“Que chique!”: Em São Vicente SP: Carros de golfe, dinheiro público, turismo e a sátira de uma cidade endividada e desgovernada

Imagine uma cidade enfrentando dificuldades financeiras, dívidas e necessidades urgentes da população. Agora imagine que, em vez de concentrar esforços em soluções permanentes, essenciais e economicamente eficientes, surge a ideia de alugar carros de golfe para uma atividade temporária.

Parece uma cena de comédia, não é? Pois foi justamente esse contraste que motivou a sátira publicada em 2013. Não se tratava de um evento de golfe, mas de uma crítica ao aluguel de veículos para apoio durante a temporada e à opção por despesas temporárias que, na visão apresentada naquele momento, poderiam ser substituídas por investimentos mais úteis e duradouros para a cidade.

Por ..:: Renato Marchesini / Bacharel em Turismo, Historiador, Geógrafo e Biólogo. com Pós-Graduação em Ecoturismo, Gestão Pública, Gestão em Projetos, RH e Projetos Sociais, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Direitos Humanos e Mestre em Ciências.


📰 Matéria do Jornal A Tribuna

Veículos elétricos serão usados pela Polícia Militar para patrulhamento nas praias de São Vicente no verão

Novos veículos elétricos irão ajudar no patrulhamento da faixa de areia de São Vicente durante a temporada de verão. Eles serão operados pela Polícia Militar (PM) e pela Guarda Civil Municipal (GCM), que também contará com uma van de monitoramento e panfletos informativos contendo dicas de segurança. Testes com o novo equipamento foram feitos durante a semana. Foram verificadas tração, velocidade e desempenho na areia, quando ocorreu situações reais de abordagem, onde indivíduos faziam uso de entorpecente e a PM ainda abordou ciclistas na faixa de areia.


Fonte..:: Jornal A Tribuna Foto..:: Divulgação/PMSV


😏⛳ “Que chique!”: A ironia por trás dos carros de golfe

O título “Que chique! Neste verão tem o 1º Open de Golf na Praia do Itararé – São Vicente/SP” carregava justamente a ironia.

A questão não era discutir se o golfe era bom ou ruim. A crítica estava relacionada ao dinheiro gasto e à necessidade — ou falta dela — de alugar carros de golfe para uma ação temporária.

A sátira nasce do contraste: De um lado, uma cidade com problemas financeiros e diversas demandas sociais; de outro, uma despesa considerada supérflua para disponibilizar veículos durante apenas um mês.

É como dizer:

“A cidade está cheia de problemas, mas pelo menos os carrinhos de golfe estão garantidos!”

É engraçado como piada 🥴😵‍💫.

Mas deixa de ser engraçado quando a conta chega.


🏙️ A cidade e o turismo não vivem apenas de temporada

Aqui está uma questão ainda maior do que os próprios carrinhos.

Uma cidade turística não pode ser planejada apenas para o verão. São Vicente possui potencial turístico durante todo o ano, envolvendo patrimônio histórico, praias, cultura, gastronomia, eventos, turismo pedagógico, turismo de natureza, atividades esportivas e experiências relacionadas à identidade caiçara.

A temporada representa um período de maior demanda. Não pode ser confundida com a própria política municipal de turismo.

Se todos os anos chega o verão, o verão não é uma surpresa. É possível planejar com antecedência, analisar dados de temporadas anteriores, identificar pontos críticos, prever segurança, estruturar mobilidade, organizar limpeza, preparar atendimento e estabelecer um calendário de ações.

Não deveria ser necessário esperar dezembro chegar para descobrir que São Vicente é uma cidade turística e que haverá turistas.


🧭 Segurança na temporada: investir ou apenas remediar?

A segurança durante a temporada é fundamental. Porém, a discussão não deveria se limitar a:

“Quanto vamos gastar neste verão?”

A pergunta deveria ser também: “O que podemos implantar agora que continuará servindo à cidade depois que a temporada terminar?”

