A Maior Coxinha do Brasil: Coxinha é de Cubatão SP, mas parece de Itu SP

A coxinha é um dos salgados mais populares do Brasil e tem lugar cativo nas prateleiras de bares, cantinas e lanchonetes. Feita basicamente de uma massa de farinha de trigo recheada com frango desfiado, a iguaria é a alegria da criançada nas festas de aniversário. Muitas vezes, o almoço do office-boy é o tira-gosto dos botequeiros.

Por..:: Thiago Macedo

Mas, em Cubatão, o tradicional quitute cresceu e fugiu dos padrões mais comuns, se transformando na super coxinha. O salgado com proporções superlativas pode ser encontrado na Lanchonete Rosa de Saron, na Avenida Principal, 1.784, na Vila Esperança, uma tumultuada via do bairro onde carros, caminhões, ônibus, bicicletas, pedestres, gatos e cachorros disputam palmo a palmo um espaço para trafegar.

Nas imediações, não há quem desconheça a guloseima, que, sem exagerar, é um verdadeiro almoço. O proprietário da lanchonete é o baiano Antônio Evangelista Matos, mas é melhor chamá-lo de Passarinho, como é conhecido. Originalmente, Passarinho, de 56 anos, é mestre de obras, mas deixou o ofício há cerca de 10 anos, quando percebeu que a lanchonete que havia montado engrenou e gerava a renda suficiente para manter a mulher e os filhos.

Com espírito empreendedor, não teve modéstia e tratou logo de divulgar a sua coxinha. O toldo onde está o nome da lanchonete ostenta a frase: “A maior coxinha do Brasil”. Enquanto Passarinho não for contestado, ele pode carregar o título tranquilamente.

A ideia de fazer um salgado tão grande, que só de frango tem aproximadamente 300 gramas, é para evitar um problema típico de comerciante. “Fiz desse tamanho para o cliente não reclamar”.

Na sua lanchonete, ele vende coxinhas, refrigerantes, rissoles (também maior do que o convencional), espetinhos de frango e sucos. Nada de bebidas alcoólicas. A decisão de não vender a cervejinha ou a cachaça não tem relação com o gosto do proprietário.

“Eu bebo uma cervejinha. Mas é melhor evitar vender bebidas (alcoólicas) porque aqui vem muitas famílias e alguém pode incomodar”. Ele refere-se às pessoas que, depois de alguns goles, se tornam inconvenientes.

Passarinho nasceu em Ribeira do Pombal, cidade do interior da Bahia. Aos 11 anos saiu de casa e veio só para São Paulo viver com a irmã, que já morava em São Miguel Paulista. Na adolescência, viveu de pequenos bicos como camelô, em frigoríficos e vendendo salgados no trem, talvez já prevendo o seu futuro.

Na maioridade, assim como milhares de conterrâneos, foi trabalhar no Polo Industrial de Cubatão, Primeiro se alojou na Alemoa, em Santos. Depois foi para a Cota 200, em Cubatão. Começou como ajudante, virou pedreiro e chegou a mestre de obras. Não teve vida fácil. Sempre trabalhou para “nunca ter de pegar nada de ninguém”.

Passarinho se casou duas vezes. Com a primeira mulher, teve dois filhos. Depois, com a segunda, a pernambucana, dona Rosilda, teve outros três. E foi com ela que descobriu que poderia viver sendo o seu próprio patrão.

Dona Rosilda é a responsável pela fabricação dos salgados. Cozinheira profissional, trabalhou em várias empresas de alimentação e buffets. Até que deixou tudo para virar comerciante com o marido.

É ela quem sabe quais o ingredientes necessários para produzir as cerca de 150 coxinhas, 50 rissoles, 30 espetinhos e 60 maravilhas vendidas diariamente por R$ 2,50 cada. São 100 quilos de farinha e outros 160 quilos de peito de frango por semana.

Passarinho não quer saber mais de voltar para a indústria. Ele ainda não está aposentado. “Ninguém se aposenta mais nesse Brasil”. Está feliz com o trabalho que tem. É um comerciante. Um empreendedor que, ainda por cima, pode dizer que tem a maior coxinha do Brasil.

Fonte..:: Jornal A Tribuna

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