Trem de Passageiros Santos Juquiá (São Paulo)

Trem de passageiros operado primitivamente pela Southern São Paulo Railway e depois pela Sorocabana e pela Fepasa, ligando Santos a Juquiá, no Vale do Ribeira. Em janeiro de 1977 o trem deixou de operar, voltando a fazê-lo em 1982. Em novembro de 1997, o trem foi definitivamente extinto.

Composição passando por sobre o rio Itanhaém, sentido Peruíbe, nos anos 1980 (Foto Paulo Szabadi).
  • Southern São Paulo Railway (1913-1926)
  • Sorocabana (1926-1971)
  • Fepasa (1971-1997)
  • Bitola: métrica.

Percurso: Santos a Juquiá, todo ele pelo ramal de Juquiá, num percurso de 179 km. Em 1973, a linha foi prolongada até Cajati, mas nesse novo trecho seguiam apenas cargueiros. Os trens de passageiros foram suspensos no final de 1997 (Santos-Juquiá). O de cargas, até Cajati, existiu até 2003. Hoje (2012) a linha está abandonada, entre Samaritá e Cajati.

Percurso: Santos a Juquiá, todo ele pelo ramal de Juquiá, num percurso de 179 km. Em 1973, a linha foi prolongada até Cajati, mas nesse novo trecho seguiam apenas cargueiros. Os trens de passageiros foram suspensos no final de 1997 (Santos-Juquiá). O de cargas, até Cajati, existiu até 2003. Hoje (2012) a linha está abandonada, entre Samaritá e Cajati.

Origem da linha: Santos (Ana Costa) – Juquiá – 1915. Por volta de 1990, o trecho final da linha, em Juquiá, passou a ser feito até a estação de Juquiá nova, a cerca de 500 metros da estação original, abandonando-se esta.

Origem da linha: Santos (Ana Costa) – Juquiá – 1915. Por volta de 1990, o trecho final da linha, em Juquiá, passou a ser feito até a estação de Juquiá-nova, a cerca de 500 metros da estação original, abandonando-se esta.
Origem da linha: Santos (Ana Costa) – Juquiá – 1915. Por volta de 1990, o trecho final da linha, em Juquiá, passou a ser feito até a estação de Juquiá-nova, a cerca de 500 metros da estação original, abandonando-se esta.
Origem da linha: Santos (Ana Costa) – Juquiá – 1915. Por volta de 1990, o trecho final da linha, em Juquiá, passou a ser feito até a estação de Juquiá-nova, a cerca de 500 metros da estação original, abandonando-se esta.

Era este um dos trens de passageiros mais tradicionais do Estado. Passava pela Praia Grande, vindo de Santos, e a seguir pelo vale do Ribeira, depois de atravessar a região de Pedro de Toledo. Terminava a viagem na estação de Juquiá, à beira do do rio do mesmo nome. Diversos tipos de composições passaram pelo ramal, inclusive o célebre Ouro Branco, a partir de 1957, este vindo de Júlio Prestes e não de Santos/Anna Costa). Em 1938, por exemplo, os relatórios da Sorocabana anunciavam a existência de 3 jardineiras (automotrizes) na rota Santos Juquiá. Duas com lotação de 34 passageiros e uma com lotação de 20. Deviam ser ônibus adaptados.

Trem aguardando partida na estação do Suarão, em 1956. Notar os caros de madeira.
Trem aguardando partida na estação do Suarão, em 1956. Notar os caros de madeira.

Os trens de passageiros foram desativados em janeiro de 1977, quando já operava apenas um trem misto. Voltaram em 1983: “No início de 1977 a Santos Juquiá estava praticamente desativada, apenas com um trem de carga diário em cada sentido, com um carro de passageiros de madeira no final. Se não me engano ele era tracionado por uma “Espanta Demônio” (AS-616). Fiquei surpreso na época por ver que o bar da estação de Mongaguá continuava operante, embora o movimento de passageiros fosse ridículo. Fico ainda mais surpreso em constatar que ele continua firme e forte, quase trinta anos depois” (Antônio Gorni, 2007).

Em propaganda de 1949 do jornal Folha da Manhã, o lançamento de um novo bairro na Praia Grande usa o trem da Santos-Juquiá para romancear a cena (Folha da Manhã, 19/6/1949).
Em propaganda de 1949 do jornal Folha da Manhã, o lançamento de um novo bairro na Praia Grande usa o trem da Santos-Juquiá para romancear a cena (Folha da Manhã, 19/6/1949).
Em propaganda de 1949 do jornal Folha da Manhã, o lançamento de um novo bairro na Praia Grande usa o trem da Santos-Juquiá para romancear a cena (Folha da Manhã, 19/6/1949).

Na década de 1970, o destino dos trens procedentes de Júlio Prestes era Peruíbe. Para Juquiá eram apenas os que saiam de Santos” (Carlos R. Almeida, 09/2006). Até os últimos anos (anos 1990), os trens no ramal tinham uma alta frequência de passageiros: seu desaparecimento em 1997 foi sentido por todos, pois era um meio de transporte barato que levava a população mais necessitada a Santos, evitando a estrada e as avenidas da Praia Grande, sempre com grande movimento.