Essa diferença é essencial. Uma despesa temporária pode solucionar uma necessidade imediata. Já um investimento planejado pode criar um legado permanente para moradores, turistas e para as próprias forças de segurança.

É justamente nesse ponto que a crítica de 2013 ganha uma dimensão maior: por que não transformar recursos destinados à temporada em infraestrutura que continue funcionando durante todo o ano?


💰 O dinheiro público não é ficha de cassino

Quando se fala em dinheiro público, é preciso lembrar de uma regra elementar:

Recursos públicos são limitados e devem ser utilizados com planejamento, eficiência, economicidade e transparência. Cada valor empregado em uma contratação representa um recurso que deixa de estar disponível para outra finalidade.

Por isso, antes de alugar um equipamento ou contratar um serviço, a administração deveria perguntar:

  • É realmente necessário?
  • Existe alternativa mais barata?
  • O benefício justifica o custo?
  • Esse gasto atende ao interesse público?
  • O município possui outras necessidades mais urgentes?
  • O investimento deixará algum legado?

Essas perguntas são muito mais importantes do que saber se o carrinho é bonito, moderno ou “chique”.


📹 Van com monitoramento: R$ 30 mil por um mês?

Entre as medidas de segurança consideradas para a temporada estava o aluguel de uma van equipada com sistema de monitoramento, pelo valor informado de R$ 30.000,00 por um mês.

A pergunta crítica não é simplesmente se a van funciona.

Provavelmente funciona. A pergunta é: o que acontece depois que o mês termina?

O veículo vai embora, o equipamento retorna ao proprietário e a cidade não incorpora aquele recurso ao seu patrimônio.

Diante disso, uma alternativa que poderia ser estudada seria direcionar recurso semelhante para câmeras de monitoramento fixas em locais turísticos estratégicos, acompanhadas de infraestrutura adequada, manutenção, armazenamento das imagens, proteção de dados e integração com as forças de segurança.

Nesse modelo, o investimento poderia deixar um legado permanente para o município.

👎 Em vez de: R$ 30.000 → monitoramento temporário → terminou a temporada.

👍 Poderíamos pensar: R$ 30.000 → infraestrutura permanente → patrimônio público → utilização contínua.

Naturalmente, essa comparação precisaria ser feita com pesquisa de preços, especificações técnicas, estudos de viabilidade e análise das necessidades reais da segurança pública.


🚗 “Que bonitinho!”: quatro carrinhos de golfe por R$ 9 mil

E chegamos à parte que inspirou a sátira.

Quatro carrinhos de golfe para apoio à Polícia Militar, por aproximadamente R$ 9.000,00 durante um mês.

Sim, são bonitinhos. Sim, podem chamar atenção. Sim, podem ser úteis em determinadas circunstâncias.

Mas a pergunta continua sendo: e depois do mês? Se o equipamento é alugado, o carrinho retorna ao proprietário.

E os R$ 9.000,00 também não voltam.

É justamente aí que a piada deixa de ser apenas piada e passa a ser uma discussão sobre prioridade, economicidade e legado público.


🚲 R$ 9 mil poderiam deixar um legado

Em vez de simplesmente alugar quatro carrinhos durante um mês, por que não avaliar alternativas permanentes?

Uma possibilidade seria estudar a aquisição de bicicletas para uso operacional, acompanhada de manutenção, equipamentos de segurança e infraestrutura de apoio.

Dependendo dos preços obtidos e das especificações necessárias, os recursos poderiam contribuir para:

  • 🚲 bicicletas para patrulhamento e apoio;
  • 🔧 manutenção e reposição de peças;
  • 🦺 equipamentos de segurança;
  • tendas ou gazebos para pontos estratégicos;
  • 💧 pontos de apoio para equipes;
  • 📍 estruturas que possam ser utilizadas também fora da temporada.

