
O Coração do Planalto
No peito do Brasil o Cerrado se estende,
Chão de terra vermelha e de galho retorcido,
Onde o Ipê floresce e a alma compreende
Que a vida brota forte no campo ressequido.
É o berço das águas, tesouro do chão,
Onde a fauna descansa em divina união.
Pirenópolis guarda o tempo em seus muros,
Entre pedras quartizito e janelas de cor.
Nas Cavalhadas, ritos e sonhos seguros,
O Divino abençoa com fé e vigor.
O povo, num riso de pura bondade,
Oferece o café e a hospitalidade
Nesta joia de história e de rara beldade.
Mais adiante, o traço de um mestre se eleva,
Brasília* surge branca, em linhas de luz.
Patrimônio da Humanidade que a todos releva,
Onde o céu é o mar que ao horizonte conduz.
Palácios de vidro, o Catetinho, a Catedral,
Erguidos por mãos de um povo central
Que fez da utopia um destino real.
Unidos pela estrada, pela flora e pelo sol,
Neste solo sagrado de tanta cultura,
Onde o povo recebe, qual um girassol,
Quem busca o descanso ou a nova aventura.
Entre cachoeiras e o concreto que brilha,
Vive a alma do Cerrado, de Piri e Brasília.
Renato Marchesini


