Em uma das atividades de Canoagem Ecológica pelos manguezais de Praia Grande e São Vicente, no litoral de São Paulo, uma observação inesperada transformou uma remada pela natureza em um momento especial de contato com a biodiversidade. Durante a expedição, a equipe avistou um flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis), espécie que não era observada anteriormente por Renato Marchesini naquele trecho de manguezal.
Por ..:: Renato Marchesini: Bacharel em Turismo, Guia de Turismo, Biólogo com Pós Graduação em Zoologia e Mestre em Ciências.

📷 Foto: Flávia Vasconcellos — 11 de agosto de 2011
📍 Local: Manguezais de Praia Grande e São Vicente – SP
🦩 Espécie: Flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis)
🌿 Atividade: Canoagem Ecológica
✍️ Texto: Renato Marchesini
📸 Um registro especial feito durante a expedição
A fotografia foi realizada em 11 de agosto de 2011, pela aventureira Flávia Vasconcellos, que participava da expedição pelos manguezais.
O encontro com a ave chamou imediatamente a atenção de todos. Depois de muitos anos de remadas e atividades de observação da fauna nesses ambientes costeiros, encontrar um flamingo-chileno naquele cenário representou uma surpresa especial e uma experiência marcante para o grupo.
O próprio Renato Marchesini recorda aquele momento:
“Possuímos grande diversidade de avifauna em nossos manguezais, porém, após muitos anos de remada neste local, foi a primeira vez que observamos esta espécie de ave.”
O registro provocou alegria, curiosidade e muita conversa entre os participantes, demonstrando como uma atividade de ecoturismo pode proporcionar encontros inesperados com a fauna e ampliar o conhecimento sobre os ambientes naturais.
🦩 Quem é o flamingo-chileno?
O flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis) é uma ave da família Phoenicopteridae, pertencente à ordem Phoenicopteriformes.
É uma espécie característica de ambientes aquáticos rasos e apresenta comportamento altamente gregário, podendo formar grandes concentrações de indivíduos. Seu nome científico está relacionado à coloração avermelhada das asas e à associação histórica da espécie com o Chile.
Apesar do nome popular, o flamingo-chileno não ocorre exclusivamente no Chile. Sua distribuição natural abrange diferentes regiões da América do Sul e, no Brasil, a espécie é registrada principalmente no Sul e no Sudeste.
📏 Características físicas
O flamingo-chileno apresenta aproximadamente 96 a 107 centímetros de comprimento e pode pesar cerca de 2,3 quilos.
A fêmea é, em média, cerca de 10% menor que o macho.
Uma das características mais marcantes está no bico: a porção interna é predominantemente rosada, enquanto a extremidade apresenta coloração preta. As pernas são rosadas, podendo apresentar tonalidade mais escura nas articulações.
Os indivíduos jovens apresentam plumagem predominantemente cinza-amarronzada, adquirindo gradualmente a coloração característica dos adultos.
🌿 Alimentação e comportamento alimentar
O flamingo-chileno alimenta-se principalmente em águas rasas e áreas lodosas, onde procura organismos disponíveis no ambiente aquático.
Sua alimentação inclui invertebrados aquáticos, sementes e algas. O bico especializado permite que a ave filtre partículas presentes na água e no lodo, favorecendo a captura de pequenos organismos e outros recursos alimentares.
Esse comportamento demonstra a importância da conservação de áreas úmidas, lagoas, ambientes costeiros e zonas de lama, que funcionam como áreas de alimentação para diversas espécies de aves.
🪺 Reprodução e cuidado com os filhotes
Durante a reprodução, o flamingo-chileno constrói seu ninho utilizando lama, geralmente próximo ou sobre águas rasas.
A espécie coloca normalmente um único ovo por ninho e pode formar grandes colônias reprodutivas, reunindo milhares de casais.
O período de reprodução está fortemente relacionado à disponibilidade de água e às chuvas, mais do que às estações do ano.
A incubação dura aproximadamente 27 a 31 dias. Após o nascimento, o filhote permanece sob os cuidados dos pais e pode estar apto a voar entre aproximadamente 70 e 80 dias.
Tanto o macho quanto a fêmea participam da incubação e dos cuidados com o filhote. Os jovens também podem formar grupos, comportamento que contribui para a proteção e socialização dos indivíduos.
🗣️ Uma ave extremamente social
O flamingo-chileno é uma espécie gregária, ou seja, apresenta forte comportamento social.
Os bandos podem variar de algumas centenas a dezenas de milhares de indivíduos, dependendo do local e das condições ambientais.
Durante as interações sociais, os flamingos realizam movimentos ritualizados com a cabeça, o pescoço e as asas, acompanhados por vocalizações. Essas manifestações coletivas fazem parte de um comportamento social bastante característico da espécie.
Observar um grupo de flamingos em seu ambiente natural é, portanto, uma experiência de grande valor para a educação ambiental e o turismo de observação de aves.
🌎 Onde vive o flamingo-chileno?
A distribuição natural da espécie está relacionada principalmente à América do Sul, abrangendo países como Peru, Chile, Bolívia e Argentina, chegando até a região da Terra do Fogo.
No Brasil, o flamingo-chileno possui ocorrência principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Registros recentes demonstram que a espécie também pode ser observada em diferentes pontos do Sudeste brasileiro, incluindo o estado de São Paulo.
