Por que Investir no Turismo? O Efeito Multiplicador que Movimenta Toda uma Cidade

De uma forma prática, vamos exemplificar e mexer com o seu imaginário. Imagine que um turista chega a uma determinada localidade para permanecer por dois dias, em uma viagem de lazer. Durante esse período, ele paga por hospedagem, agência de receptivo, passeio de barco, alimentação e bebidas, transporte coletivo ou alternativo, táxi, mototáxi, além de comprar artesanatos, souvenirs e outros produtos e serviços.

Por ..:: Renato Marchesini / Bacharel em Turismo, Historiador, Geógrafo e Biólogo, com Pós-Graduação em Ecoturismo, Gestão Pública, Gestão em Projetos, RH e Projetos Sociais, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Direitos Humanos, História do Brasil (Contemporânea, Indígena e Afro-brasileira), História da América, Arqueologia e Patrimônio e Mestre em Ciências.

💰 Por que investir no turismo?

Agora vem a pergunta: quem se beneficiou com a presença desse turista? Foram somente os profissionais e empresas diretamente envolvidos com os serviços que ele contratou?

A resposta é um enfático não! O turismo possui uma característica extremamente importante: seu impacto econômico ultrapassa os limites das empresas que atendem diretamente o visitante.

O dinheiro gasto pelo turista começa a circular pela economia local e pode alcançar diversos outros setores. Esse fenômeno é conhecido como efeito multiplicador do turismo.


🔄 Como funciona o efeito multiplicador do turismo?

Vamos voltar ao nosso exemplo.

O estabelecimento de hospedagem recebeu pelo período em que o turista permaneceu na cidade. Porém, esse dinheiro não necessariamente fica parado no caixa do hotel, da pousada ou do hostel.

O empreendimento precisa comprar alimentos, bebidas, produtos de limpeza, roupas de cama, materiais de manutenção, equipamentos, serviços de lavanderia, tecnologia, publicidade e diversos outros insumos.

Assim, parte da receita gerada pela hospedagem chega a mercados, padarias, fornecedores, lavanderias, empresas de manutenção, prestadores de serviços e outros negócios.

O mesmo acontece com os demais integrantes da cadeia turística.

A agência de turismo pode contratar serviços de comunicação, adquirir materiais de escritório, utilizar sistemas tecnológicos, contratar guias e condutores ou terceirizar determinados serviços.

O barqueiro poderá investir na manutenção da embarcação e na aquisição de equipamentos de segurança, como novos coletes salva-vidas.

O restaurante poderá comprar novos talheres, utensílios, equipamentos, alimentos e bebidas, além de contratar mão de obra.

O taxista poderá utilizar parte de sua receita para combustível, manutenção do veículo, pneus, seguros, impostos e outros custos relacionados à atividade.

O artesão ou vendedor de souvenirs poderá comprar novas matérias-primas, embalagens, materiais de divulgação ou ampliar sua produção.

E todos esses profissionais e empresas poderão, por sua vez, contratar outros serviços e realizar novos investimentos.

São apenas alguns exemplos de uma cadeia muito maior.


🏪 O turismo movimenta setores que nem sempre são percebidos

É justamente nesse ponto que muitas pessoas não percebem a dimensão econômica do turismo.

À primeira vista, pode parecer que o turismo beneficia apenas hotéis, pousadas, restaurantes, agências, guias, atrativos, transportadoras e empresas de entretenimento.

Mas a realidade é muito mais ampla.

Uma cidade que recebe turistas também pode movimentar supermercados, padarias, farmácias, postos de combustíveis, oficinas mecânicas, lavanderias, gráficas, empresas de tecnologia, comércio varejista, produtores rurais, pescadores, artesãos, profissionais da comunicação, fotógrafos, designers, prestadores de serviços, trabalhadores da construção civil e muitos outros segmentos.

Ou seja, setores que aparentemente não têm relação direta com o turismo também podem receber uma parcela dos recursos deixados pelos visitantes.


🌐 Turismo é uma atividade transversal

O turismo é uma atividade transversal e interdisciplinar.

Isso significa que ele estabelece relações com diferentes áreas da economia, da sociedade, do território, da cultura e do meio ambiente.

Quando um destino turístico recebe visitantes, a movimentação não ocorre somente dentro de um atrativo.

