Em 1999, durante uma atividade de ecoturismo no Parque Estadual de Campos do Jordão, no interior de São Paulo, vivi uma situação que até hoje permanece como uma das histórias mais curiosas da minha trajetória como guia de ecoturismo. Eu acompanhava um grupo de aproximadamente 15 ecoturistas pela área do parque e, enquanto caminhava no final do grupo, algo chamou minha atenção no tronco de uma araucária.
Por ..:: Renato Marchesini / Guia de Turismo, Bacharel em Turismo, Historiador, Geógrafo e Biólogo, com Pós-Graduação em Ecoturismo, Zoologia, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Direitos Humanos, História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio e Mestre em Ciências.

Foto de Renato Marchesini. Você visualiza o Gnomo?
👀 Algo se mexia no tronco da araucária
Enquanto eu fazia a função de fechar o grupo, garantindo que todos permanecessem juntos durante a caminhada, percebi um movimento estranho no tronco de uma araucária.
A princípio, não consegui identificar o que estava vendo. A curiosidade falou mais alto. Fui me aproximando lentamente para tentar descobrir o que havia ali.
Foi então que tive uma surpresa: parecia haver uma pequena figura escondida entre as formas e texturas do tronco da árvore.
🧙♂️ “Eu vi um gnomo!”
Para minha surpresa, aquilo que enxerguei me fez lembrar imediatamente de um gnomo, uma das figuras mais conhecidas do imaginário popular associado às florestas.
Minha primeira reação foi pegar a máquina fotográfica (🎞️ Câmera fotográfica que utilizava filme negativo) e registrar aquele momento.
O mais curioso era que a pequena figura parecia estar se movimentando e, ao mesmo tempo, perfeitamente mimetizada com o tronco da araucária.
Naquele instante, não sabia exatamente o que estava vendo. Poderia ser um animal, uma formação natural, um efeito de luz e sombra ou simplesmente uma combinação extraordinária de elementos da própria árvore.
Mas, para mim, naquele momento, eu tinha acabado de encontrar um gnomo na floresta!
🤫 Preferi guardar o segredo
Como eu mesmo estava tentando entender o que tinha acontecido, procurei não comentar imediatamente com o restante do grupo.
Imagine contar para aproximadamente 15 pessoas que o guia havia encontrado um gnomo escondido em uma araucária?
Até eu estava duvidando daquilo que meus olhos tinham percebido.
Preferi fotografar e seguir o roteiro.
Naquela época, porém, havia uma grande diferença em relação aos dias atuais: as câmeras utilizavam filmes fotográficos.
Não havia tela para visualizar imediatamente a fotografia, muito menos celular com câmera digital para conferir o resultado em segundos.
📸 A surpresa depois da revelação
Depois da atividade, levei o filme para ser revelado. Foi somente quando recebi as fotografias que pude conferir o resultado.
E lá estava ele!
A imagem havia registrado justamente aquela formação que, naquele momento, parecia se movimentar no tronco da araucária.
Se você observar atentamente a fotografia, poderá perceber uma figura que lembra um pequeno personagem escondido na vegetação.
Será realmente um gnomo? Ou seria apenas uma incrível combinação de mimetismo, textura, luz, sombra e imaginação humana?
A resposta fica por conta de cada observador.
🌳 Gnomos e o imaginário das florestas
Os gnomos fazem parte do folclore e do imaginário popular europeu, especialmente de tradições germânicas e de outras culturas do norte e centro da Europa.
Tradicionalmente, são representados como pequenos seres associados à terra, às florestas, às montanhas e aos ambientes naturais.
Ao longo do tempo, essas figuras passaram a fazer parte de contos, lendas, livros, ilustrações, filmes e histórias infantis.
No imaginário contemporâneo, o gnomo costuma aparecer como um pequeno guardião da floresta, geralmente associado à natureza e aos lugares escondidos.
É importante separar, porém, folclore e crença de evidência científica. Não existe comprovação científica da existência de gnomos como seres físicos.
