No mundo pós pandemia, muita coisa mudou e continuará mudando. O setor de turismo foi confrontado com uma nova realidade, marcada por transformações sociais, tecnológicas, econômicas, ambientais e comportamentais. Inovação, tecnologia, gestão profissional, planejamento integrado e participação social podem contribuir para que São Vicente construa uma cidade da qual moradores e visitantes tenham orgulho.
O planejamento é essencial para um turismo consolidado, responsável, inclusivo e sustentável.
Por ..:: Renato Marchesini / Bacharel em Turismo, Historiador, Geógrafo e Biólogo. com Pós-Graduação em Ecoturismo, Gestão Pública, Gestão em Projetos, RH e Projetos Sociais, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Direitos Humanos e Mestre em Ciências.

🧭 INTRODUÇÃO — UM PRAZO QUE EXIGE PLANEJAMENTO
Não é diferente do que aconteceu em outras cidades e momentos históricos de grande celebração. Nos anos 2000, por exemplo, Porto Seguro trabalhou intensamente a comemoração dos 500 anos do Brasil, com planejamento, investimentos e ações de valorização histórica e turística. São Vicente também esteve inserida naquele contexto e, naquele período, recebeu, entre outras intervenções, o Mirante Oscar Niemeyer, no alto da Ilha Porchat.
Agora, São Vicente possui outro marco histórico diante de si. Em 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso de Sousa fundou a Vila de São Vicente, tradicionalmente reconhecida como a primeira vila oficialmente instalada pelos portugueses na América portuguesa. A cidade carrega, por isso, uma dimensão histórica excepcional e é frequentemente identificada pela expressão “Célula Mater da Nacionalidade”.
De hoje até 2032, faltam 18 anos, ou 216 meses, ou 6.600 dias. Pode parecer muito tempo, mas não é, especialmente quando consideramos a complexidade, a burocracia e, muitas vezes, a morosidade dos processos administrativos nos municípios. Grandes projetos turísticos, obras de infraestrutura, restaurações patrimoniais, captação de recursos, licitações, parcerias, ações de marketing, capacitações e articulações institucionais não acontecem de um dia para o outro. Por isso, o prazo é crítico: o planejamento precisa começar agora — e não quando estivermos às vésperas da comemoração dos 500 anos. 2032 precisa ser encarado como um horizonte de planejamento, execução e transformação de São Vicente, e não apenas como uma data no calendário.
O turismo é uma vocação estratégica para São Vicente, mas, ano após ano, oportunidades podem ser perdidas quando faltam diálogo, continuidade administrativa, planejamento, integração institucional, profissionalização e articulação entre poder público, iniciativa privada, comunidade e instituições de ensino.
O turismo pode constituir uma importante via de desenvolvimento socioeconômico quando estruturado a partir do patrimônio cultural, histórico, ambiental, paisagístico e humano. Entretanto, o turismo sem planejamento, sem ordenamento e sem responsabilidade também pode provocar impactos negativos.
Por isso, é fundamental trabalhar com planejamento técnico, participação social, sustentabilidade, capacidade de carga, preservação patrimonial, inclusão, acessibilidade e geração de benefícios reais para a população local.
As propostas abaixo apresentam metas e soluções integradas, muitas delas de caráter transversal.
🔰 METAS E SOLUÇÕES PARA O TURISMO DE SÃO VICENTE SP
🏙️ CIDADE PARA PESSOAS — MORADORES E VISITANTES

🏛️ SECRETARIA DE TURISMO — GESTÃO EFICIENTE
1) Secretaria de Turismo exclusiva: Manter uma Secretaria Municipal de Turismo estruturada e exclusiva é uma atividade estratégica para o desenvolvimento social e econômico da cidade.
2) Secretário de Turismo com formação e experiência: Buscar que a liderança da pasta tenha formação compatível com Turismo e Gestão Pública, experiência comprovada na atividade turística e conhecimento da realidade de São Vicente e da Região Metropolitana da Baixada Santista.
3) Equipe técnica permanente: A Secretaria de Turismo precisa contar com equipe técnica qualificada e permanente, condição fundamental para a continuidade de políticas públicas e para um turismo consolidado e sustentável.
4) Estrutura e suporte para o trabalho da SETUR: A Secretaria necessita de espaço adequado, equipamentos, telefonia, internet confiável e de boa velocidade, colaboradores e estagiários em quantidade suficiente, permitindo responder adequadamente às demandas.
5) Continuidade do planejamento: Garantir a continuidade, avaliação, monitoramento e aprimoramento das ações de planejamento turístico, evitando que projetos sejam interrompidos a cada mudança administrativa.
