🏛️ A história de Brás Cubas está profundamente ligada à formação da Vila de Santos e ao desenvolvimento inicial da ocupação portuguesa no litoral paulista. Sua trajetória atravessa o século XVI e se relaciona com a administração da Capitania de São Vicente, a exploração econômica do território, a defesa da região e a criação de uma das mais importantes instituições de assistência da América portuguesa: a Santa Casa de Misericórdia de Santos. A Prefeitura de Santos registra que Brás Cubas nasceu no Porto, em Portugal, em dezembro de 1507, chegou ao Brasil em 1531 e morreu em Santos, em 1592.
Por ..:: Renato Marchesini: Historiador com Pós-Graduações em História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio e Mestre em Ciências.

Braz Cubas: O Fundador de Santos SP.
⚓ Brás Cubas e os primeiros tempos de Santos
Brás Cubas nasceu na cidade do Porto, em Portugal, em dezembro de 1507, filho de João Pires Cubas e Isabel Nunes. Segundo registros da Prefeitura de Santos, chegou ao Brasil em 1531, no contexto do início da ocupação portuguesa mais organizada do litoral paulista.
Sua trajetória esteve ligada à Capitania de São Vicente, território que passou a desempenhar papel importante na expansão portuguesa para além do litoral.
A tradição histórica de Santos atribui a Brás Cubas um papel central na formação da vila. A Prefeitura de Santos o identifica como fundador da Vila de Santos, enquanto a Fundação Arquivo e Memória de Santos também registra o monumento da Praça da República como homenagem ao fundador da cidade.
É importante, entretanto, compreender esse processo historicamente: a formação de Santos não ocorreu por um único ato isolado, mas foi resultado de diferentes iniciativas de ocupação, povoamento, atividades econômicas e organização política ao longo do século XVI.
Brás Cubas foi uma das figuras mais importantes desse processo.
⛪ A Santa Casa de Misericórdia e o nome “Santos”
Uma das realizações mais importantes atribuídas a Brás Cubas foi a criação da Santa Casa de Misericórdia, instituição destinada à assistência aos enfermos e necessitados.
A Prefeitura de Santos informa que Brás Cubas inaugurou, em 1545, a primeira Santa Casa de Misericórdia do país, à qual deu o nome de Todos os Santos. Esse nome posteriormente passou a identificar a vila que se desenvolvia nas proximidades do Outeiro de Santa Catarina.
Essa informação é especialmente importante para compreender a origem histórica do nome Santos.
A criação da instituição representou também um marco na organização social do povoado, pois a assistência aos enfermos era uma necessidade fundamental em uma sociedade colonial marcada por longas viagens marítimas, doenças, conflitos e dificuldades de atendimento médico.
Assim, a história de Brás Cubas não está relacionada apenas à ocupação territorial. Ela também envolve assistência social, organização comunitária e formação das primeiras estruturas permanentes da vila.
🗺️ Administração, defesa e expansão da Capitania
Brás Cubas também exerceu funções de destaque na administração da Capitania de São Vicente.
Entre suas atividades esteve a participação na defesa do território contra ataques indígenas e contra ameaças relacionadas à presença de estrangeiros na costa brasileira.
A Prefeitura de Santos registra que Brás Cubas foi governador da Capitania de São Vicente e que, em 1552, participou da construção do Forte São Felipe, na Ilha de Santo Amaro. Também liderou a defesa da capitania contra ataques dos tamoios, aliados dos franceses que disputavam espaço no litoral.
Esses episódios mostram que a formação de Santos ocorreu dentro de um contexto muito mais amplo: o de disputas territoriais, expansão colonial, conflitos entre diferentes grupos indígenas e interesses de potências europeias no litoral sul-americano.
🏛️ A homenagem ao fundador na Praça da República
Séculos depois da morte de Brás Cubas, a cidade de Santos decidiu homenageá-lo com um monumento público.
A escolha da Praça da República não foi casual. O antigo Largo da Matriz havia sido transformado em Praça da República no período republicano, e a área passava por um processo de remodelação urbana. Em 1906, foi aprovada uma reforma da praça, incluindo a colocação de ladrilhos e arborização. Em 1908, foi instalado no local o monumento dedicado a Brás Cubas.
A inauguração ocorreu em 26 de janeiro de 1908, data comemorativa do aniversário de Santos.
O monumento tornou-se a primeira estátua erguida na cidade de Santos e passou a ocupar posição de destaque diante da região da Alfândega, no Centro Histórico.
🗿 Um monumento monumental em mármore de Carrara
O monumento ao fundador de Santos, Brás Cubas, destaca-se pela imponência e pela riqueza de seus detalhes.

