A história do antigo Hotel Balneário Marinho está relacionada à trajetória de Abílio Smith de Camargo Barros (1882–1963) e de sua esposa, Amélia Alves da Cunha Mattos (1886–1964), casal pioneiro ligado à história e ao processo de desenvolvimento de Mongaguá, no litoral paulista.
Por ..:: Renato Marchesini: Historiador com Pós-Graduações em História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio e Mestre em Ciências.

💍 O casamento e a formação da família
Abílio Smith de Camargo Barros e Amélia Alves da Cunha Mattos casaram-se em 5 de fevereiro de 1902. A trajetória do casal está inserida em um período no qual a região de Mongaguá ainda apresentava características de uma pequena comunidade litorânea, antes de sua emancipação política e administrativa.
Nas primeiras décadas do século XX, a ocupação da região começou a ganhar novos contornos com a abertura de caminhos, a implantação de loteamentos, a circulação de viajantes e o surgimento de empreendimentos voltados à hospedagem e ao aproveitamento turístico da faixa litorânea.
🏘️ Abílio Smith e o desenvolvimento urbano
Abílio Smith de Camargo Barros é apontado como um dos acionistas e fundadores da Companhia de Melhoramentos da Praia Grande, criada em 1913.
A atuação dessa companhia esteve relacionada ao processo de ocupação e urbanização de diferentes áreas do litoral, incluindo regiões que posteriormente fariam parte da expansão urbana de Mongaguá.
Entre as localidades associadas a esse processo estão o Centro de Mongaguá, Jardim Marina, Jardim Aguapeú, Vila Arens e Vila Sorocabana.
A abertura e organização desses loteamentos contribuíram para modificar gradualmente a paisagem local, estimulando a chegada de novos moradores e criando condições para o crescimento urbano e para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao lazer e ao turismo.
🏨 A relação com o Hotel Balneário Marinho
A presença de Abílio Smith e Dona Amélia na história do Hotel Balneário Marinho deve ser compreendida dentro desse contexto de transformação da região.
O hotel, construído em 1910, tornou-se um importante ponto de hospedagem e apoio para viajantes que percorriam o litoral sul paulista em uma época em que as condições de transporte eram muito diferentes das atuais.
A administração do estabelecimento pelo casal demonstra como a atividade hoteleira, a ocupação urbana e o desenvolvimento dos primeiros balneários estavam interligados durante esse período de formação de Mongaguá.
Posteriormente, o hotel passou para a filha do casal, Chiquita Smith, mantendo a ligação da família com a história do estabelecimento.
🌊 Mongaguá antes da emancipação
Durante esse período, Mongaguá ainda pertencia administrativamente a Itanhaém.
A transformação da paisagem local ocorreu de maneira gradual, acompanhando a expansão dos loteamentos, a melhoria das conexões de transporte e o crescimento do número de moradores e visitantes.
A criação de áreas destinadas à ocupação urbana e ao uso como balneário contribuiu para consolidar uma nova relação da população com o litoral, fortalecendo, progressivamente, a vocação turística da região.
Esse processo antecedeu a emancipação político-administrativa de Mongaguá, ocorrida em 1959, marco fundamental na história do município.
🛣️ Avenida Abílio Smith
A memória de Abílio Smith de Camargo Barros permanece registrada na própria paisagem urbana de Mongaguá.
Como homenagem à sua trajetória e à sua participação no processo de desenvolvimento da região, uma importante via do município recebeu o nome de Avenida Abílio Smith, localizada no bairro Jardim Aguapeú.
A denominação da avenida representa uma referência permanente à memória de um personagem associado à urbanização e à formação de áreas que contribuíram para o crescimento de Mongaguá.
🏛️ Patrimônio, memória e identidade de Mongaguá
A trajetória de Abílio Smith de Camargo Barros e Amélia Alves da Cunha Mattos permite compreender parte das transformações ocorridas em Mongaguá durante as primeiras décadas do século XX.
O casal está inserido em uma história que envolve empreendimentos hoteleiros, formação de loteamentos, expansão urbana, circulação de viajantes e desenvolvimento da atividade turística.
Quando essa trajetória é relacionada ao antigo Hotel Balneário Marinho e aos primeiros núcleos de ocupação urbana, torna-se possível perceber como diferentes iniciativas contribuíram para transformar uma pequena comunidade litorânea em um município com identidade própria.
Preservar essa memória significa reconhecer não apenas os edifícios históricos, mas também as pessoas, famílias e iniciativas que participaram da construção da história de Mongaguá.