Não se trata de afirmar que R$ 9.000,00 necessariamente comprariam tudo isso. Seria preciso realizar pesquisa de preços, definir especificações e elaborar um projeto.

A questão é outra: Por que não comparar o custo de um aluguel de um mês com a possibilidade de criar um patrimônio que permaneça para a cidade?


🛺 Um carrinho de golfe pode ser simpático. A conta nem sempre.

Não há nada de errado com um carro de golfe.

Ele pode ser perfeitamente útil em campos de golfe, resorts, grandes áreas privadas, eventos específicos ou situações em que exista uma necessidade operacional comprovada. O problema começa quando um equipamento é contratado sem uma necessidade proporcional ao custo, principalmente quando existem alternativas simples e econômicas.

O carrinho pode até ser elétrico, silencioso e simpático. Mas ser elétrico não transforma automaticamente uma despesa em boa aplicação de dinheiro público.


🧮 Antes do “que chique!”, vem o “quanto custa?”

Uma administração responsável deveria começar pela matemática.

Antes de contratar, é necessário saber:

  • quanto custa o aluguel;
  • por quanto tempo o equipamento será utilizado;
  • quais serviços estão incluídos;
  • quem será responsável pela operação;
  • qual é a finalidade concreta;
  • quantas pessoas serão beneficiadas;
  • se existem alternativas mais econômicas;
  • qual será o retorno para o município;
  • e qual legado permanecerá depois do término do contrato.

A pergunta fundamental é simples: Quanto custa cada benefício produzido?

Se uma solução de R$ 1.000 consegue cumprir a mesma função de outra que custa R$ 10.000, por que escolher a segunda?

Essa é a essência da discussão sobre economicidade.


🚌 Existem alternativas muito mais simples

Se a finalidade era transportar pessoas por uma área determinada, poderiam ser avaliadas alternativas como micro-ônibus, vans, veículos da própria administração, transporte compartilhado, bicicletas ou outras soluções de menor custo, dependendo da finalidade e das condições do serviço.

Em determinadas situações, até mesmo organizar adequadamente os deslocamentos e a circulação de pessoas poderia reduzir ou eliminar a necessidade de veículos especiais.

Não é necessário ser especialista em gestão pública para compreender uma regra básica: Primeiro vem a necessidade; depois vem a solução. Não o contrário.


🏙️ Uma cidade endividada precisa escolher prioridades

A crítica ganha ainda mais força quando colocada no contexto de dificuldades financeiras e endividamento municipal.

Quando os cofres públicos estão pressionados, a gestão precisa fazer escolhas.


😂 “Mas é só um carrinho…”

Sim. É só um carrinho.

E justamente por ser “só um carrinho” a discussão fica ainda mais interessante.

O problema não é necessariamente o objeto isoladamente. O problema é a lógica de gestão que permite que pequenas despesas desnecessárias se multipliquem.

  • Um gasto aparentemente pequeno pode parecer insignificante.
  • Outro gasto pequeno também.
  • Depois outro.
  • E outro.

Quando percebemos, o dinheiro público foi embora em uma coleção de pequenas despesas que poderiam ter sido evitadas ou substituídas por alternativas mais econômicas.

A torneira aberta não precisa ser uma cachoeira para desperdiçar água.


💸 Desperdício público também pode acontecer em pequenas decisões

Falar em desperdício não significa necessariamente acusar alguém de corrupção.

São conceitos diferentes. Uma despesa pode ser legal e ainda assim ser questionável sob a perspectiva da eficiência, da prioridade ou da economicidade.

Essa distinção é fundamental.

A discussão democrática precisa perguntar não apenas:

  • “Pode gastar?”
  • Mas também:
  • “É necessário gastar?”
  • “É a melhor maneira de gastar?”
  • “Existe uma alternativa mais barata?”
  • “O cidadão receberá um benefício proporcional ao recurso empregado?”

