Para a maior parcela dos empreendedores, sobretudo os micro e pequenos, o empreendedorismo surgiu como uma oportunidade diante da ausência de emprego ou renda. Eles investiram seus parcos recursos naquilo que deveria garantir o “ganha-pão” familiar.
Vivemos em uma nação de endividados e pobres, onde a sobrevivência é diária. Para obter crédito, exigem-se garantias que a maioria não detém. Reitero: não existe essa história de “mesmo barco”. A dignidade humana deve preceder qualquer crise sanitária.
Sob um olhar holístico, o verdadeiro gargalo é a desigualdade social, negligenciada sistematicamente. A realidade é que a maioria optaria pelo isolamento se tivesse condições financeiras para tal. A atual situação é fruto de uma irresponsabilidade coletiva e política frente à miséria. Enquanto isso, a “Sociedade do Espetáculo” aponta o dedo e julga o trabalhador, ecoando um discurso midiático elitista e desconectado da realidade das ruas.
Não se enganem: a elite não passou a se importar com a miséria. O incômodo surge porque o necessitado, obrigado a ir para a rua garantir o pão, torna-se um vetor biológico que ameaça a bolha dos privilegiados.
É a Teia da Vida mostrando que estamos todos conectados. Fica a pergunta: o nosso mal é o vírus ou a desigualdade? No fim das contas, o que é mesmo essencial?
Outras pandemias virão. A vacina definitiva chama-se equidade. Sem um mundo mais justo, estaremos sempre vulneráveis.




