O Clube Internacional de Regatas, conhecido carinhosamente na Baixada Santista como “Vermelhinho da Ponta da Praia”, é uma das tradicionais instituições esportivas e sociais de Santos. Fundado em 24 de maio de 1898, o clube constrói uma trajetória marcada pelo remo, pelos esportes náuticos, pelas modalidades olímpicas, pelas atividades sociais e pela formação de atletas. Uma presença significativa na memória esportiva e social da região.
Por ..:: Renato Marchesini: Historiador com Pós-Graduações em História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio.

O bote de número 967 do Clube Internacional de Regatas, com seus remadores, aparece em um raro cartão-postal relacionado ao Porto dos Reis.
O cartão foi postado em Santos em 5 de julho de 1904, apresentando carimbo dos Correios e selo de 20 réis. Também aparece no cartão um carimbo com os dizeres: Dr. C. Klingelhoffer, Fazenda Carlota, Jahú, E. de São Paulo – Brasil”.
A imagem é um importante registro da presença do clube e de suas embarcações durante os primeiros anos de sua trajetória.
🛶 O nascimento do Clube Internacional de Regatas
A história do Clube Internacional de Regatas começa na noite de 24 de maio de 1898, quando um grupo de 36 jovens se reúne na Rua Martim Afonso, nº 1, em Santos, para criar uma nova agremiação esportiva e social.
Entre os fundadores estavam antigos funcionários da firma Naumann, Gepp & Cia., além de outros jovens ligados à vida esportiva e social santista. O grupo escolhe João Scott Hayden Barbosa para exercer a primeira presidência da nova instituição.
A fundação acontece em um período no qual o remo ocupa posição de destaque na vida esportiva de Santos. A nova associação nasce, portanto, profundamente ligada aos esportes náuticos, especialmente às regatas.
🌊 A primeira sede na Bocaina
Embora atualmente esteja fortemente associada à Ponta da Praia, a história do “Vermelhinho” começa do outro lado do estuário.
Pouco depois da fundação, o clube adquire um imóvel na região conhecida como Bocaina, área correspondente à atual região de Vicente de Carvalho, em Guarujá.
A estrutura inicial é bastante simples: Havia um barracão destinado à guarda das embarcações, uma oficina para reparos e um pequeno chalé destinado à recreação dos associados.
O patrimônio náutico também começa a ser formado. Entre as primeiras embarcações estavam as canoas Cecy e Pery, a guiga de corrida Iracema, os escaleres Tapuia e Guaianás, além de embarcações utilizadas para passeios.
Essa primeira fase demonstra como o remo e a vida náutica estão na origem da identidade do clube.
📍 Da Bocaina para Santos
A expansão da agremiação logo exige uma estrutura mais próxima do centro urbano de Santos.
Em 1899, o clube utiliza o Trapiche Paquetá para guardar suas embarcações e realiza atividades relacionadas ao primeiro aniversário de fundação. Pouco depois, transfere-se para Santos e passa a utilizar o Trapiche São Paulo, na Rua João Octávio, vendendo as instalações que possuía na Bocaina.
Essa mudança representa uma nova etapa na história do Internacional de Regatas.
O clube deixa progressivamente sua primeira estrutura na margem oposta do estuário e passa a se aproximar ainda mais da dinâmica urbana e esportiva de Santos.
🏗️ A consolidação na Ponta da Praia
A ligação do Internacional de Regatas com a Ponta da Praia se torna uma das marcas mais fortes de sua história.
A partir da consolidação de sua sede nessa região, o clube amplia suas atividades e deixa de ser identificado apenas com o remo e os esportes náuticos.
A aquisição da área da Ponta da Praia em 1942 representa um momento importante de expansão patrimonial e esportiva. A partir desse período, o clube passa por uma transformação significativa, ampliando sua estrutura e incorporando diferentes modalidades esportivas e atividades sociais.
É nessa trajetória que o “Vermelhinho” passa a ocupar um espaço cada vez mais importante na vida esportiva da Baixada Santista.
🏆 Glórias e tradições esportivas
Ao longo de sua história, o Clube Internacional de Regatas constrói uma trajetória esportiva que ultrapassa as fronteiras de Santos.
Entre suas modalidades tradicionais estão natação, hóquei sobre patins, basquete, futsal, vôlei, tênis, judô, caratê, vela, canoa havaiana, polo aquático, patinação artística e outras atividades esportivas.
O clube também mantém uma tradição importante na formação de atletas e na participação em competições regionais e nacionais.
🏊 A famosa piscina e a tradição da natação
Entre as estruturas esportivas que ganharam destaque ao longo da história do clube está sua piscina de 25 metros.
Ela ficou conhecida no meio esportivo pela expressão “a piscina mais rápida do Brasil”, associada à realização de competições e à obtenção de importantes marcas na natação.
Mais do que uma instalação esportiva, a piscina passa a fazer parte da memória de gerações de atletas e associados.