Cartão Postal Antigo Santos, Estátua de Braz Cubas e Alfandega (sem data).
A obra foi executada pelo escultor italiano Lorenzo Massa — também registrado em documentos municipais como Lourenço Massa ou Lorenzo Mazza — e produzida em Gênova.
O conjunto escultórico possui aproximadamente 8 metros de altura e apresenta uma composição formada por uma base com três degraus de granito, um pedestal ornamentado e figuras alegóricas em mármore de Carrara, além de elementos decorativos em bronze.
O contrato localizado pela Fundação Arquivo e Memória de Santos, datado de 10 de março de 1906, descrevia uma obra composta pela base, pelo pedestal ornamentado e pela estátua de Brás Cubas. O conjunto também deveria apresentar representações alegóricas relacionadas ao Gênio, Comércio e Navegação, além de referências à Indústria, Agricultura e ao Município.
A figura de Brás Cubas foi representada com trajes associados a um cavaleiro do século XVI, reforçando visualmente sua ligação com os primeiros tempos da colonização portuguesa.
📸 Monumento a Brás Cubas – Coleção L. J. Giraud

Imagem Antiga Santos SP. O monumento ao fundador de Santos, Brás Cubas (sem data). Coleção: L. J. Giraud.
A fotografia registra um momento importante da paisagem histórica do Centro de Santos. O monumento aparece integrado ao cenário urbano da Praça da República, enquanto ao fundo pode ser identificada a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, revelando como diferentes períodos da história santista permaneciam lado a lado na paisagem urbana.
Existe uma tradição segundo a qual os restos mortais de Brás Cubas teriam sido colocados sob o monumento, depois de retirados da antiga Igreja Matriz.
Documentos históricos mencionados pela Fundação Arquivo e Memória de Santos registram essa versão. Entretanto, uma publicação mais recente da própria Prefeitura esclarece que não existem documentos que comprovem definitivamente que os restos mortais estejam sob a estátua. Por isso, o mais adequado historicamente é tratar essa informação como uma hipótese ou tradição histórica, e não como fato comprovado.
⚰️ 1592 – A morte de Brás Cubas
Brás Cubas morreu em 1592, em Santos, depois de uma longa trajetória ligada à formação da Capitania de São Vicente.
Ao final de sua vida, já era reconhecido como uma das figuras de maior importância política e econômica da região.
Sua memória, entretanto, permaneceu viva durante os séculos seguintes.
Mais de trezentos anos depois de sua morte, Santos ergueria uma estátua para homenageá-lo justamente em um dos espaços mais importantes do Centro Histórico.
🎨 A inauguração da estátua em 1908
A estátua foi inaugurada em 26 de janeiro de 1908, durante as comemorações do aniversário de Santos.
O monumento foi produzido em mármore branco de Carrara e transportado da Itália para Santos. A Prefeitura registra que a obra foi montada pelo artista italiano Lorenzo Massa em seu ateliê, em Gênova, antes de ser transportada para o Brasil.
A inauguração marcou um momento simbólico para a cidade.
Inauguração da estátua a Braz Cubas, o fundador da Cidade de Santos 26/01/1908.
Santos estava passando por profundas transformações urbanas, impulsionadas principalmente pela riqueza proporcionada pelo ciclo do café, pela expansão portuária e pela modernização da infraestrutura urbana.
Nesse contexto, homenagear Brás Cubas significava também criar um elo entre a Santos do século XVI e a Santos moderna do início do século XX.
📮 Cartão-postal antigo – Inauguração da estátua de Brás Cubas

Cartão-postal antigo de Santos – inauguração da estátua de Brás Cubas – 1 de 2.

Cartão-postal antigo de Santos – inauguração da estátua de Brás Cubas – 2 de 2.
Os cartões-postais constituem importantes documentos visuais para o estudo da história urbana. No início do século XX, a fotografia havia se tornado um importante meio de registro e divulgação das cidades. Santos, em plena expansão econômica, passou a ser retratada em fotografias e cartões-postais que circulavam entre moradores, viajantes e visitantes.
A imagem da inauguração do monumento representa, portanto, não apenas uma homenagem a uma personalidade histórica, mas também a construção de uma nova memória pública para Santos.
⚓ Alfândega de Santos e a estátua de Brás Cubas – anos 1910

