Turismo na Baixada Santista: O Desafio da Burocracia e a Luta pelo Receptivo Regional

Há muito tempo, nós, das agências de turismo receptivo da Baixada Santista, lutamos para desenvolver o Circuito Turístico de forma sustentável. No entanto, faltam incentivos e atitude das autoridades. O problema se arrasta há mais de dez anos.

Título: Bronca do Agente Subtítulo: Livre circulação para agências de receptivo na baixada

Autor: Renato Marchesini, Turismólogo e Gestor de Projetos.

Matéria Vinculada: Sindetur – SP:  Sindicato das Empresas de Turismo do Estado de São Paulo. Edição 88 / Fevereiro 2014.

No passado, entre as décadas de 60 e 70, as cidades do litoral recebiam o turista de um dia. Vários ônibus permaneciam estacionados ao longo da faixa de areia sem qualquer regra ou limitação. Famílias traziam o que comer e não se importavam com o lixo que produziam. O fluxo desordenado e a falta de infraestrutura dos municípios geraram diversos problemas, entre eles o excesso de sujeira na areia, mar, ruas e praças.

O tempo passou e a reurbanização da orla com estacionamentos, espaço para o comércio, sanitários, lixeiras e áreas de lazer trouxeram ordem à visitação de turistas. Agora, grupos de visitantes a bordo de vans, micro-ônibus e ônibus precisam de autorização para circulação dos veículos. As mudanças foram benéficas, mas não podemos esquecer que prejudicaram o turismo e a economia local.

Cada cidade tem regras próprias para a circulação de veículos de turismo. Em alguns casos, há um órgão específico para o assunto, noutros a divisão é feita por perfil: terceira idade, esporte, social, lazer. É um conjunto de burocracias que complica e dificulta cada vez mais a organização de roteiros para visitação regional. Tornou-se uma verdadeira jornada conseguir as tais autorizações de circulação, sendo muitas vezes inviáveis em razão das taxas cobradas das Agências de Turismo receptivo regional. Desestimula o agente e faz com que os grupos organizados optem por passeios a outros locais com menos entraves.

Alternativas viáveis:

  • a) Poderia haver uma lei ou acordo entre as cidades que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista. Seria como um selo ou certificado estabelecendo a livre circulação, sem taxas e burocracias, para as Agências de Turismo receptivo regional.
  • b) A instituição de um órgão regulador único.
  • c) Sistema online de integração entre as cidades, no qual as Agências constituídas nos municípios da região e cadastradas no Ministério do Turismo fariam a venda direta ao consumidor final. Neste caso, excursões com veículo de turismo próprio pagariam as taxas de circulação ou contratariam uma Agência de Turismo receptivo regional, que seria responsável pelo grupo.

Em fevereiro de 2013, na reunião do Conselho Estadual de Turismo, levamos em conjunto com o Santos e Região Convention & Visitors Bureau nossas percepções e ideias sobre o assunto. Sob sugestão do próprio Conselho, em março de 2013 foi elaborado e entregue ofício ao secretário de Turismo do Estado de São Paulo, Cláudio Valverde, para a presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (CONDESB), Ana Maria Preto. Quase um ano se passou desde que apresentamos nosso pleito, nada mudou e as autoridades em nenhum momento entraram em contato conosco.

Chegou a hora de descruzar os braços, movimentar o turismo e incentivar o desenvolvimento sustentável. Queremos consolidar o Circuito Turístico Regional da Baixada Santista. O desafio é grande!

Fonte..:: Sindetur-SP:  Sindicato das Empresas de Turismo do Estado de São Paulo. Edição 88 / Fevereiro 2014.

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