O museu, localizado no Parque Ecológico do Voturuá, em São Vicente, estava fechado e em total abandono desde 2005. A situação interna era crítica: o imóvel estava tomado por cupins, humidade, sujidade e apresentava buracos nas paredes, demonstrando um enorme descaso com o património.
🎨 O Acervo de Geraldo Albertini
- O museu foi inaugurado originalmente em 13 de maio de 1976. O seu acervo contava com cerca de 800 obras do artista plástico Geraldo Albertini, que viveu na cidade.
- As peças, muitas feitas em barro e extremamente sensíveis, retratam a história dos escravizados. Para garantir a integridade na remoção, foi necessário o apoio de um artesão que trabalhou com o próprio Albertini.
✊ Mobilização e Resgate das Obras
- O Conselho de Defesa do Património Histórico e Cultural da cidade criou um grupo de trabalho para catalogar, fotografar, limpar e retirar as obras do local degradado, transferindo-as para um espaço seguro dentro do próprio parque.
- O vídeo regista um abraço simbólico ao museu, um ato de cidadania da sociedade civil organizada para exigir a valorização e o restauro do espaço.
🏆 A Vitória do Tombamento
- O ponto alto do vídeo é o anúncio do tombamento oficial do imóvel pela prefeitura, realizado na segunda-feira, 29 de outubro de 2012.
- Renato Marchesini destaca que o tombamento é um marco que permite, a partir de agora, trabalhar no restauro da edificação e garantir que este património seja preservado para a posteridade.
..:: 30 de Outubro de 2012: O Dia em que a Cidadania Salvou a Memória
O dia 30 de outubro de 2012 tornou-se um marco histórico para São Vicente (SP). Mais do que uma data no calendário, ele representa a vitória da mobilização popular sobre o abandono do patrimônio histórico-cultural.
..:: A Cronologia de uma Luta:
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13 de Maio de 1976: Inauguração do Museu dos Escravos, um espaço dedicado à memória e reflexão.
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1990: O imóvel passa por reforma e é inaugurado como a Casa de Angola, fortalecendo os laços culturais.
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2005: Início de um período sombrio: o fechamento do local e o início de um abandono que duraria anos.
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Final de 2011: O CONDEPHAAT-SV protocola a solicitação oficial de tombamento do imóvel.
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08 de Setembro de 2012: O jornal A Tribuna publica uma matéria denunciando o descaso, dando visibilidade pública ao problema.
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24 de Outubro de 2012: Durante reunião do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo), a Sociedade Civil se mobiliza. Ficou definido que, no dia 30 de outubro, parte das obras de Geraldo Albertine seria retirada e catalogada para proteção.
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A Mobilização “SOS Museu dos Escravos”: Nos dias seguintes, uma rede de cidadãos se articulou via internet e e-mails. O objetivo era realizar um abraço simbólico no prédio no dia 30 de outubro, pressionando a administração pública pelo tombamento imediato, restauro e uso racional do espaço. A imprensa foi convocada para amplificar o clamor popular.
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29 de Outubro de 2012 – A Vitória Antecipada: Sob forte pressão social, a Prefeitura de São Vicente reconheceu a relevância histórica do local e realizou o tombamento oficial do Museu dos Escravos.
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30 de Outubro de 2012: Durante o ato de cidadania, os manifestantes receberam em primeira mão a notícia da vitória conquistada no dia anterior.
A Lição e os Próximos Passos
O tombamento foi um passo jurídico fundamental, mas a batalha não termina aqui. Tombar é proteger, mas é preciso restaurar. O desafio atual é viabilizar o restauro arquitetônico do imóvel e a recuperação das obras de arte, garantindo que o local cumpra sua função social e cultural.
Este episódio deixou uma lição indelével: unidos somos fortes. Quando a sociedade atua como uma unidade em prol do bem comum, o poder público é obrigado a ouvir.
A luta pela nossa história continua!