🧐 O poder público precisa pensar como o cidadão

O cidadão comum geralmente faz isso todos os dias.

  • Se precisa comprar alguma coisa, pesquisa preço.
  • Se pode caminhar em vez de pagar transporte, avalia.
  • Se pode consertar em vez de comprar outro equipamento, calcula.
  • Se há duas alternativas, compara.

Por que a administração pública deveria agir de maneira diferente?

O dinheiro público deveria ser tratado com ainda mais cuidado, porque não pertence ao governante, ao secretário ou ao servidor: pertence à sociedade.


📢 A sátira como instrumento de fiscalização cidadã

Expressões como “Que chique!” funcionavam como recurso de sátira para destacar o contraste entre a realidade financeira do município e determinada decisão administrativa.

A sátira tem justamente essa capacidade: Faz rir para provocar reflexão.

😎 Aqui aproveito e mostro que venho praticando e treinando para a situação.

Quando alguém escreve “que chique!” diante de uma despesa considerada desnecessária, a frase pode parecer apenas uma brincadeira.

Mas a pergunta escondida é séria: “Quem está pagando essa conta?”


⚖️ Crítica política não dispensa responsabilidade

É preciso fazer uma distinção importante: apontar que uma despesa foi desnecessária ou ruim do ponto de vista econômico é diferente de discutir a sua legalidade — ponto que não abordo aqui.

Esta é uma crítica responsável e objetiva, focada apenas em fatos comprovados e na avaliação do interesse público, da prioridade e da economia dos recursos.


🧾 Licitação e legalidade não encerram a discussão

Também é importante compreender que cumprir os procedimentos legais de contratação não significa automaticamente que determinada decisão tenha sido a melhor escolha administrativa.

A administração pública precisa observar diferentes princípios e deveres, incluindo legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, além de buscar economicidade e boa gestão dos recursos.

Portanto, a sociedade tem o direito de perguntar:

  • Qual foi a necessidade?
  • Qual foi o custo?
  • Quais alternativas foram estudadas?
  • Qual foi o benefício produzido?
  • Quem foi beneficiado?
  • O que ficou para a cidade?

Transparência permite que essas perguntas sejam respondidas.


🏖️ Praia, turismo e dinheiro público

O fato de a iniciativa estar relacionada ao verão e à Praia do Itararé também merece atenção.

Turismo não deve ser sinônimo de gastar dinheiro para criar aparência de sofisticação.

Uma cidade pode promover seus atrativos com criatividade e baixo custo.

São Vicente possui praias, patrimônio histórico, paisagem, cultura, memória, gastronomia e localização estratégica na Baixada Santista.

Existem muitas maneiras de promover esses atributos sem necessariamente apostar em estruturas caras ou equipamentos que tenham pouca utilidade depois do evento.

Turismo inteligente não é o turismo que mais gasta. É aquele que consegue gerar o melhor resultado com os recursos disponíveis.


📸 O “chique” que poderia ser mais barato

Talvez essa seja a grande graça — e também a grande tragédia — da história.

Um carrinho de golfe pode produzir uma fotografia bonita.

  • Pode ficar elegante.
  • Pode dar aquela impressão de organização sofisticada.
  • Pode até render o famoso: “Olha só como a cidade está moderna!”

Mas existe uma pergunta atrás da fotografia:

  • Quanto custou o cenário?

E outra ainda mais importante:

  • O cidadão precisava desse cenário ou precisava de outra coisa?

🏛️ Gestão pública não pode ser decoração

Uma cidade não se administra com fotografia. Não basta parecer moderna; é preciso funcionar.

Não adianta colocar um equipamento sofisticado em determinado espaço enquanto existem problemas básicos aguardando solução.

O verdadeiro desenvolvimento urbano aparece quando os serviços públicos funcionam, as ruas são mantidas, os espaços públicos são cuidados, as pessoas são atendidas e os recursos são aplicados com responsabilidade.