📊 DEMANDAS DE ESTRUTURAÇÃO TÉCNICA — TURISMO PROFISSIONAL E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
1) Reformulação e divulgação do INVTUR — Inventário da Oferta Turística: Reformular, atualizar, qualificar e divulgar o Inventário Turístico de São Vicente, mantendo informações sobre atrativos, serviços, infraestrutura, equipamentos, eventos, acessibilidade e demais componentes da oferta turística.
É importante acompanhar continuamente as exigências do Ministério do Turismo e do Mapa do Turismo Brasileiro, evitando afirmações absolutas sobre perda automática de recursos ou títulos sem verificar a legislação vigente.
2) Plano Municipal de Turismo: Atualizar e reestruturar o Plano Municipal de Turismo, articulando-o com o planejamento territorial e com as políticas públicas municipais.
O planejamento turístico também deve estar incorporado ao sistema orçamentário municipal:
- PPA — Plano Plurianual;
- LDO — Lei de Diretrizes Orçamentárias;
- LOA — Lei Orçamentária Anual.
A previsão orçamentária é fundamental para transformar planos em programas, projetos e ações executáveis.
3) Campanha para cadastro no Cadastur: Promover campanha permanente de orientação e incentivo à formalização no Cadastur. Atualmente, o Ministério do Turismo estabelece cadastro obrigatório para meios de hospedagem, agências de turismo, transportadoras turísticas, organizadoras de eventos, parques temáticos, acampamentos turísticos e guias de turismo. Outras atividades possuem cadastro facultativo. A campanha deve explicar benefícios, responsabilidades e procedimentos de regularização.
4) Fundo Municipal de Turismo. Que o Fundo Municipal de Turismo seja gerido de maneira articulada entre SETUR e COMTUR, observando a legislação municipal aplicável. É necessário assegurar atualização, gestão responsável, orçamento participativo, transparência, prestação de contas e acompanhamento social.
5) Plano Diretor do Município. Fazer constar o turismo, dentro do planejamento estratégico territorial, como um dos pilares do desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural de São Vicente.
6) Orçamento municipal para o turismo. Ampliar e qualificar os recursos destinados à SETUR, tornando-os compatíveis com a importância econômica e social do turismo. As demandas do setor devem estar incorporadas ao PPA, LDO e LOA, permitindo planejamento financeiro de médio e longo prazo.
7) Formalização do mercado informal. Criar campanhas de orientação para formalização dos trabalhadores e empresas, acompanhadas de fiscalização e combate às atividades ilegais e à atuação irregular no turismo, em articulação entre Secretaria de Turismo e Secretaria responsável pelo comércio e fiscalização.
8) Aumentar a receita de ISS relacionada ao turismo. Fortalecer a atividade turística como instrumento de geração de emprego, renda, novos negócios e circulação econômica, ampliando a base formal de empresas e serviços e, consequentemente, a arrecadação municipal quando cabível.
9) Incentivo ao artesanato. Incentivar a produção artesanal e realizar o mapeamento, identificação, cadastro e valorização dos artesãos, em parceria entre Turismo e Desenvolvimento Econômico.
10) Laboratório/Observatório e Banco de Projetos Turísticos. Criar um Laboratório/Observatório de Turismo e Banco de Projetos, em parceria com instituições de ensino, startups, empresas e outras organizações.
O objetivo é desenvolver soluções inovadoras que possam:
- reduzir custos;
- gerar receitas;
- melhorar serviços;
- criar produtos turísticos;
- qualificar informações;
- apoiar decisões públicas;
- captar recursos federais, estaduais, municipais e internacionais;
- viabilizar emendas parlamentares;
- aproximar a iniciativa privada;
- estruturar PPPs — Parcerias Público-Privadas.
11) Grupos de Trabalho — GTs. Criar GTs — Grupos de Trabalho para pesquisa, planejamento e ações conjuntas entre sociedade civil, setor privado, instituições de ensino e poder público.
12) Programa de captação de recursos. Estruturar um programa permanente para captação de recursos destinados a obras, infraestrutura e investimentos turísticos, incluindo:
- DADETUR — Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias;
- programas do Ministério do Turismo;
- iniciativas de revitalização de patrimônios históricos e turísticos;
- investimentos e cooperação internacional;
- emendas parlamentares;
- PPPs;
- fundos e editais;
- iniciativa privada;
- outras fontes de financiamento.
13) Equacionamento da sazonalidade. Utilizar especialmente o segmento de eventos para reduzir os efeitos da sazonalidade, uma vez que eventos podem movimentar a cidade fora das férias escolares e independentemente de determinadas condições climáticas.
14) Participação regional. Convites para reuniões, eventos e discussões do CONDESB — Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista, da Câmara Temática de Turismo e de outras instâncias regionais relacionadas ao turismo devem ser encaminhados também à diretoria do COMTUR, fortalecendo a gestão participativa.
