(COVID-19) O “Novo Turismo” para Destinos e Empresas Turísticas

Estamos vivendo um momento único neste século. No que tange ao turismo, a atividade já superou diversas crises, sejam elas econômicas ou causadas por fenômenos naturais — como a destruição de destinos inteiros por chuvas, furacões, vulcões, terremotos e tsunamis. Em cada um desses episódios, o setor, com o devido planejamento, soube se reinventar.

Por..:: Renato Marchesini

Para traçar novas estratégias, precisamos entender qual será o papel do turismo neste “novo mundo”. É o momento de definirmos: que tipo de turismo queremos oferecer? Que perfil de turista desejamos atender? Qual é o nosso posicionamento e como queremos ser reconhecidos? E, principalmente, qual é o nosso propósito — o “porquê” fazemos o que fazemos.

Essas são perguntas que todos os gestores de destinos, empresários e dirigentes deveriam se fazer. Nada melhor do que este período para rever conceitos, objetivos, público-alvo e as estratégias de cada empresa ou destino.

O turismo é uma atividade estratégica com capacidade única de se reerguer e movimentar mais de 50 setores da economia, gerando emprego e renda. Por isso, é preciso abordar o tema de maneira responsável, profissional, transparente e gradual, acompanhando o desenrolar dos fatos.

Como será a retomada?

A recuperação do turismo será gradual e deve acontecer em três fases:

  1. Turismo Regional (Doméstico): Viagens de proximidade, utilizando carro próprio.

  2. Viagens Nacionais (Interno): Expansão para outros estados e malha aérea nacional.

  3. Viagens Internacionais: A última etapa da retomada.

Quando voltaremos a viajar normalmente? Ninguém sabe a data exata, mas a atividade retornará com força assim que a pandemia estiver controlada e a sensação de segurança for restabelecida. Estimativas indicam que uma recuperação mais significativa ocorra em meados de 2021, dependendo do controle sanitário, das decisões políticas e do avanço de medicamentos ou vacinas.

O que destinos e empresas podem fazer agora?

Assim como o teletrabalho e a educação a distância se consolidaram, o turismo também terá que se adaptar. Teremos novas demandas e um cenário onde o digital ganha um papel ainda mais relevante. Destinos e profissionais precisarão inovar e buscar soluções criativas para atender aos novos desejos dos consumidores.

Segurança e Inspiração como Pilares: A segurança, que já era importante, torna-se um atributo chave. A partir de agora, ela terá um peso decisivo na escolha do destino, da hospedagem e da gastronomia. A comunicação das marcas deve transmitir confiança, focando em:

  • Protocolos Sanitários: Divulgar as medidas de segurança adotadas.

  • Flexibilidade: Oferecer políticas claras de cancelamento ou alteração.

  • Capacitação: Aproveitar o momento para corrigir falhas e desenvolver novas habilidades em gestão, tecnologia, sustentabilidade e marketing digital.

  • Inspiração: Manter o desejo do viajante vivo, alimentando seus sonhos para as próximas férias.

O Mundo Digital

As campanhas online são essenciais para manter ou criar posicionamento. Se um destino ou marca ainda não possui uma estratégia de marketing digital, o momento de organizar esse plano é agora. Quem já possui presença online — com bons sites, blogs e vídeos — sai na frente. Muitos destinos já promovem visitas virtuais para que o turista “viaje” digitalmente antes de visitá-los de verdade.

Tendências e Comportamento

No primeiro momento pós isolamento, ganharão destaque:

  • Atividades Exclusivas: Roteiros para pequenos grupos ou privativos.

  • Contato com a Natureza: Experiências ao ar livre e reencontros familiares.

  • Turismo de Pequena Escala: Valorização de experiências personalizadas e autênticas, onde o viajante vive o destino “como um local”.

Segmentos em alta:

  • Turismo rural e de natureza (ecoturismo);

  • Saúde e bem-estar;

  • Observação de aves e turismo de aventura;

  • Turismo comunitário, náutico e gastronômico.

O que os visitantes buscam:

  • Padrões rigorosos de segurança alimentar e sanitária;

  • Destinos menos lotados e sem aglomerações;

  • Empresas digitalizadas que facilitem a compra online.

Conclusão

Todos fomos impactados, e este é o tempo de reavaliar e reinventar. O futuro do turismo é breve e promissor, mas exigirá agilidade e criatividade para lidar com um mercado mais competitivo.

Como disse Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

Muita Luz… Renato Marchesini

 
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