Parecia um ato isolado: apenas mais uma pequena loja fechada por decreto municipal. Com as portas cerradas “temporariamente”, o balcão silenciou. Funcionários foram dispensados; outros tiveram seus contratos suspensos no vazio da incerteza.
Por..:: Renato Marchesini
O efeito dominó, porém, não respeita decretos. Um dos vendedores, agora sem renda, trancou a faculdade. Sem alunos, a universidade demitiu o professor. O professor, por sua vez, cancelou a academia, que, incapaz de honrar o aluguel, devolveu o imóvel. O proprietário, sem o rendimento esperado, desistiu da compra do carro novo. A concessionária, diante do pátio cheio e vendas nulas, cortou sua equipe. Desempregados, os vendedores reduziram o consumo ao mínimo essencial, ferindo o comércio e o setor de serviços.
A roda parou. Com o consumo em queda, a arrecadação de impostos despencou. Sem caixa, a prefeitura atrasou salários, e os serviços públicos pararam em greve.
Em meio ao caos instalado, o prefeito, atônito, pergunta: — Tudo isso por causa de uma lojinha? O que ela vendia, afinal?
A resposta veio como um sussurro amargo: — Ela vendia esperança.



