Aventura no Manguezal: Canoagem Ecológica no Mar Pequeno, na Baixada Santista

Jornal A Tribuna – Domingo, 28 de janeiro de 2018 – Página A-4 (Cidades)

Título: Aventura no Manguezal

Percorrer o Mar Pequeno em canoas é uma reconfortante experiência de paz e de cuidado com a natureza local.

📰 Reportagem: Fernando Degaspar / Crédito das fotografias: Alberto Marques.

No meio da selva de concreto, a Baixada Santista ainda esconde rios e manguezais pouco explorados. Para conhecê-los é preciso um bocado de disposição e algum espírito aventureiro. A recompensa são fotos belíssimas e algumas horas de paz e silêncio, difíceis de se ter hoje em dia.

A expedição sai do Portinho, em Praia Grande. A bordo de canoas canadenses feitas de fibra de vidro, os aventureiros recebem um colete salva-vidas e um remo de madeira. Cada barco comporta duas ou três pessoas. Todas têm de estar dispostas a remar.

Vestir roupas leves e claras e estar protegido do sol são alguns dos mandamentos do passeio. Por isso, protetor solar e chapéu são indispensáveis. Fundamental mesmo é o repelente: com ele, nenhum inseto incomoda.

O Mar Pequeno, como a região é conhecida, é um braço de mar de águas calmas. Justamente por isso, não existe a menor possibilidade de as canoas virarem. Olhando no mapa, o lugar fica próximo à Baía de São Vicente e faz parte do bioma Mata Atlântica.

“A gente acaba explorando bastante a região, só que mais na praia”, diz a enfermeira Raquel Souza. “Não temos a noção de como a Baixada Santista é grande aqui pra dentro”, completa o marido dela, o empresário André Pereira.

🌿 Fauna e flora

Renato Marchesini, formado em Turismo e pós-graduado em Ecologia, é o guia e comanda esse tipo de jornada na região há 13 anos.

“Aquela é a maior garça das Américas”, diz ele, se referindo a uma maguari, que estava apoiada em um galho perto de nós e, de repente, levantou voo. Suas asas, de ponta a ponta, medem 1,80 metro.

Inúmeras espécies de animais aparecem ao longo do percurso. “Já vi jararaca nadando e até jacaré-de-papo-amarelo”, revela Renato.

Vez por outra, cardumes de peixes pulam na água. “Às vezes, um deles cai dentro do barco”, conta Renato. “Quando fazemos o passeio à noite, com lanternas, a chance aumenta”, completa. As expedições noturnas só saem com lua cheia.

Alguns pontos do rio estão tão rasos que é preciso descer do barco e puxá-lo. Aí é o momento de sacar o celular e fazer fotos inesquecíveis. Nessa hora, quem fica atento pode ver siris tão grandes e gordos quanto uma manga.

Uma das paradas para descansar os braços e observar a natureza é dentro do mangue. A sonoplastia fica por conta dos caranguejos que, por toda parte, produzem estalos quando entram em suas tocas.

“Esse tipo de aventura faz a gente se reequilibrar. Conseguimos incorporar coisas muito importantes para o dia a dia”, avalia o coach João Paiva, que levou a mulher e a filha.

Depois de duas horas remando, não há como negar uma certa sensação de alívio quando o Portinho é novamente avistado. O passeio só fica completo, entretanto, se o aventureiro recolher todo o lixo que passa perto dos barcos.

🛶 Prepare-se – Canoagem ecológica no manguezal

  • Grau de dificuldade: moderado.
  • Equipamento: canoas canadenses, remo de madeira e colete salva-vidas.
  • Duração: cerca de duas horas.
  • Percurso: partida e chegada no Portinho, de Praia Grande, passando por rios e manguezais da região, onde são vistos animais e plantas do bioma Mata Atlântica.
  • Recomendações: usar protetor solar, passar repelente e usar roupas claras.

🥾 Mais passeios

▶️ Trilhas e cachoeiras – Guaperuvu, Itanhaém

Em meio à Mata Atlântica, os aventureiros percorrem uma trilha de meia hora, com grau de dificuldade médio, pela cachoeira Três Quedas, a de maior vazão na região da Serra do Guaperuvu. No meio do caminho, o visitante se depara com um poço natural conhecido como Lagoa Azul, com cerca de 20 metros de diâmetro e 1,5 metro de profundidade durante o verão. O roteiro inclui, ainda, as corredeiras do Rio Branco e uma figueira de 30 metros de altura. O passeio dura cerca de quatro horas.

▶️ Trilhas da Figueira – Peruíbe

Ideal para quem curte observação de aves (birdwatching). O trajeto passa por caminhos de rios cristalinos e populações caiçaras, indo até o porto da Figueira. No local, o grupo pega uma embarcação que navega pelo Rio Perequê, passando por manguezais. Após 50 minutos navegando, o grupo caminha 20 minutos até a Cachoeira das Palmeiras, perfeita para se refrescar em meio à Mata Atlântica. O passeio dura quatro horas e tem grau de dificuldade moderado.

▶️ Trilha da Ruína – Santos

A trilha tem extensão de seis quilômetros (ida e volta), com o primeiro trecho realizado na planície costeira. O segundo passa pelo sopé da Serra do Mar, em meio à Mata Atlântica. O roteiro inclui córregos, grandes árvores, vegetação rasteira, arbustiva e cachoeira que forma uma bela piscina natural. O local abriga ruínas, com história desconhecida. A caminhada parte do posto rodoviário da Rodovia Rio-Santos, é de grau leve de dificuldade e demora seis horas.

Fonte..:: Jornal A Tribuna, Domingo, 28 de Janeiro de 2018.

Para Roteiros de Turismo na Baixada Santista / WWW.R9TURISMO.COM

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