Turismo e Meio Ambiente: Boas Práticas Ambientais são Favoráveis ao Regresso dos Turistas

As boas práticas ambientais implementadas no sector das exposições e convenções têm uma relação positiva com o regresso dos visitantes a um determinado certame. Esta foi a principal conclusão de um estudo conduzido por dois acadêmicos da Universidade de Macau que analisaram o impacto destas políticas na percepção de quem participa nas convenções que se realizam no território.

Um estudo sobre turismo sustentável conduzido por dois docentes da Universidade de Macau revelou a existência de uma correlação positiva entre as políticas “amigas do ambiente” praticadas no âmbito do sector MICE (convenções, inventivos e exposições) e a decisão de regressar aos certames em questão. Esta tendência, explicou Glenn McCartney, um dos autores do relatório, estende-se também a outras vertentes do turismo, com os visitantes a procurarem saber que medidas ambientais estão a ser postas em prática. Porém, em Macau, existe “falta de iniciativa” em adotar este tipo de políticas devido à “inexistência de orientações amigas do ambiente e liderança por parte do Governo”, escrevem McCartney e Venus Meng Wai Leong.

“O que descobrimos no nosso estudo foi que os delegados internacionais, em particular, olham para estas questões e eu penso que isto é uma tendência global no turismo. Infelizmente, em Macau tem havido algum desenvolvimento no sentido do turismo responsável em alguns aspectos, mas nenhuma retórica em direção ao que vamos fazer para sermos mais responsáveis na nossa gestão do lixo e por aí adiante”, criticou Glenn McCartney.

Apesar das políticas implementadas pelo Governo da RAEM no sentido de uma maior diversificação da economia, especialmente no sector das convenções, incentivos e exposições, o professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau nota que, na última década, o segmento das exposições e convenções não tem registado um crescimento relevante. Para o especialista em marketing turístico, o problema prende-se com a forma como Macau é visto lá fora: “Eu penso que ainda não ligámos os pontos em termos de estratégia de marca”, considerou.

O outro obstáculo passa pela falta de colaboração entre os sectores público e privado. Entende o docente que as empresas estão concentradas na ‘strip’ do Cotai e o Governo na promoção do patrimônio, pelo que não existe uma ponte entre ambas as partes: “Gostaria de ver uma ligação na estratégia de marketing em que as duas partes se juntam e realmente criam uma marca de Macau”, defende Glenn McCartney.  “Algumas indústrias vão implementar boas práticas porque são empresas internacionais, mas em termos da velocidade com que tais práticas são implementadas, é claro que o Governo tem um papel a desempenhar. Há muitas coisas que podíamos fazer porque somos uma cidade pequena por isso gostaria de ver mais acção de 2018”, assinala.

Apesar das críticas apontadas, o docente considera que, para os padrões globais, Macau é, “em geral”, responsável e aponta como exemplo o Prémio Hotel Verde que distingue as boas práticas ambientais da indústria hoteleira. Porém, o facto dos autocarros dos casinos realizarem viagens quase vazios “é apenas uma das questões que tem de ser analisada”.

McCartney aponta também a falta de uma definição para o conceito de “centro mundial do turismo e lazer”, notando que “algo com que todos devem concordar” é o critério de destino turístico responsável, e também a não existência de um plano diretor: “É absolutamente colaborativo porque o turismo atravessa vários departamentos e este é o principal obstáculo do plano diretor. Não é tanto escrevê-lo, o que é também um desafio, mas o principal problema é implementá-lo e criar um consenso”, explicou.

Fonte..:: Ponto Final Macau

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