Transporte Ferroviário: Locomotiva Itatinga / Bondinho de Itatinga em Bertioga SP

Na memória afetiva de quem conhece Itatinga, uma das lembranças mais vivas e bucólicas é, com certeza, a da pequena locomotiva a vapor correndo pelos trilhos, com trilha sonora ritmada pelo peculiar som das caldeiras e do apito estridente perturbando o silêncio da Mata Atlântica. Símbolo de uma era, a locomotiva Itapema, mais conhecida por “bondinho”, começou a operar na linha férrea de Itatinga em 1906 e, depois de 99 anos de trabalho pesado, descansa no gramado da vila, um raro exemplar em exposição permanente ao ar livre.

Por..:: Eleni Nogueira

Locomotivas a vapor, bondes elétricos, trator rodoferroviário a diesel… Testemunhas de um passado recente, hoje são atrações turísticas, símbolos de Itatinga e registros históricos de uma época que deixou saudades e boas lembranças

Desde 2005, este que foi o último tramway a vapor a funcionar no estado de São Paulo, segundo o Museu do Transporte Público Gaetano Ferolla, foi substituído por um trator rodoferroviário movido a diesel. Já não valia mais a pena a sua manutenção e o uso de lenha nos tempos atuais. Mas há quem diga que o percurso para Itatinga perdeu parte de seu charme.

Locomotiva Itapema. Foto de..:: Renato Marchesini

O elo da locomotiva com a região teve início em 1905. Quando definida a construção da Usina Hidrelétrica de Itatinga, logo surgiu um grande problema: como transportar materiais e trabalhadores pela estreita faixa de mata entre o rio e o sopé da Serra do Mar, até a área escolhida para receber a casa de força? A questão foi resolvida com a construção de uma linha férrea, com 8 km de comprimento e 80 cm de bitola, assentada ao longo da futura linha de transmissão de energia, concluída em 1906. Surgia assim, a menor linha férrea do Brasil.

A medida que a obra evoluiu, foram criadas mais duas linhas férreas, uma no alto da serra, no trecho entre a captação até a câmara d’água, com bitola de 60 cm e 3 km de comprimento e outra no trecho da linha de tubos com bitola de 80 cm e 2 km de comprimento.

Locomotiva Lavoura. Foto de..:: Renato Marchesini

Para o transporte de carga, foram adquiridas três locomotivas a vapor (nº 1, 8 e 12) batizadas como Lavoura, Mont Serrat e Itapema, respectivamente, construídas em 1889 pela empresa alemã associada Locomotivfabrik Krauss e Cia München & Linz.

Com a robustez e a força necessárias para o serviço, elas partiam diariamente do porto fluvial construído à margem do Rio Itapanhaú e corriam diariamente pelas linhas, transportando trabalhadores, tubulações, maquinários e todo material necessário para a construção da usina. O material vinha do porto de Santos, a 30 km de distância, seguindo pelo mar e Canal de Bertioga em barcaças, batelões e chatas. Terminada a construção da usina, em 1910, a ferrovia continuou servindo regularmente para o transporte de materiais e funcionários, no atendimento à usina até os dias de hoje.

O maquinista Luiz Carlos Cândido de Souza trabalha em Itatinga há 33 anos, sendo 14 à frente da locomotiva Itapema. Ele continua a transportar pessoas e equipamentos pelos problema: como transportar materiais e trabalhadores pela estreita faixa de mata entre o rio e o sopé da Serra do Mar, até a área escolhida para receber a casa de força? A questão foi resolvida com a construção de uma linha férrea, com 8 km de comprimento e 80 cm de bitola, assentada ao longo da futura linha de transmissão de energia, concluída em 1906. Surgia assim, a menor linha férrea do Brasil.

A medida que a obra evoluiu, foram criadas mais duas linhas férreas, uma no alto da serra, no trecho entre a captação até a câmara d’água, com bitola de 60 cm e 3 km de comprimento e outra no trecho da linha de tubos com bitola de 80 cm e 2 km de comprimento.