O carrinho pode até ser bonito. ⚠️ Mas uma cidade bem administrada é muito mais bonita.


💡 E se o dinheiro tivesse sido utilizado de outra forma?

Essa é talvez a pergunta mais importante.

O valor gasto no aluguel poderia ter sido direcionado para uma necessidade mais urgente?

Poderia ter contribuído para manutenção de equipamentos públicos, limpeza, sinalização, iluminação, acessibilidade, promoção turística de baixo custo ou outra ação de interesse coletivo?

Sem conhecer os valores exatos e as circunstâncias completas da contratação, não é possível afirmar quanto poderia ter sido economizado.

Mas é perfeitamente legítimo defender que toda despesa pública deve ser comparada com outras alternativas e prioridades existentes.


🏖️ Segurança turística precisa estar onde o turista está

A segurança de um destino turístico não deve se concentrar apenas em determinados pontos durante o verão.

É necessário pensar em praias, orla, áreas históricas, pontos turísticos, vias de acesso, equipamentos culturais, áreas comerciais e locais de grande concentração de visitantes.

Por isso, uma estratégia permanente poderia combinar: Monitoramento + policiamento ostensivo + patrulhamento ciclístico + policiamento marítimo + apoio aéreo + atendimento móvel + integração entre as forças de segurança.

Não é uma solução única. É uma rede de segurança territorial.


🚤 Policiamento marítimo também é fundamental

Uma cidade litorânea não pode olhar somente para aquilo que acontece em terra. A segurança turística também envolve o mar e a faixa costeira.

O policiamento marítimo pode contribuir para fiscalização, prevenção de acidentes, apoio em situações de emergência e proteção de áreas de maior concentração de pessoas.

Por isso, a segurança da orla precisa considerar também o ambiente marítimo, especialmente durante períodos de maior fluxo de visitantes.


🚁 E o policiamento aéreo?

Da mesma maneira, recursos aéreos podem ter importância estratégica em determinadas situações.

O monitoramento aéreo pode ampliar a capacidade de observação de grandes áreas, praias, eventos e pontos de concentração de pessoas, além de auxiliar operações de emergência.

Entretanto, também aqui é necessário planejamento. Não basta contratar ou disponibilizar uma estrutura durante a temporada.

É preciso saber qual problema ela resolve, quanto custa, quem opera, qual é a frequência de utilização e qual é o benefício efetivamente produzido.


🚔 Delegacia móvel: uma alternativa interessante

Outra proposta que merece atenção é a implantação de uma delegacia móvel ou unidade policial móvel em pontos estratégicos durante períodos de maior movimento.

Uma estrutura desse tipo poderia aproximar o atendimento da população e dos turistas, facilitando o registro e o encaminhamento de ocorrências sem exigir que a pessoa se desloque até uma unidade fixa.

Mas novamente aparece a palavra mais importante: ✅ Planejamento.

A estrutura deve ser posicionada de acordo com estudos de demanda, fluxo turístico, ocorrências, acessibilidade e integração com os demais serviços públicos.


🏗️ O problema maior: Falta de planejamento turístico permanente

E aqui chegamos ao ponto central da crítica.

  • O problema não é o carrinho de golfe.
  • O problema não é a van.
  • O problema não é a temporada.

O problema é quando a administração pública fica restrita a medidas paliativas e emergenciais, sem construir uma política permanente para o desenvolvimento turístico.

Uma cidade turística precisa de planejamento social, ambiental e econômico.

Isso significa pensar:

  • turismo durante todo o ano;
  • qualificação profissional;
  • infraestrutura;
  • segurança;
  • acessibilidade;
  • preservação ambiental;
  • patrimônio histórico;
  • promoção turística;
  • fortalecimento dos negócios locais;
  • geração de emprego e renda;
  • participação comunitária;
  • mobilidade;
  • gestão de riscos;
  • calendário permanente de eventos;
  • monitoramento de resultados.