Foi graças a esse trem que cidades como Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe e mesmo as do Vale do Ribeira, Miracatu e Juquiá, cresceram, cidades que até o início dos anos 1960 não tinham rodovias de acesso decentes e dependiam demais do trem. “Íamos de Mongaguá até Santos (visitar minha “tia rica” no Gonzaga) de manhã e voltávamos à tarde. Curioso, não tenho foto alguma dessas viagens. Quando recebi sua resposta, procurei para ver se encontrava alguma, e nada. Não me lembro de como eram os vagões (os do Ouro Verde me lembro que eram bonitos – acho que nós íamos na primeira classe pois eles eram “grandes” e “confortáveis” – lembre-se de que eu era uma criança de 12 ou 13 anos). Já os puxados pelas vaporosas, não me lembro” (Cleantes, 08/2006). “Lembro-me que meu pai despachava nossas compras através da ferrovia para nossas viagens até Mongaguá com uma semana de antecedência. Saíamos de Sorocaba de madrugada onde logo desembarcávamos na cidade de Mairinque, onde então descíamos a serra até chegarmos na estação de Samaritá. Aguardávamos o trem que vinha de Santos com destino a Juquiá, logo então pela janela do trem podíamos ver o mar, já que este ramal passa por muitos quilômetros em cidades praianas” (Luiz Carlos, 08/2005).

Chegada do trem em Itanhaém, anos 1980. (Foto Paulo Szabadi).
Chegada do trem em Itanhaém, anos 1980. (Foto Paulo Szabadi).
Tabela de preços em 1983, quando foram reativados pela FEPASA.

O ramal de Juquiá às vezes tinha trens que podiam seguir da descida da serra direto para o ramal, pelo texto a seguir: “Do Ouro Branco eu tenho até fotografia na parede, porque era com ele que a gente ia infalivelmente uma vez por mês para Itanhaém, quando ainda nem rodovia tinha de Santos até lá. Na verdade nem sempre era no Ouro Branco, de vez em quando a gente ia em composição normal mesmo, mas que era todo mês, isso não falhava. Houve uma época, lembrei agora, que de vez em quando acontecia da composição ser tracionada por diesel no planalto e na serra e lá na baixada trocarem por uma vaporosa, não era comum, mas acontecia. A coisa era assim, depois que as diesel chegaram por lá as locomotivas a vapor ficaram tracionando apenas os cargueiros e os trens de passageiros da “linha da baixada”, eles só iam de Itariri até Santos. Então acontecia do trem que vinha de São Paulo simplesmente ser adicionado no final da composição que estava vindo de Santos quando chegava em Samaritá e a diesel pegar os que vieram “na traseira” do trem vaporoso que ia para Santos e que já estavam por lá esperando e seguir com eles para São Paulo. Mais um detalhe que lembrei, essa composição misturada só ia até Peruíbe, lá os que vieram de São Paulo eram desengatados e os demais, os que saíram de Santos, seguiam até Itariri” (Wanderley Duck, 2006).

O último trem de passageiros, em 1997, em Itanhaém. (Foto Wanderley Duck).


(O Estado de S. Paulo, 27/9/1924).
O “Ouro Branco” em Peruíbe, anos 1950 (Acervo SBF, cedida por Paulo Kramer).

“Demanda de passageiros havia e ainda haveria se o trem não tivesse sido suspenso. No trecho de Santos a Peruíbe, podemos dizer que boa parte seria de turistas. Além, até Juquiá ou mesmo até Cajati, se as estações fossem próximas das cidades ou centro, o movimento seria o normal entre cidades. Da última vez que viajei por ali, peguei o trem em Juquiá para Santos. Foram cerca de 5 horas de viagem. Para a volta, decidimos vir de ônibus para fazer as devidas comparações. Adivinha qual foi o resultado? O tempo de viagem idêntico, com paradas em todas as cidades e o que é pior, o ônibus com o sobe e desce de pessoas e pouco espaço interno acaba se tornando um suplicio. No trem, apesar das paradas e também do sobe e desce, tem muito mais espaço e permite a circulação interna e mesmo uma rápida descida nas estações. Conclusão: muita gente preferia a viagem de trem. E naquele dia, o trem se manteve com raros lugares vagos. Comentário: A estação de Juquiá fica longe do centro, mas no caminho entre a rodovia e a cidade. Então, natural uma pequena caminhada” (Carlos Almeida, 02/2009).

Fonte..:: Estações Ferroviárias

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA ANA COSTA em SANTOS SP: Em Julho de 2938 era inaugurado com a presença do então Presidente da República Getúlio Vargas, o moderno prédio da estação terminal/inicial ferroviária Ana Costa, pertencente a Estrada de Ferro Sorocabana (antiga Southern San Paulo Railway e posteriormente Ferrovias Paulistas S/A – FEPASA).
Foto Antiga Santos SP: Estação Sorocabana na Avenida Ana Costa.
Foto Antiga São Vicente SP: Estação Samaritá (1985).

💬 Espaço do Leitor: 🔰 Diante do potencial histórico e turístico do ramal Santos-Juquiá, você acredita que a reativação de um trem de passageiros na Baixada Santista e no Vale do Ribeira conseguiria impulsionar o desenvolvimento regional de forma sustentável? Deixe sua opinião nos comentários! 🔰

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