Ela pode envolver:

  • 🏨 meios de hospedagem;
  • 🍽️ bares, restaurantes e cafeterias;
  • 🚌 transporte coletivo e turístico;
  • 🚕 táxis e transporte alternativo;
  • 🚤 passeios náuticos;
  • 🧭 agências e operadoras;
  • 🥾 guias e condutores;
  • 🎨 artesanato e economia criativa;
  • 🏪 comércio local;
  • 🌾 agricultura e produção de alimentos;
  • 🎭 cultura, eventos e manifestações tradicionais;
  • 🏛️ patrimônio histórico e cultural;
  • 🌳 unidades de conservação e áreas naturais;
  • 📱 comunicação, marketing e tecnologia;
  • 🔧 manutenção e prestação de serviços;
  • 👷 geração de emprego e renda.

Por isso, pensar o turismo apenas como hotelaria ou como visitação a atrativos é reduzir uma atividade econômica extremamente complexa.


💵 O dinheiro do turista pode circular várias vezes

Existe outro aspecto importante.

Quando o turista paga por um serviço, o dinheiro recebido pode ser utilizado pelo prestador para pagar fornecedores, funcionários, impostos, manutenção, aluguel, energia, combustível e outros custos.

Esses fornecedores, por sua vez, também realizam pagamentos e compras.

Assim, uma mesma despesa turística pode gerar novas transações econômicas dentro do território.

É esse encadeamento que ajuda a explicar o chamado efeito multiplicador.

Entretanto, é importante compreender que nem todo o dinheiro permanece no destino. Parte dos recursos pode sair da economia local quando produtos, equipamentos, alimentos, serviços ou sistemas utilizados pelos empreendimentos são adquiridos de empresas de outras cidades ou regiões. Esse fenômeno é conhecido como vazamento econômico (economic leakage).

Por isso, para potencializar os benefícios do turismo, não basta simplesmente aumentar o número de visitantes.

É necessário fortalecer a economia local e ampliar a participação de fornecedores, trabalhadores, produtores e empreendedores do próprio território.


👥 Turismo também é geração de trabalho e renda

Outro motivo para investir no turismo está relacionado à geração de trabalho e renda.

Um visitante que permanece alguns dias em uma localidade demanda serviços antes, durante e depois da viagem.

Isso pode criar oportunidades para trabalhadores diretamente ligados ao turismo e também para profissionais de outras áreas.

Além dos empregos diretamente relacionados ao atendimento ao visitante, existem atividades indiretas e induzidas.

Um hotel pode contratar uma lavanderia. A lavanderia precisa de funcionários. Esses funcionários recebem salários e utilizam sua renda para consumir outros produtos e serviços.

O restaurante compra alimentos de fornecedores. O fornecedor precisa produzir, transportar, armazenar e comercializar esses produtos.

O passeio turístico utiliza combustível, manutenção, equipamentos e serviços especializados.

Assim, o turismo pode contribuir para uma extensa rede de relações econômicas.


🏘️ O turismo precisa beneficiar o território

Investir no turismo não significa simplesmente atrair turistas a qualquer custo.

Um destino turístico responsável precisa perguntar: Quanto do dinheiro deixado pelo visitante permanece na comunidade?

Essa é uma questão estratégica.

Quanto mais a economia local estiver estruturada para fornecer produtos e serviços aos visitantes, maior poderá ser a retenção de recursos no próprio território.

Por isso, políticas públicas de turismo precisam dialogar com agricultura, pesca, cultura, meio ambiente, mobilidade, educação, segurança, planejamento urbano, patrimônio, desenvolvimento econômico e assistência social.

O turismo não deve ser tratado isoladamente.


🌱 Turismo, sustentabilidade e desenvolvimento local

O crescimento turístico também precisa respeitar os limites sociais, culturais, econômicos e ambientais do destino.

Um aumento expressivo no número de visitantes pode gerar oportunidades, mas também pode provocar sobrecarga de infraestrutura, aumento da produção de resíduos, pressão sobre recursos naturais, descaracterização cultural, congestionamentos e conflitos pelo uso do território.

Por isso, mais turistas nem sempre significa mais desenvolvimento.

O verdadeiro desafio está em construir um turismo capaz de gerar benefícios econômicos sem comprometer os recursos naturais, o patrimônio cultural e a qualidade de vida da população residente.

Em áreas naturais, por exemplo, o planejamento precisa considerar capacidade de suporte, manejo de visitantes, conservação da biodiversidade, educação ambiental e participação das comunidades.


🧭 O destino turístico é maior do que seus atrativos

Uma praia, uma cachoeira, um centro histórico, uma unidade de conservação, um museu ou uma festa popular podem ser importantes elementos de atração.

Mas um destino turístico é muito mais do que seus atrativos.