💸 O barato pode sair caro — e o temporário pode custar muito

Existe uma diferença fundamental entre gasto e investimento.

Uma despesa temporária pode ser necessária. Não há problema em alugar equipamentos quando isso for técnica e economicamente justificável.

O problema aparece quando a cidade paga repetidamente pela mesma solução temporária sem construir uma estrutura permanente.

Se todos os anos é necessário alugar uma van, contratar determinados equipamentos e improvisar estruturas, talvez esteja faltando perguntar:

“Não seria mais inteligente criar uma solução permanente?”

É justamente aí que entra a discussão sobre economicidade e legado.


⏳ O tempo das pessoas também é dinheiro

Existe ainda um custo que não aparece necessariamente nas planilhas:

O tempo das pessoas.

Quando não existe planejamento, gestores, servidores, empresários, profissionais de turismo, policiais, comerciantes e representantes da comunidade acabam sendo obrigados a resolver repetidamente os mesmos problemas.

  • Reunião para apagar incêndio.
  • Outra reunião para corrigir o que não funcionou.
  • Outra para organizar a temporada.
  • Outra para solucionar um problema que poderia ter sido previsto.

Improvisação também custa dinheiro — mesmo quando não aparece como uma linha específica no orçamento.


📉 Turismo não pode ser política de emergência

Se a cidade sabe que todos os anos chega o verão, a temporada não é uma surpresa.

  • É possível planejar com antecedência.
  • É possível analisar dados de anos anteriores.
  • É possível identificar os pontos críticos.
  • É possível preparar infraestrutura.
  • É possível prever segurança.
  • É possível organizar mobilidade.
  • É possível estruturar ações de limpeza.
  • É possível estabelecer um calendário.
  • É possível avaliar resultados.

Portanto, não deveria ser necessário esperar dezembro chegar para descobrir que São Vicente é uma cidade turística e que haverá turistas.


🧠 Planejamento é transformar gasto em legado

A diferença entre uma ação paliativa e uma política pública planejada pode ser resumida assim:

  • Ação paliativa: resolve o problema por determinado período.
  • Planejamento: resolve o problema atual e cria capacidade para enfrentar os próximos anos.
  • Gasto temporário: termina quando termina o contrato.
  • Investimento estruturante: permanece e pode continuar beneficiando a população.

Essa é a lógica que deveria orientar o turismo municipal.


🏛️ Turismo como política pública

O turismo não pode ser tratado apenas como “algo para fazer durante a temporada”.

Ele precisa ser entendido como uma atividade econômica e social capaz de gerar emprego, renda, circulação econômica, valorização cultural, conservação ambiental e melhoria da infraestrutura, desde que planejada adequadamente.

Para isso, São Vicente precisaria trabalhar com uma visão de longo prazo, envolvendo poder público, iniciativa privada, trabalhadores, comunidade, instituições de ensino, entidades de turismo e visitantes.


🧩 O turismo precisa de planejamento social, ambiental e econômico

Uma política turística consistente deveria considerar três dimensões inseparáveis:

  • Social: melhorar a qualidade de vida, gerar oportunidades, valorizar trabalhadores e comunidades e garantir que moradores também se beneficiem do turismo.
  • Ambiental: proteger praias, restingas, mar, paisagens e demais patrimônios naturais, evitando que a atividade turística provoque degradação.
  • Econômica: estimular emprego, renda, empreendedorismo, circulação de recursos e fortalecimento da economia local.

Sem esse equilíbrio, turismo pode virar apenas movimentação temporária de pessoas, sem desenvolvimento real para o território.


😏 E os carrinhos de golfe?

Ah, os carrinhos… Continuam bonitinhos.

Mas a sátira deixa uma pergunta bastante séria: Será que, em uma cidade com dificuldades financeiras, é mais inteligente gastar R$ 9.000,00 em quatro carrinhos alugados por um mês ou transformar esse recurso em algum equipamento que permaneça para a população e para a própria segurança pública?