15) Ordenamento das operações turísticas. O poder público deve concentrar sua atuação em políticas públicas, infraestrutura, ordenamento, fiscalização, regulação, incentivo e promoção, sem substituir a iniciativa privada na prestação de serviços comerciais turísticos.
16) Roteirização turística. Quando o poder público promove São Vicente como destino, é estratégico apresentar não apenas atrativos isolados, mas também roteiros, circuitos e experiências integradas, facilitando a permanência do visitante e a conexão entre diferentes equipamentos.
17) Regulamentação da atividade de Guia de Turismo. Estudar a regulamentação municipal complementar da atividade de Guia de Turismo, respeitando a legislação federal e as competências de cada esfera administrativa, tomando como referência boas práticas de municípios turísticos, como Natal/RN.
🤝 CONSELHO MUNICIPAL DE TURISMO — GESTÃO E ORÇAMENTO PARTICIPATIVO
1) Reformulação do COMTUR. Promover a reformulação e o fortalecimento do Conselho Municipal de Turismo. A composição deve ser discutida democraticamente, considerando as orientações oficiais do Ministério do Turismo e a legislação municipal. O objetivo é garantir representatividade, pluralidade, participação efetiva e equilíbrio entre poder público, iniciativa privada e sociedade.
2) Revisão do Regimento Interno. Revisar e adequar o Regimento Interno do COMTUR, atualizando procedimentos, atribuições, quóruns, participação, substituições, grupos de trabalho e mecanismos de transparência.
3) Correção da denominação. Adequar a denominação legal para COMTUR — Conselho Municipal de Turismo de São Vicente, com “M” de Municipal, e não “N” de Nacional, promovendo os ajustes necessários na legislação e no regimento.
4) Presença e atuação dos conselheiros. Avaliar a participação de titulares e suplentes, especialmente daqueles que nunca participaram das reuniões desde a nomeação. Realizar levantamento de faltas consecutivas e, conforme a legislação e o regimento, solicitar substituições ou novas indicações quando necessário, garantindo que todos os segmentos tenham participação efetiva e direito a voto, quando previsto.
5) Transparência das atas. Todas as atas das reuniões devem ser disponibilizadas em ambiente virtual de acesso público, fortalecendo transparência, controle social e memória institucional.
6) Integração com Executivo, Legislativo e Conselhos. Convidar para as reuniões do COMTUR representantes do Executivo, Legislativo, secretarias municipais e demais conselhos, considerando que o turismo é uma atividade transversal.
7) Grupos temáticos. Criar GTs ou subcomissões temáticas para estudar e desenvolver assuntos específicos conforme as demandas do município.
8) Caixa do Tempo do COMTUR. Criar uma Caixa do Tempo do COMTUR, reunindo documentos, projetos, fotografias, relatos e registros que possam ser preservados para futuras gerações.
9) Integração regional. Promover alinhamento e troca de experiências entre os COMTURs da Baixada Santista, outros conselhos municipais de turismo e conselhos relacionados.
📣 PLANO ESTRATÉGICO DE MARKETING — TRABALHO, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
1) Departamento de Marketing Turístico. Criar uma estrutura de marketing turístico associada à Secretaria de Turismo para ações de promoção, comunicação e publicidade do Destino São Vicente.
2) Plano Estratégico de Marketing. Elaborar um plano estratégico de marketing para o destino, definindo públicos, mercados prioritários, posicionamento, identidade, canais, campanhas, indicadores e resultados.
3) Identidade visual. Criar identidade visual para o turismo e para o COMTUR, incluindo logo, formulários, ofícios, materiais promocionais e padrões digitais.
4) Portal oficial de turismo. Criar um site exclusivo para o Turismo de São Vicente, integrado ao site oficial da Prefeitura, com informações sobre atrativos, roteiros, calendário de eventos, gastronomia, hospedagem, acessibilidade, mapas, transporte, segurança e serviços.
5) Disk Tour. Implantar um 0800 ou telefone turístico, com atendimento e orientação ao visitante.
6) Materiais promocionais. Produzir materiais físicos e digitais:
- folders;
- flyers;
- mapas turísticos;
- vídeos institucionais;
- conteúdos para redes sociais;
- materiais audiovisuais;
- ações em parceria com meios de comunicação.
7) Comunicação integrada. Definir estratégias de comunicação articuladas entre SETUR, COMTUR e Secretaria de Comunicação, multiplicando o alcance das ações.
8) Identidade do município nas vias públicas. Utilizar placas, pinturas, mobiliário urbano e outros elementos para reforçar a identidade dos bairros e da cidade. Exemplos inspiradores incluem os bancos públicos em formato de Ponte Pênsil em São Vicente, as muretas de Santos, os pontos de ônibus inspirados no Forte São João em Bertioga e elementos relacionados às tulipas em Holambra.
