Santos é mundialmente conhecida por seu porto e suas praias, mas existe uma cidade pulsante que vive além dos roteiros tradicionais. Hoje, recebemos Renato Marchesini para nos mostrar como o Turismo de Base Comunitária está transformando realidades da Baixada Santista . Mais do que contemplar paisagens, o TBC propõe um mergulho na identidade local, valorizando quem faz a cultura santista acontecer.

Para detalhar os locais e as estratégias sob a ótica de Renato Marchesini, é preciso entender que o trabalho dele se baseia no conceito de que a comunidade não é o “cenário” do passeio, mas sim a protagonista e a principal beneficiada economicamente.
Abaixo, apresento os principais pontos focais e a metodologia de implantação que Renato costuma defender:
1. Principais Locais de TBC em Santos
Renato Marchesini frequentemente destaca áreas onde a identidade cultural e a preservação ambiental são os pilares:
- Ilha Diana: Talvez o maior exemplo de TBC em Santos. Uma comunidade caiçara tradicional na área continental. O foco aqui é a gastronomia (mariscos), o artesanato e o modo de vida isolado da correria urbana.
- Monte Serrat: Para além do santuário, o foco é a história do morro, as escadarias e a vivência dos moradores, transformando o caminho em uma experiência de patrimônio vivo.
- Caruara: Localizado na área continental, é o portal para o ecoturismo e a agricultura familiar, onde o turista aprende sobre o bioma da Mata Atlântica diretamente com quem protege a terra.
- Vila Progresso: Um olhar voltado para o ponto mais alto de Santos, focando na vista panorâmica e na resiliência da comunidade local.
2. Estratégias de Implantação (A Metodologia Marchesini)
A implantação de um projeto de TBC não é de cima para baixo. Sob a ótica de Renato, as estratégias seguem estes eixos fundamentais:
A. Diagnóstico Participativo e Sensibilização
O projeto não começa com turistas, mas com os moradores. A estratégia consiste em ouvir a comunidade para entender se ela quer receber visitantes e o que ela considera sagrado ou privado.
- Ação: Reuniões circulares para identificar o que os moradores têm orgulho de mostrar.
B. Inventário de Potencialidades Locais
Renato trabalha no mapeamento do “patrimônio invisível”: a receita de um doce local, a técnica de conserto de redes de pesca ou as lendas contadas pelos mais velhos.
- Estratégia: Transformar saberes cotidianos em produtos turísticos formatados, garantindo que o valor histórico seja respeitado.
C. Capacitação e Autogestão
A meta de Marchesini é a autonomia. A comunidade deve aprender a precificar seus serviços, gerir as reservas e guiar os visitantes sem dependência total de agências externas.
- Foco: Treinamento em hospitalidade, segurança e manipulação de alimentos, sempre mantendo a autenticidade (evitando a “folclorização” para agradar turista).
D. Redes de Cooperação e Sustentabilidade
Nenhum local de TBC sobrevive isolado. A estratégia inclui conectar a comunidade com guias de turismo conscientes (como o trabalho feito com Marcos Godoy) e órgãos públicos.
- Modelo de Negócio: Garantir que a maior parte da renda gerada fique diretamente nas mãos das famílias locais, criando um ciclo econômico sustentável que desencoraja o êxodo rural/comunitário.
..::O Diferencial do Olhar de Renato
O que diferencia os projetos elaborados por Renato é o equilíbrio ético. Ele defende que o turismo deve servir à comunidade, e não a comunidade servir ao turismo.
- Contextualização: Mostrar que Santos tem uma face “escondida” na área continental e nos morros.
- O Método: Explicar que o TBC é uma ferramenta de inclusão social, não apenas lazer.
- Os Resultados: Citar como locais como a Ilha Diana se tornaram referência nacional graças a essa organização de base.
“O sucesso de um projeto de TBC não é medido pelo número de visitantes, mas pela qualidade da interação e pelo fortalecimento da autoestima do morador.” Renato Marchesini