Essa comparação precisa ser feita com orçamentos, estudos técnicos e dados reais.

Mas deveria ser feita. Porque dinheiro público não pode ser administrado com base apenas no “fica bonito na foto”.


🎯 A pergunta que deveria orientar a administração

Antes de qualquer contratação para a temporada, talvez bastasse colocar cinco perguntas sobre a mesa:

1. É realmente necessário?

2. Existe uma alternativa mais barata?

3. Existe uma alternativa que deixe patrimônio para o município?

4. Qual será o benefício para moradores e turistas?

5. O investimento está integrado a um planejamento turístico de longo prazo?

Se essas perguntas fossem respondidas antes de cada contratação, talvez muitos gastos temporários pudessem se transformar em investimentos permanentes.


🌊 São Vicente não precisa apenas de temporada. Precisa de futuro.

O grande desafio não é fazer São Vicente funcionar durante alguns meses.

É fazer São Vicente funcionar turisticamente durante os 12 meses do ano.

A temporada deve ser um período de intensificação da atividade turística — não o momento em que a cidade começa a descobrir que precisa de planejamento.

A cidade precisa de uma política turística que seja socialmente justa, ambientalmente responsável e economicamente viável, com investimentos que deixem resultados para além de um verão.

Porque, no fim das contas: A temporada acaba. A cidade fica.

E é justamente por isso que o investimento público deveria ficar também.


🧠 A lição que fica

A história dos carros de golfe é pequena diante dos grandes problemas de uma cidade. Mas é justamente por isso que ela serve como exemplo.

Gestão pública é feita de grandes decisões e de pequenas decisões.

Uma grande obra pode consumir milhões. Mas centenas de pequenas escolhas também podem consumir recursos importantes ao longo dos anos.

Por isso, a pergunta deveria estar presente em cada contratação:

  • “Se esse dinheiro fosse meu, eu gastaria dessa maneira?”
  • Se a resposta for “não”, talvez seja hora de fazer algumas contas.

📸 O “chique” que poderia ser mais barato

Talvez essa seja a grande graça — e também a grande tragédia — da história.

  • Um carrinho de golfe pode produzir uma fotografia bonita.
  • Pode ficar elegante.
  • Pode dar aquela impressão de organização sofisticada.
  • Pode até render o famoso: “Olha só como a cidade está moderna!”

Mas existe uma pergunta atrás da fotografia:

  • Quanto custou o cenário?

E outra ainda mais importante:

  • O cidadão precisava desse cenário ou precisava de outra coisa?

🏛️ Gestão pública não pode ser decoração

Uma cidade não se administra com fotografia.

Não basta parecer moderna; é preciso funcionar.

Não adianta colocar um equipamento sofisticado em determinado espaço enquanto existem problemas básicos aguardando solução.

O verdadeiro desenvolvimento urbano aparece quando os serviços públicos funcionam, as ruas são mantidas, os espaços públicos são cuidados, as pessoas são atendidas e os recursos são aplicados com responsabilidade.

O carrinho pode até ser bonito. Mas uma cidade bem administrada é muito mais bonita 😀.


💡 E se o dinheiro tivesse sido utilizado de outra forma?

Essa é talvez a pergunta mais importante.

O valor gasto no aluguel poderia ter sido direcionado para uma necessidade mais urgente?

Poderia ter contribuído para manutenção de equipamentos públicos, limpeza, sinalização, iluminação, acessibilidade, promoção turística de baixo custo ou outra ação de interesse coletivo?

Sem conhecer os valores exatos e as circunstâncias completas da contratação, não é possível afirmar quanto poderia ter sido economizado.

Mas é perfeitamente legítimo defender que toda despesa pública deve ser comparada com outras alternativas e prioridades existentes.


📢 A Pergunta?