Ainda assim, histórias como esta mostram como a experiência humana com a natureza pode despertar curiosidade, imaginação e narrativas fascinantes.
🔍 O que é mimetismo?
Existe também uma explicação natural muito interessante para situações como essa.
Mimetismo e camuflagem são estratégias encontradas em diversos organismos que permitem reduzir sua visibilidade no ambiente.
Animais, por exemplo, podem apresentar coloração, formas e padrões que dificultam sua identificação em meio à vegetação, troncos, folhas, pedras e outros elementos naturais.
No caso da fotografia, a aparência da figura pode estar relacionada à própria textura da casca da araucária, combinada com iluminação, sombras e a capacidade humana de reconhecer padrões.
Esse fenômeno também se relaciona ao conceito de pareidolia, quando o cérebro interpreta formas aleatórias ou ambíguas como rostos, animais, pessoas ou outros objetos conhecidos.
É por isso que algumas pessoas conseguem enxergar rostos em nuvens, pedras, paredes e troncos de árvores.
👁️ Você consegue encontrar o “gnomo”?
Agora é a sua vez!
Observe atentamente a fotografia.
🔎 Procure pelos detalhes do tronco da araucária.
Talvez você consiga identificar rapidamente a figura que chamou minha atenção naquele dia.
Ou talvez veja apenas uma formação natural.
E justamente aí está a graça da história: a mesma fotografia pode provocar interpretações completamente diferentes em cada pessoa.

Foto de Renato Marchesini – Agora com Ajuda.
🎶 “Eu vi Gnomos!”
A história também me faz lembrar um clássico da música brasileira que ajudou a popularizar ainda mais o imaginário dos gnomos entre muitas pessoas.
🎵 “Eu vi Gnomos”, da banda Tihuana, tornou-se uma música bastante conhecida e acabou entrando para a memória cultural de uma geração.
A canção brinca justamente com essa ideia de enxergar seres fantásticos e situações inusitadas.
No meu caso, a história aconteceu de verdade como uma experiência pessoal: eu vi algo que parecia um gnomo, fotografei e somente depois descobri que a câmera havia registrado aquela curiosa figura.
🧭 Mais uma história de um guia de ecoturismo
Ao longo dos anos trabalhando com turismo, ecoturismo e atividades em ambientes naturais, muitas situações acabam se transformando em histórias que permanecem na memória.
Algumas são explicadas pela ciência. Outras dependem da percepção de quem estava presente.
E existem aquelas que simplesmente continuam como um bom “causo” de viagem.
Esta é uma delas.
Em 1999, no Parque Estadual de Campos do Jordão, diante de uma araucária, uma fotografia registrou algo que até hoje desperta a minha curiosidade.
Eu vi um gnomo? Talvez. Talvez tenha sido apenas a natureza brincando com meus olhos.
Mas uma coisa é certa: a floresta sempre guarda histórias para quem sabe observar. 🌲🔎
📷 Registro fotográfico
Foto: ..:: Renato Marchesini
Local: Parque Estadual de Campos do Jordão – Campos do Jordão, São Paulo
Ano: 1999
Registro: atividade de ecoturismo
Situação: figura observada no tronco de uma araucária
🌲 Turismo, natureza e memória
Histórias como esta mostram que o ecoturismo também é feito de descobertas, observação e experiências inesperadas.
Ao caminhar por uma floresta, é possível encontrar muito mais do que paisagens bonitas: animais, plantas, sons, vestígios, formas curiosas e situações que podem permanecer na memória por toda a vida.
Na natureza, olhar é apenas o primeiro passo. Aprender a observar é uma experiência completamente diferente.
💬 Espaço do Leitor
🔰 Você acredita em gnomos ou acha que a fotografia registra apenas um interessante efeito de mimetismo e pareidolia no tronco da araucária? Você consegue enxergar a figura na imagem? 🔰
E você… já encontrou alguma coisa inexplicável durante uma caminhada pela natureza? 👀🌳


