Esta é uma fotografia fascinante que captura a essência do comércio no início do século XX em São Vicente. Ela retrata um modelo de negócio que foi a espinha dorsal do abastecimento urbano brasileiro por décadas: o armazém de “Secos e Molhados”.
Texto de..:: Renato Marchesini
Foto Antiga São Vicente SP: (1930) Secos e Molhados “Mercearia” de propriedade do Sr.Adão e do Sr. João Maria Horta na Rua Frei Gaspar no local onde hoje está situado o Supermercado Dia.
Aqui estão alguns pontos interessantes para analisar nessa imagem da Mercearia do Sr. Adão e do Sr. João Maria Horta:
..:: A Organização do Espaço
Diferente dos supermercados atuais (como o “Dia” que ocupa o local hoje), onde o cliente se serve, o armazém de 1930 era baseado no atendimento no balcão.
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Sacos de Mantimentos: Em primeiro plano, vemos grandes sacos de estopa abertos. Provavelmente continham arroz, feijão, farinha ou açúcar, vendidos a granel. O cliente pedia a quantidade exata e o atendente pesava na hora.
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Prateleiras Até o Teto: O uso do espaço vertical era máximo. As prateleiras cobertas de garrafas e latas demonstram uma grande variedade de produtos, desde bebidas alcoólicas até conservas.
..:: Marcas Históricas
Se você observar o lado direito da foto, há um cartaz ou caixa com o nome “ANTARCTICA”. Isso mostra como certas marcas já eram gigantes e onipresentes no cotidiano brasileiro há quase cem anos. A Antarctica, fundada em 1885, era uma das principais fornecedoras de bebidas para esses estabelecimentos.
..:: O Fator Social e Humano
A foto registra três figuras centrais:
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Os Proprietários/Atendentes: Posados atrás do balcão, vestindo o que parecem ser aventais ou camisas claras, transmitindo uma imagem de organização e seriedade.
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O Cliente: À esquerda, vemos um homem sentado, possivelmente lendo um jornal ou aguardando seu pedido. O armazém não era apenas um local de compra, mas um ponto de encontro social da Rua Frei Gaspar, onde se trocavam notícias e fofocas da cidade.
..:: Contexto Urbano (Rua Frei Gaspar)
A Rua Frei Gaspar sempre foi um dos eixos comerciais mais importantes de São Vicente. Ver essa imagem ajuda a entender a transição urbana:
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1930: Um comércio de proximidade, escala humana, onde os donos conheciam os clientes pelo nome e o “caderno de fiado” era comum.
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Hoje: Um supermercado de rede, focado em autosserviço e rotatividade rápida.
Curiosidade: O termo “Secos e Molhados” referia-se à divisão dos produtos: “Secos” eram os grãos, ferragens e enlatados; “Molhados” eram as bebidas (vinhos, cachaças, cervejas) e combustíveis como o querosene.
Essa foto é um tesouro da memória vicentina, documentando não apenas um prédio, mas um estilo de vida que desapareceu com a modernização do varejo.



