condições ambientais e predadores, além de servirem como locais importantes para reprodução.

Em algumas situações, as corujas podem ocupar tocas construídas ou abandonadas por outros animais.

Isso demonstra como diferentes espécies podem estar conectadas dentro de uma mesma comunidade ecológica.


👀 Uma excelente observadora

Quem já encontrou uma coruja-buraqueira provavelmente percebeu uma de suas características mais marcantes: a atenção constante ao ambiente.

Ela pode permanecer imóvel durante longos períodos, observando o que acontece ao redor.

Seus olhos e sua postura corporal parecem acompanhar cada movimento.

Foi justamente essa característica que tornou a fotografia de Barra do Una tão especial.

Por alguns instantes, a coruja simplesmente permaneceu ali, observando a paisagem e o movimento ao seu redor.


🏖️ Coruja-buraqueira na praia?

Encontrar uma coruja em uma área costeira pode surpreender quem imagina que essas aves vivem exclusivamente em ambientes rurais.

Entretanto, a espécie apresenta capacidade de ocupar diferentes ambientes abertos.

Em áreas litorâneas, a presença de vegetação de restinga e espaços com solo adequado para abrigo pode oferecer condições importantes para a ocorrência da espécie.

Isso reforça uma importante mensagem:

Praias e áreas costeiras não são apenas espaços de recreação humana — são também habitats de inúmeras espécies.


🌊 Barra do Una: onde a Mata Atlântica encontra o mar

Barra do Una, em Peruíbe, está inserida em uma região de grande relevância ambiental.

A paisagem costeira reúne elementos associados à Mata Atlântica, ambientes de restinga, rios, praias e outros ecossistemas, criando condições para uma rica diversidade de espécies.

Esse mosaico ambiental faz com que uma simples caminhada possa proporcionar encontros surpreendentes.

Um pássaro.

Um réptil.

Um mamífero.

Uma borboleta.

Ou, como neste caso, uma coruja observando tranquilamente a paisagem.


🌳 Ecoturismo: entrar na natureza com respeito

Existe uma frase que resume muito bem a experiência de observar animais em ambientes naturais:

“Estamos sempre pedindo licença para adentrar o ambiente de nossos amigos animais.”

Essa ideia representa uma das atitudes mais importantes do ecoturismo.

Quando caminhamos por uma floresta, restinga, manguezal, praia ou outro ambiente natural, somos visitantes.

O território já possui seus moradores.

A coruja estava ali antes da nossa chegada.

A vegetação já existia.

Os animais já utilizavam aquele espaço.

Por isso, cabe ao visitante adaptar seu comportamento ao ambiente.


📸 Fotografar sem perturbar

A fotografia de natureza pode ser uma poderosa ferramenta de sensibilização ambiental.

Uma boa imagem pode despertar curiosidade, incentivar pesquisas e aproximar pessoas da biodiversidade.

Mas existe uma condição fundamental:

o registro fotográfico não deve causar estresse ou alteração no comportamento do animal.

Não é necessário perseguir uma ave, aproximar-se excessivamente, fazer barulho ou tentar atraí-la para conseguir uma fotografia.

A melhor fotografia é aquela que preserva a experiência sem interferir na vida do animal.


🚫 Não alimente e não manipule a fauna

Ao encontrar uma coruja-buraqueira ou qualquer outro animal silvestre, não ofereça alimento, não tente tocar e não manipule o indivíduo.

Também é importante evitar a aproximação de ninhos e tocas.

Essas atitudes podem causar estresse, alterar comportamentos naturais e até colocar o animal em risco.

Observar à distância é uma das formas mais bonitas de respeitar a natureza.


🧭 O ecoturismo como experiência de aprendizagem

Um encontro como esse pode transformar um passeio em uma verdadeira experiência de educação ambiental.

Ao observar a coruja-buraqueira, podemos conversar sobre:

  • biodiversidade;
  • comportamento das aves;
  • hábitos alimentares;
  • reprodução;
  • relações ecológicas;
  • conservação de habitats;
  • importância da restinga;
  • Mata Atlântica;
  • turismo responsável;
  • fotografia de natureza.

Dessa maneira, a experiência deixa de ser apenas contemplativa.

Passa a ser também educativa.


🌱 Preservar o habitat é proteger a espécie

Proteger a coruja-buraqueira não significa apenas proteger a própria ave.

É necessário preservar também os ambientes dos quais ela depende.

Isso inclui vegetação, áreas abertas, locais de abrigo, disponibilidade de alimento e condições ambientais adequadas.

Quando degradamos um ambiente natural, não eliminamos apenas árvores ou plantas.

Podemos também eliminar os espaços necessários para que diferentes espécies encontrem alimento, abrigo e locais para reprodução.


❤️ Os pequenos encontros que fazem o ecoturismo valer a pena

Existem momentos que não podem ser planejados.

Você caminha.

Observa.

Escuta.

E, de repente, encontra um animal olhando para você.

Foi exatamente esse tipo de experiência que tornou especial o registro da coruja-buraqueira em Barra do Una.

É nesses pequenos encontros que percebemos que o ecoturismo não é apenas visitar lugares bonitos.

É estabelecer uma relação diferente com o ambiente.

É aprender a observar.

É respeitar.

É compreender.

E, principalmente, é reconhecer que não estamos sozinhos na paisagem.


🦉 Um convite para olhar com mais atenção

Na próxima vez que estiver em uma praia, trilha ou área natural, experimente diminuir o ritmo.

Olhe para a vegetação.

Observe o céu.

Preste atenção aos sons.

Procure movimentos entre as folhas.

Talvez você descubra que existe muito mais vida ao seu redor do que imaginava.

A natureza está constantemente contando histórias. Precisamos apenas aprender a observá-las.


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💬 Espaço do Leitor: 🔰 Você já encontrou uma coruja-buraqueira durante uma caminhada, passeio ou visita à praia? Como foi esse encontro com a natureza? 🔰

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