O relatório nacional sobre aves migratórias classifica o flamingo-chileno como migrante austral no Brasil, com ocorrência predominante na região Sul e associação a ambientes costeiros e interiores.
🧭 Uma visitante que também chega a São Paulo
A presença do flamingo-chileno em São Paulo não é impossível ou isolada. Existem registros da espécie no estado, inclusive em municípios do interior, como Suzano, demonstrando que a ave pode utilizar diferentes ambientes durante seus deslocamentos.
O ICMBio também registra a ocorrência da espécie em São Paulo e outros estados brasileiros, destacando seu caráter migratório no país.
Nesse contexto, o avistamento ocorrido durante a Canoagem Ecológica em Praia Grande e São Vicente, em 2011, ganha ainda mais significado como registro de uma espécie pouco habitual naquele ambiente específico para a equipe que realizava a atividade.
🌊 Manguezais: ambientes fundamentais para a avifauna
Embora o flamingo-chileno esteja associado a diferentes tipos de ambientes aquáticos, o encontro registrado durante a expedição reforça uma questão importante: os ambientes costeiros são fundamentais para a conservação das aves.
Manguezais, estuários, áreas de lama, restingas, praias e outros ambientes úmidos oferecem alimento, abrigo e áreas de descanso para inúmeras espécies.
O litoral da Baixada Santista possui uma grande diversidade de aves, e atividades de observação de aves, canoagem ecológica e educação ambiental podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre essa biodiversidade.
🛶 Canoagem ecológica e observação da natureza
A Canoagem Ecológica permite uma aproximação diferenciada com ambientes naturais.
Ao contrário de atividades realizadas com motores ou grandes embarcações, a canoagem pode proporcionar deslocamento silencioso e de baixo impacto, favorecendo a observação de aves, peixes, crustáceos e outros organismos associados aos manguezais.
O encontro com o flamingo-chileno mostra justamente como a natureza pode surpreender até mesmo quem possui muitos anos de experiência explorando determinado ambiente.
Cada remada pode representar uma nova descoberta.
🔬 Ciência, ecoturismo e memória ambiental
Registros como o realizado em 11 de agosto de 2011 possuem valor não apenas afetivo, mas também educativo.
A fotografia ajuda a preservar a memória de uma observação de fauna e pode estimular perguntas importantes: por que aquela ave estava naquele local? Estava em deslocamento? Encontrou alimento? Utilizou o manguezal como área de descanso?
Essas perguntas aproximam o ecoturismo da ciência e mostram como a observação responsável da natureza pode contribuir para o conhecimento da biodiversidade.
É importante, entretanto, diferenciar um registro ocasional de uma confirmação de ocorrência regular ou de estabelecimento de uma população na área.
⚠️ Estado de conservação
O flamingo-chileno merece atenção também do ponto de vista da conservação.
De acordo com a classificação apresentada pelo WikiAves com base na IUCN, a espécie está atualmente classificada globalmente como Quase Ameaçada (NT – Near Threatened). No contexto brasileiro, o relatório nacional de aves migratórias a apresenta como Pouco Preocupante (LC) em nível nacional.
Essa diferença demonstra que o estado de conservação de uma espécie pode ser analisado em diferentes escalas geográficas.
A conservação dos ambientes utilizados pela espécie é essencial, principalmente diante das alterações provocadas pela ocupação humana, poluição, perda de áreas úmidas e outras pressões sobre os ecossistemas costeiros.
🦩 Uma fotografia que conta uma história
A imagem registrada por Flávia Vasconcellos, durante a expedição coordenada por Renato Marchesini, representa muito mais do que a fotografia de uma ave.
Ela registra um momento de descoberta, surpresa e conexão com a natureza.
Em meio aos manguezais de Praia Grande e São Vicente, uma ave típica de ambientes aquáticos sul-americanos tornou-se protagonista de uma experiência inesquecível para os participantes da expedição.
A fotografia permanece como memória de que conhecer a natureza é também estar preparado para ser surpreendido por ela.
🌱 Preservar para continuar observando
O registro do flamingo-chileno reforça a necessidade de preservar os manguezais e demais áreas úmidas costeiras da Baixada Santista.
Esses ambientes possuem enorme importância ecológica e funcionam como áreas de alimentação, abrigo, reprodução, descanso e deslocamento para numerosas espécies.
A conservação da biodiversidade depende do conhecimento, da pesquisa, da fiscalização e também da participação da sociedade.
Quando uma pessoa conhece uma espécie, aprende sobre seu ambiente e compreende sua importância ecológica, aumenta também a possibilidade de que se torne uma defensora da conservação daquele lugar.
📚 Para conhecer e proteger
O flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis) é um exemplo de como a observação da fauna pode transformar uma simples atividade de ecoturismo em uma experiência de educação ambiental, pesquisa, memória e conservação.
A fotografia realizada em 2011 nos manguezais de Praia Grande e São Vicente permanece como testemunho de um encontro especial com a biodiversidade.
Que outras espécies ainda podem estar utilizando silenciosamente os manguezais da Baixada Santista sem que tenhamos percebido?
Essa é uma das grandes riquezas da natureza: quanto mais conhecemos, mais percebemos que ainda temos muito a descobrir.
💬 Espaço do Leitor:
🔰 Você já avistou um flamingo ou outra ave inesperada nos manguezais, praias ou áreas úmidas da Baixada Santista? Conte nos comentários onde foi e como aconteceu esse encontro! 🔰