🏒 A força do hóquei sobre patins
Outra modalidade que marca profundamente a história do Internacional é o hóquei sobre patins.
O clube conquista destaque regional e nacional nessa modalidade e contribui para a formação de atletas que chegam a integrar equipes de alto nível.
A tradição do hóquei ajuda a consolidar a imagem do Internacional como uma instituição que vai muito além de sua origem ligada exclusivamente ao remo.
🏀 Rivalidades que movimentaram o esporte santista
A história esportiva do clube também é marcada pelas rivalidades.
Os confrontos em modalidades como basquete, futsal e hóquei fazem parte da memória esportiva da Baixada Santista, especialmente nos períodos em que os clubes sociais desempenham papel central na formação e na disputa de campeonatos amadores.
Entre essas rivalidades históricas está o Clube de Regatas Santista, instituição que também possui papel importante na história do remo santista.
Essas disputas ajudam a compreender a importância que os clubes sociorrecreativos possuem na construção da cultura esportiva regional.
🚣 O remo como memória da história santista
Fotografias como essa permitem compreender uma época em que o esporte náutico fazia parte da paisagem cotidiana de Santos.
Antes das grandes estruturas esportivas contemporâneas, as embarcações, os trapiches, as regatas e os remadores ocupavam importante espaço na vida social da cidade.
Por isso, registros fotográficos do início do século XX não representam apenas imagens esportivas. Eles também constituem documentos visuais da transformação urbana, social e cultural de Santos e da região portuária.
📍 As sedes e a estrutura do clube
Atualmente, o Clube Internacional de Regatas mantém atividades distribuídas entre estruturas voltadas para diferentes finalidades.
A sede social, em Santos, está localizada na região da Ponta da Praia, área tradicionalmente associada à identidade do “Vermelhinho”.
O espaço reúne atividades esportivas, recreativas e sociais, incluindo piscinas, quadras, ginásio e áreas destinadas à convivência dos associados.
O clube também possui uma sede náutica em Guarujá, na região de Santa Cruz dos Navegantes, mantendo viva a relação histórica da instituição com o ambiente marítimo e os esportes náuticos.
O próprio estatuto social define como objetivos do clube proporcionar aos associados a prática do esporte amadorista e promover atividades sociais, esportivas, culturais, recreativas e cívicas.
🏅 Esportes e lazer
Atualmente, a tradição esportiva do “Inter” continua abrangendo diferentes modalidades.
Entre as atividades relacionadas ao clube estão:
- 🏀 Basquete;
- ⚽ Futsal;
- 🏐 Vôlei;
- 🎾 Tênis;
- 🥋 Judô;
- 🥋 Caratê;
- 🏊 Natação;
- 🤽 Polo aquático;
- ⛵ Vela;
- 🛶 Canoa havaiana;
- ⛸️ Patinação artística;
- 🏒 Hóquei;
- além de outras atividades esportivas e recreativas.
Essa diversidade demonstra como uma instituição originalmente ligada ao remo e à cultura náutica consegue incorporar novas modalidades ao longo das décadas, acompanhando as transformações do esporte e da sociedade.
🎶 Um espaço de convivência social
O Internacional de Regatas também desempenha uma função que ultrapassa as competições esportivas.
O clube participa da vida social santista com programações de fim de semana, encontros, almoços temáticos, atividades culturais e noites musicais, criando espaços de convivência entre associados e suas famílias.
Entre as programações tradicionais mencionadas na documentação estão o “Domingão Vermelhinho” e o “Senadinho do Inter”.
Essa dimensão social ajuda a explicar por que clubes tradicionais como o Internacional de Regatas fazem parte não apenas da história esportiva, mas também da memória afetiva de diferentes gerações de moradores da Baixada Santista.
Para Roteiros de Turismo na Baixada Santista: WWW.R9TURISMO.COM
💬 Espaço do Leitor:
🔰 Você conhece alguma história, fotografia, documento ou lembrança relacionada ao Clube Internacional de Regatas que possa contribuir para preservar a memória do “Vermelhinho” e da história esportiva da Baixada Santista? 🔰




achei muito legal o blog caiçara,é uma pena que aqui no guarúja querem sufocar os caiçara pescadores nativo da região,principalmente retirar os barcos desse calçadão que existe mais de 40 anos,tudo por causa de sociedade conhecida como sag do guaiúba,discrimina os menos favorecido,sou pescador,neto de pescador caiçara antigo que se chamava joão barnabé,e o neto josé barnabé.
Olá José Barnabé, bom dia!
Gratos pelas palavras! Mesmo que aos poucos vamos tentanto resgatar e multiplicar a cultura caiçara. Um etnoconhecimento expetacular!
Realmente a pressão do "tal desenvolvimento" assola as comunidades tradicionais.
Gostaríamos de convidar vc! – caso se interesse – de enviar fotos antigas, histórias, causos … assim publicamos no Blog Caiçara.
Desde já Gratos pelo apoio e vamos caminhando e navegando juntos!!
Abraço Caiçara,