A imagem que você vê acima retrata um cenário praticamente irreconhecível para quem caminha pelas ruas do bairro do Paquetá nos dias de hoje. Trata-se de um registro precioso de uma Santos que se transformava rapidamente na virada do século XX, equilibrando-se entre as antigas práticas coloniais e a modernização portuária.
Por ..:: Renato Marchesini: Historiador com pós-graduações em História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio.
🎞️ Foto 1.

🪵 O Antigo Porto da Lenha e a Rotina Santista
Nesta fotografia, datada de 1904, vemos a movimentação do chamado Porto da Lenha, localizado na região do Paquetá. Naquela época, pequenos barcos a remo e canoas traziam lenha e carvão das regiões de manguezais e do interior da Baixada Santista para abastecer os fogões, padarias e pequenas indústrias da cidade. O transporte terrestre complementava o serviço, evidenciado pelas diversas carroças de tração animal enfileiradas na margem de terra.
🏥 A Beneficência Portuguesa e a Paisagem Modificada
Ao fundo, do lado esquerdo da imagem, destaca-se o imponente primeiro prédio da Sociedade Beneficência Portuguesa. Diante do edifício, era possível avistar uma fileira com nove imponentes palmeiras imperiais, das quais, infelizmente, nada restou com o passar dos anos e o avanço da urbanização.
⚓ A Chegada do Cais de Pedra
Outro detalhe histórico crucial é que, no momento desse registro, o cais linear de pedra (cais corrido) ainda não havia sido construído nesse trecho específico. O porto ainda mantinha suas características naturais de praia e terrenos públicos antes de receber a grande muralha de concreto e os galpões numerados que consolidaram o Porto Organizado de Santos.
📚 Sobre o Registro Histórico
Esta fotografia histórica faz parte do aclamado livro “Santos, Cidade Marítima”, uma obra realizada pelos pesquisadores José Carlos Rossini, Jaime Mesquita Caldas e Laire José Giraud. A publicação foi patrocinada pelo Instituto Oceanum, no ano de 1969.
🎞️ Foto 2.

A imagem em anexo nos transporta para o final do século XIX, revelando a intensa atividade comercial e marítima que ditava o ritmo do bairro do Paquetá, em Santos. Trata-se de um registro raro que capta a essência do antigo mercado de abastecimento local.
🛶 O Vaivém das Embarcações no Porto
A fotografia mostra o antigo Mercado de Lenha no Paquetá tomado por dezenas de embarcações típicas da época, com seus mastros erguidos cortando a paisagem. Esses barcos e canoas vinham carregados de lenha e outros insumos extraídos das áreas de mangue e vilas vizinhas, sendo fundamentais para a subsistência e energia de uma Santos que ainda não conhecia a eletricidade em larga escala.
👥 O Trabalho dos Operários e Estivadores
Em primeiro plano e ao longo da margem, é possível observar os trabalhadores portuários em plena atividade. Homens vestidos com calças e camisas claras movimentavam-se entre as amarras, organizando os fardos e preparando as mercadorias que abasteceriam os comércios, as residências e as primeiras indústrias da região santista.
🖼️ Um Registro de José Marques Pereira
Na parte inferior do cartão-postal, destaca-se a assinatura do renomado fotógrafo J. Marques Pereira, um dos grandes cronistas visuais da transição urbana de Santos entre o final do período imperial e o início da República. O registro impresso traz a legenda clássica: “Santos. Mercado de Lenha no Paquetá”, catalogado originalmente sob o número 28.
🏔️ A Paisagem Natural ao Fundo
Ao fundo da cena, do outro lado do canal, avistam-se os perfis das colinas e manguezais nativos da região continental, uma paisagem que hoje se encontra totalmente modificada pelos modernos terminais portuários, cais de concreto e guindastes de alta tecnologia.
💬 Espaço do Leitor: 🔰 Você já conhecia essa versão “pé na areia” do bairro do Paquetá ou imaginava que o comércio de lenha era tão forte na Santos antiga? Deixe seu comentário! 🔰


