A preservação dos estuários e manguezais é essencial para a manutenção da biodiversidade, da pesca artesanal, do turismo e da qualidade de vida da população. No entanto, um grave problema ambiental tem chamado a atenção na Baixada Santista: o lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em corpos d’água que deságuam no estuário entre Praia Grande e São Vicente, colocando em risco um dos ecossistemas mais importantes do litoral paulista.
Por ..:: Renato Marchesini / Biólogo, com pós-graduação em Zoologia e Mestre em Ciências
O local é o 1canal a esquerda do local conhecido como Portinho da Praia Grande. Veja no Google Maps – AQUI
Durante nossas remadas pelos rios, canais, estuários e manguezais da Baixada Santista, especialmente na região do Portinho de Praia Grande, observamos um canal que deságua diretamente no estuário, emitindo forte odor característico de esgoto doméstico, indicando um possível comprometimento da qualidade ambiental da região.
🚣 A constatação durante as expedições
Ao longo das atividades de observação da natureza e monitoramento ambiental realizadas na região, tornou-se evidente a presença de um curso d’água com coloração alterada e odor intenso, compatível com o lançamento de esgoto doméstico in natura.
Diante da situação, decidiu-se formalizar uma denúncia junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB).
📋 A denúncia encaminhada à CETESB
No dia 24 de janeiro, foi registrado junto à CETESB o Processo nº 135666, solicitando a apuração da origem da poluição observada.
Em 30 de janeiro, a resposta do órgão ambiental confirmou que o material lançado no canal correspondia a esgoto doméstico sem tratamento, proveniente de bairros do município de Praia Grande (SP).
Após essa constatação, a CETESB orientou que a situação fosse encaminhada à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
🏢 Atendimento na Sabesp
No dia 7 de fevereiro, foi realizada uma visita à unidade da Sabesp em Praia Grande para buscar esclarecimentos sobre o problema.
Durante o atendimento, foi informado verbalmente que:
- a região localizada no lado serra da rodovia, em Praia Grande, ainda não possuía sistema de tratamento de esgoto;
- o problema se estenderia até o município de Mongaguá;
- não havia previsão para implantação da infraestrutura necessária ou solução definitiva para o descarte de esgoto sem tratamento;
- não foi fornecido protocolo ou comprovante formal da visita realizada.
Essas informações reforçam a necessidade de maior transparência e investimentos em saneamento básico na região.
🌿 Os impactos ambientais do esgoto sem tratamento
O lançamento de esgoto doméstico in natura provoca diversos impactos ambientais e sociais.
Entre eles destacam-se:
- contaminação da água dos estuários e canais;
- degradação dos manguezais, considerados o “berçário” da vida marinha;
- redução da biodiversidade;
- mortalidade de peixes, crustáceos e moluscos;
- proliferação de microrganismos patogênicos;
- comprometimento da pesca artesanal;
- risco à saúde pública;
- prejuízos ao turismo e às atividades recreativas;
- contaminação das praias próximas.
Além dos danos ambientais, o esgoto sem tratamento compromete diretamente a qualidade de vida da população que vive e frequenta essas áreas.
🦀 O manguezal merece proteção
Os manguezais da Baixada Santista pertencem ao Bioma Mata Atlântica e são protegidos pela legislação ambiental brasileira.
Esses ecossistemas desempenham funções fundamentais:
- servem como berçário para inúmeras espécies marinhas;
- protegem a linha costeira contra processos erosivos;
- filtram sedimentos e poluentes;
- armazenam grandes quantidades de carbono;
- sustentam atividades econômicas como a pesca artesanal e o turismo ecológico.
Sua degradação representa uma perda irreparável para o patrimônio natural brasileiro.
🤝 A importância da participação da sociedade
A proteção do meio ambiente depende não apenas da atuação dos órgãos públicos, mas também da participação ativa da sociedade.
Registrar denúncias, documentar ocorrências, acompanhar os processos administrativos e cobrar investimentos em saneamento são atitudes fundamentais para promover mudanças concretas.
A Constituição Federal garante a todos o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, cabendo ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
🌎 Continuamos lutando por um mundo mais saudável
A situação observada causa profunda preocupação e reforça a necessidade de ampliar os investimentos em coleta e tratamento de esgoto, especialmente em regiões costeiras de elevada importância ambiental.
Os estuários, manguezais e praias da Baixada Santista constituem um patrimônio natural de valor inestimável e precisam ser protegidos por meio de políticas públicas eficientes, fiscalização constante e participação da sociedade.
Continuaremos acompanhando essa questão e defendendo ações que contribuam para um litoral mais limpo, saudável e ambientalmente sustentável.
💬 Espaço do Leitor:
🔰 Na sua opinião, quais medidas devem ser adotadas pelos órgãos públicos e pela sociedade para eliminar o lançamento de esgoto sem tratamento nos estuários, manguezais e praias da Baixada Santista? 🔰