Alfândega de Santos e estátua de Brás Cubas – década de 1910.
A fotografia registra o monumento poucos anos depois de sua inauguração. Ao observar a imagem, é possível perceber a importância estratégica da localização da estátua. A Praça da República estava diretamente relacionada ao núcleo administrativo e comercial da cidade, próxima à Alfândega e à área portuária.
A presença do monumento nesse espaço criava uma interessante sobreposição de tempos históricos: Brás Cubas representava a Santos do século XVI, enquanto a Alfândega, o porto e o comércio representavam a cidade moderna que havia se consolidado séculos depois.
A praça, portanto, tornou-se um verdadeiro espaço de encontro entre passado e presente.
🏛️ 1997 – Tombamento pelo CONDEPASA
O reconhecimento da importância histórica e artística do monumento ocorreu oficialmente décadas depois de sua inauguração.
O Monumento a Brás Cubas foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (CONDEPASA) por meio da Resolução SC 01/97, de 20 de maio de 1997, sendo inscrito no Livro Tombo 01.
O tombamento reconhece o monumento como bem cultural de interesse histórico e artístico, garantindo proteção institucional a uma das obras escultóricas mais importantes da cidade.
O monumento também passou por um processo de restauração em 2003, realizado pela Prefeitura de Santos em parceria com o CONDEPASA, com o objetivo de recuperar suas características originais.
📚 Um monumento que conta a história de Santos
Mais do que uma estátua, o monumento de Brás Cubas pode ser compreendido como um documento histórico em espaço público.
Ele conecta diferentes períodos da história santista:
- século XVI: formação da povoação e atuação de Brás Cubas;
- 1545: criação da Santa Casa de Misericórdia, segundo os registros municipais;
- 1592: morte de Brás Cubas;
- século XIX: crescimento econômico e transformação urbana de Santos;
- 1906: contratação do escultor Lorenzo Massa para a execução do monumento;
- 1908: inauguração da primeira estátua pública de Santos;
- década de 1910: consolidação do monumento na paisagem do Centro Histórico;
- 1997: tombamento pelo CONDEPASA;
- 2003: restauração do monumento.
Essa cronologia demonstra como um único monumento pode preservar múltiplas camadas da memória de uma cidade.
🌎 Patrimônio, turismo e memória
Para quem visita Santos, conhecer o monumento de Brás Cubas é uma oportunidade de compreender a cidade para além das praias e dos jardins da orla.
A Praça da República, a Alfândega, as igrejas históricas, as antigas ruas comerciais e os demais monumentos do Centro Histórico formam um conjunto fundamental para o desenvolvimento do turismo histórico e cultural.
O monumento de Brás Cubas possui ainda um significado especial porque representa uma das figuras associadas à própria origem histórica da cidade.
Visitar esse espaço é caminhar por uma paisagem onde mais de quatro séculos de história permanecem materializados em ruas, edifícios, praças, monumentos e fotografias.
Preservar esses elementos significa garantir que as futuras gerações possam compreender como Santos se formou e como se transformou ao longo do tempo.
📸 Fotografias antigas: Documentos da memória santista
As fotografias apresentadas neste artigo são muito mais do que imagens antigas.
Elas permitem observar arquitetura, vestimentas, monumentos, igrejas, praças, equipamentos urbanos e formas de ocupação do espaço que muitas vezes desapareceram ou foram profundamente modificadas.
Por isso, fotografias e os cartões-postais antigos e os registros da Alfândega e do monumento de Brás Cubas possuem enorme valor para a preservação da memória de Santos.
Cada fotografia é uma janela para um período específico. E, quando organizadas em sequência cronológica, elas permitem reconstruir visualmente a transformação da cidade e de sua paisagem histórica.
🧭 Para Turismo Histórico e Cultural em Santos e Região
Conhecer o monumento de Brás Cubas é também compreender uma parte essencial da história da Baixada Santista.
A cidade de Santos possui um patrimônio histórico formado por igrejas, fortalezas, ruas, praças, edifícios, monumentos, documentos e fotografias que ajudam a contar a história da ocupação portuguesa, do desenvolvimento portuário, do café, da imigração, do trabalho e da urbanização.
Nesse contexto, o monumento de Brás Cubas permanece como um dos principais símbolos da memória histórica de Santos.
Para quem deseja conhecer, estudar ou desenvolver experiências de Turismo Histórico e Cultural em Santos e Região, a preservação e interpretação desse patrimônio são fundamentais.
Conhecer o patrimônio é conhecer a própria história do lugar. E preservar a memória é permitir que essa história continue sendo contada.
🌐 R9 Turismo – Turismo Histórico e Cultural em Santos e Região: r9turismo.com
💬 Espaço do Leitor:
🔰 Você já visitou o monumento de Brás Cubas na Praça da República, em Santos? Conhecia a história por trás dessa estátua e a importância de Brás Cubas para a formação histórica da cidade? Compartilhe sua lembrança ou opinião nos comentários. 🔰