Quando uma cidade enfrenta dificuldades financeiras, deve priorizar soluções temporárias ou construir estruturas que permaneçam?

Essa pergunta vale para carrinhos de golfe, vans, eventos, equipamentos, estruturas temporárias e inúmeras outras despesas.

  • A questão não é ser contra o gasto. É ser contra o gasto sem planejamento.
  • Não é ser contra o turismo. É defender um turismo planejado para gerar desenvolvimento social, ambiental e econômico.
  • Não é ser contra a temporada. É lembrar que São Vicente existe antes, durante e depois do verão.

📚 Conclusão: o problema nunca foi o carrinho

A questão central não era o golfe. Era a prioridade do gasto.

A sátira ao aluguel dos carros de golfe procurava evidenciar um contraste: enquanto o município enfrentava dificuldades financeiras e acumulava demandas, recursos públicos e privados poderiam estar sendo destinados a uma estrutura temporária cuja necessidade era questionável.

A solução não seria simplesmente deixar de realizar ações turísticas. Seria planejar melhor, comparar alternativas, buscar soluções mais simples e econômicas e demonstrar claramente o benefício para a população.

Turismo pode gerar emprego, renda, identidade e desenvolvimento. Eventos podem movimentar a economia.

A inovação é bem-vinda.

Mas nenhuma dessas coisas transforma automaticamente uma despesa em investimento.

  • Antes do “que chique!”, deve vir o “quanto custa?”.
  • Antes do “vamos fazer”, deve vir o “precisamos mesmo?”.

E antes de abrir a carteira pública, deveria existir uma pergunta que nunca sai de moda:

“Existe uma maneira melhor, mais barata e mais eficiente de fazer isso?”

Porque, quando uma cidade está endividada, cada real precisa responder à pergunta: “qual benefício permanecerá depois que o verão acabar?”


💬 Espaço do Leitor:🔰 Se você tivesse que escolher: R$ 30 mil em uma estrutura de monitoramento alugada por apenas um mês ou investimentos permanentes em câmeras, bicicletas, manutenção, apoio e segurança para a cidade, qual seria sua prioridade? E o que São Vicente deveria fazer para deixar de pensar apenas na temporada e construir uma política de turismo para os 12 meses do ano? 🔰

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

icone do conteúdo

Leia também

Fique por dentro

Ver todos os posts
Os Olmecas: A Primeira Grande Civilização da Mesoamérica e a Base das Culturas Maias e Mexicas

Os Olmecas: A Primeira Grande Civilização da Mesoamérica e a Base das Culturas Maias e Mexicas

Os olmecas são reconhecidos pelos arqueólogos e historiadores como a primeira grande civilização da Mesoamérica e frequentemente recebem o título...

Turismo Global deverá movimentar quase 15 bilhões de euros na economia mundial até 2036, aponta WTTC

Turismo Global deverá movimentar quase 15 bilhões de euros na economia mundial até 2036, aponta WTTC

O setor de viagens e turismo continua demonstrando sua força como um dos principais motores da economia mundial. De acordo...

Mercado Central de Fortaleza: História, Cultura, Artesanato e Turismo na Capital Cearense

Mercado Central de Fortaleza: História, Cultura, Artesanato e Turismo na Capital Cearense

Localizado no Centro de Fortaleza, ao lado da Catedral Metropolitana e próximo à Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, o...

Tarsila do Amaral: 8 Obras que Ajudam a Compreender o Modernismo Brasileiro

Tarsila do Amaral: 8 Obras que Ajudam a Compreender o Modernismo Brasileiro

A imagem anexada apresenta uma seleção de oito obras fundamentais de Tarsila do Amaral (1886–1973), uma das artistas mais importantes...

Os Maiores Animais Marinhos do Planeta: Gigantes dos Oceanos

O vídeo “Os maiores animais marinhos” apresenta uma impressionante comparação de tamanho entre alguns dos maiores animais que vivem nos...