O visitante precisa encontrar infraestrutura, mobilidade, informação, segurança, alimentação, hospedagem, serviços, hospitalidade, acessibilidade e experiências qualificadas.

Por isso, o desenvolvimento turístico exige planejamento integrado do território.

Não adianta possuir um patrimônio extraordinário se o visitante não consegue chegar até ele, não encontra informações adequadas, não possui opções de alimentação ou hospedagem e não percebe segurança e organização durante sua permanência.


📊 Investir em turismo é investir em uma cadeia econômica

O leque de informações e possibilidades relacionadas ao turismo é tão amplo que gera oportunidades em diferentes setores da economia.

A relação entre turismo e destino é muito maior do que muitas pessoas imaginam.

Quando bem planejado, o turismo pode:

  • 💰 movimentar a economia local;
  • 👥 gerar trabalho e renda;
  • 🏪 fortalecer pequenos negócios;
  • 🎨 valorizar o artesanato e a economia criativa;
  • 🌾 estimular produtores locais;
  • 🏛️ contribuir para a valorização do patrimônio;
  • 🌳 incentivar a conservação de áreas naturais;
  • 🚌 ampliar a demanda por transportes e serviços;
  • 💡 estimular novos empreendimentos;
  • 📣 fortalecer a divulgação do destino;
  • 🧑‍🤝‍🧑 promover intercâmbio cultural;
  • 🏙️ estimular melhorias na infraestrutura;
  • 📈 aumentar a arrecadação pública por meio da atividade econômica e tributária.

Mas é fundamental reforçar: o turismo não é uma solução automática para todos os problemas de uma cidade.

Se não houver planejamento, governança, qualificação profissional, infraestrutura, fiscalização e distribuição adequada dos benefícios, o crescimento turístico pode produzir resultados inferiores ao seu potencial.


🏛️ O poder público também precisa compreender essa dinâmica

Quando uma prefeitura investe em turismo, não está necessariamente investindo somente em hotéis ou atrativos.

Está contribuindo para uma cadeia produtiva que envolve diferentes atores do território.

Por isso, o planejamento turístico municipal deve estar articulado com outras políticas públicas.

Um bom plano de turismo precisa considerar diagnóstico, inventário da oferta turística, demanda, infraestrutura, acessibilidade, mobilidade, qualificação profissional, promoção, comercialização, conservação ambiental, patrimônio cultural, segurança, governança e monitoramento de resultados.

Mais importante ainda: a população local precisa participar das decisões sobre o turismo que deseja para seu território.


🤝 Quem ganha quando o turismo é bem planejado?

A resposta pode ser muito maior do que simplesmente “o turista e o empresário”.

Quando existe planejamento e distribuição adequada dos benefícios, podem ganhar:

  • o visitante, que recebe uma experiência melhor;
  • o trabalhador, que encontra oportunidades de trabalho e renda;
  • o empreendedor, que amplia seu mercado;
  • o produtor local, que encontra novos consumidores;
  • a comunidade, que pode fortalecer sua economia;
  • o poder público, que pode ampliar a arrecadação e justificar investimentos;
  • o patrimônio cultural, quando é valorizado e protegido;
  • o meio ambiente, quando o turismo é planejado de maneira sustentável;
  • e, principalmente, o próprio destino, que passa a utilizar o turismo como instrumento de desenvolvimento territorial.

🚀 Turismo não é gasto: É planejamento para o desenvolvimento

Por isso, quando alguém perguntar: “Por que investir no turismo?”

Talvez seja interessante responder com outra pergunta:

“Quanto uma cidade deixa de movimentar quando não planeja adequadamente sua atividade turística?”

O turismo pode ser uma poderosa ferramenta de desenvolvimento econômico, valorização cultural, conservação ambiental e inclusão social.

Mas, para isso, é preciso compreender que o turista não compra apenas uma hospedagem, uma refeição ou um passeio.

Ele movimenta uma cadeia. E quanto mais estruturada, integrada, sustentável e localmente conectada estiver essa cadeia, maiores poderão ser os benefícios para o destino e para sua população.

O desafio, portanto, não é apenas trazer mais turistas. É fazer com que o turismo gere mais valor, permaneça mais tempo circulando no território e contribua efetivamente para melhorar a vida de quem mora no destino.


💬 Espaço do Leitor: 🔰 O turismo da sua cidade realmente beneficia a população local? Que setores, além de hotéis, restaurantes e agências, você acredita que são movimentados pela presença dos turistas? 🔰

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