Por..:: Renato Marchesini
Ressurgimento do “Cagueta”: Reflexões sobre Liberdade e Vigilantismo
O “cagueta”, como é popularmente conhecido, assumiu o papel de vigia do cotidiano alheio. O discurso é sempre o mesmo: “tem gente na praça”, “tem gente surfando”, “tem gente tentando trabalhar”. Sob o pretexto de proteger a coletividade, observamos, na verdade, atos de agressão contra cidadãos comuns — idosos, trabalhadores e famílias que buscam apenas exercer o seu direito constitucional de ir e vir.
Não se trata de ignorar protocolos, mas de questionar o instinto justiceiro e perverso que muitos extravasaram. Circular não é um ato ilícito. Muitas vezes, a denúncia vazia revela menos uma preocupação com a saúde e mais uma imposição autoritária de quem deseja controlar o próximo. É o perigoso prazer de agir como carrasco em nome de uma suposta superioridade moral.
O mundo sofre uma crise de conceitos e de humanidade, alimentada por aqueles que se julgam superiores, sempre com o dedo pronto para apontar. Há tempos testemunhamos uma inversão de valores sem precedentes. Urge a necessidade de resgatarmos os princípios familiares, morais e éticos; do contrário, caminharemos para um mundo cruel, sombrio e desprovido de luz.
Lembrei-me da célebre canção de Tião Carreiro e Pardinho, “A Coisa Tá Feia”, que diz com maestria: “Colírio de dedo-duro é pimenta malagueta”. É a expressão máxima do “sangue nos olhos” contra quem prefere vigiar a vida alheia a cuidar da própria.
Cuidado com o seu dedo indicador! Lembre-se que, ao apontar para o próximo, a resposta pode vir de forma imediata e proporcional. Julgar alguém é uma tarefa fácil para os covardes; o verdadeiro desafio é colocar a mão na consciência e reconhecer os próprios erros ocultos pela hipocrisia.
Em vez de fiscalizar, procure algo produtivo para fazer. Tenho certeza de que você pode ser solidário, pois há muitas pessoas precisando de ajuda real neste momento. Transforme o seu julgamento em ação positiva.