Para o transporte de carga, foram adquiridas trilhos da linha férrea, nos bondinhos elétricos e no trator rodoferroviário, mas diz sentir falta do som da maria-fumaça. “A locomotiva era muito quente e bem mais trabalhosa. Mas quando olho para ela ali parada sinto saudades. O trator é bem mais fácil de lidar. Mas não tem a mesma graça”.

..:: Bondes elétricos

Transporte é uma das atrações do acesso à vila de Itatinga. O acesso para a Vila de Itatinga também inclui o passeio em bondes elétricos. Eles chegaram à região a partir de 1957. Para baixar os custos operacionais, a linha férrea foi eletrificada com 550 volts de corrente contínua, e passou-se a utilizar veículos de tração elétrica. Estava assim criada mais uma linha de bondes no estado de São Paulo, inaugurada em 1958. As locomotivas a vapor foram mantidas para casos de emergência.

Bonde Elétrico Itatinga. Foto de..:: Renato Marchesini

Os bondes foram construídos nas oficinas da Cia. Docas de Santos a partir de material proveniente dos bondes elétricos desativados do Guarujá. Os três vagões de passageiros são de antigos bondes a burro da cidade de Santos.

São dois os bondes elétricos de Itatinga. A unidade B-1 possui dois trucks motores, cada um com motor de 7,5KW e controller duplo em cada extremidade do veículo. A unidade B-2 possui um único motor central de 13,5 KW e o controller fica localizado no centro.

A linha ferroviária de acesso a Itatinga opera regularmente com dois bondes, mais o trator rodoferroviário, transportando materiais, funcionários da usina e turistas.

..:: Peças de museu
A locomotiva Lavoura encontra-se em exposição no Museu do Porto de Santos, localizado na avenida Conselheiro Rodrigues Alves s/n, em Santos. Já a Mont Serrat está desaparecida desde a década de 1980. Segundo o engenheiro Antonio Carlos da Mata Barreto, gerente do complexo cultural do porto, ela foi emprestada ao governo do estado para uma exposição e acabou desaparecendo. “Estamos fazendo uma busca para resgatá-la e trazê-la para o museu”, afirmou. Para a locomotiva Itapema, em Itatinga, está prevista a construção de uma miniestação com redoma para abrigá-la das intempéries.

Fonte..:: Beachco

Para conhecer Itatinga entre em contato com a R9 Turismo / https://r9turismo.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

icone do conteúdo

Leia também

Fique por dentro

Ver todos os posts
Cana-de-açúcar: A gramínea tropical que transforma luz solar em açúcar

Cana-de-açúcar: A gramínea tropical que transforma luz solar em açúcar

A cana-de-açúcar é muito mais do que uma planta usada para produzir açúcar e etanol. Ela pertence à família Poaceae,...

Saúva: A formiga agricultora que cultiva fungos há milhões de anos

Saúva: A formiga agricultora que cultiva fungos há milhões de anos

A saúva não come as folhas que corta. Ela utiliza os fragmentos vegetais como matéria-prima para cultivar um fungo que...

A Experiência do Viajante como Diferencial Estratégico na Gestão de Viagens Corporativas

A Experiência do Viajante como Diferencial Estratégico na Gestão de Viagens Corporativas

A experiência do viajante pode ser um dos maiores diferenciais da gestão de viagens corporativas. Durante muito tempo, esse segmento...

Lobo-guará: Um Símbolo da Fauna Brasileira. Ameaçado pela Perda de Habitat

Lobo-guará: Um Símbolo da Fauna Brasileira. Ameaçado pela Perda de Habitat

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul e uma das espécies mais emblemáticas do Cerrado...

O Incrível Mundo Subterrâneo das Formigas

O Incrível Mundo Subterrâneo das Formigas

Debaixo de um simples jardim pode existir um verdadeiro mundo subterrâneo organizado, complexo e surpreendente. O que, à superfície, parece...

Andorinha-das-chaminés: 6 curiosidades incríveis sobre a espécie

Andorinha-das-chaminés: 6 curiosidades incríveis sobre a espécie

A figura apresenta algumas das impressionantes capacidades da andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), uma das aves migratórias mais conhecidas do mundo. Com...