9) Passaporte Turístico. Criar um Passaporte Turístico de São Vicente, retirado em PITs, portais ou parceiros. Quanto mais atrativos visitados e carimbos obtidos, maiores podem ser as vantagens e experiências oferecidas, estimulando a circulação dos visitantes pela cidade.
10) Qualificação da demanda. Conhecer e segmentar os públicos prioritários:
- famílias;
- turistas corporativos;
- estudantes;
- ecoturistas;
- interessados em história e cultura;
- turistas náuticos;
- visitantes interessados em gastronomia;
- turismo de aventura;
- turismo acessível;
- turismo comunitário.
11) Participação em feiras e eventos. Criar orçamento específico para promoção do destino em eventos como Aviestur, Salão do Turismo, Avirrp, ABAV, Salão São Paulo, Boat Show, Adventure Sports Fair, Feira de Turismo Rural, entre outros. Quando houver participação institucional, estimular a presença integrada do trade. Uma antiga reivindicação do setor é utilizar personagens históricos caracterizados, como Martim Afonso de Sousa, Anna Pimentel e outras figuras relacionadas à história vicentina. Também é importante integrar SETUR e SECULT. Tecnologia de inovação: utilizar óculos de realidade virtual para apresentar experiências imersivas de São Vicente.
12) Relógio do Tempo. Criar um Relógio do Tempo/cronômetro oficial para a chegada dos 500 anos da Vila de São Vicente em 2032, transformando a contagem regressiva em ferramenta de mobilização.
13) Moedas comemorativas. Estudar a criação de moedas comemorativas dos 500 anos, dentro de uma série vicentina, resgatando a experiência realizada nas comemorações dos 400 anos, em 1932.
🎓 CAPACITAÇÃO E EDUCAÇÃO PARA O TURISMO — PROFISSIONALISMO E PERTENCIMENTO
1) Educar para o turismo. Educar para o turismo é preparar a cidade para o futuro. Quem educa prepara; quem conhece preserva. O sentimento de pertencimento, a autoestima, o conhecimento histórico e a visão empreendedora são fundamentais.
2) Capacitação permanente. Promover formação e atualização contínua para integrantes do COMTUR, SETUR e trade turístico.
3) Campanhas educativas. Desenvolver campanhas para:
- trade turístico;
- turistas;
- instituições de ensino;
- moradores.
Temas: bem receber, história, cultura, resíduos, hospitalidade, patrimônio, sustentabilidade e importância econômica e social do turismo.
4) Capacitação de transporte público. Capacitar motoristas e cobradores do transporte público para atendimento adequado aos moradores e visitantes.
5) Turismo na Escola. Criar, na Rede Municipal de Ensino, programa ou componente curricular relacionado a “Ambiente e Hospitalidade”, em etapa adequada do Ensino Fundamental, com participação de profissionais habilitados. Conteúdos:
- história de São Vicente;
- cultura;
- geografia;
- curiosidades;
- patrimônio;
- hospitalidade;
- sustentabilidade;
- importância econômica e social do turismo.
A proposta deve combinar aulas teóricas e práticas.
6) Jogos de tabuleiro. Criar jogos de tabuleiro sobre história, cultura, patrimônio e turismo de São Vicente, utilizando metodologia lúdica e inovadora para fortalecer pertencimento, autoestima e conhecimento da cidade.
🏙️ TURISMO, URBANISMO E INOVAÇÃO — CIDADE INTELIGENTE
Uma cidade inteligente não depende apenas de grandes obras. Muitas soluções começam com sistemas já existentes, integração de dados, criatividade, planejamento e parcerias com universidades, empresas e instituições.
1) Acessibilidade. Implantar acessibilidade nos locais e vias de interesse turístico, utilizando princípios de Desenho Universal e ABNT NBR 9050, conforme aplicabilidade.
2) Destino Turístico Inteligente. Implantar sinalização turística inteligente, especialmente com QR Codes, permitindo que visitantes recebam informações diretamente no celular. A gestão pública também poderá utilizar dados de visitação para compreender quais atrativos são mais procurados, o tempo de permanência e os fluxos turísticos, respeitando legislação de proteção de dados.
3) Portais e totens. Implementar portais, totens ou equipamentos de identificação nas entradas e saídas da cidade.
4) Planejamento urbano e espaços públicos. Utilizar parques e espaços públicos como instrumentos de transformação social, convivência, lazer, educação ambiental e turismo.
💼 INCENTIVOS AO EMPREENDEDORISMO TURÍSTICO — GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA
1) Incentivos fiscais. Estudar leis municipais de incentivo fiscal capazes de fomentar investimentos e projetos turísticos e apoiar novos empreendedores e empresas já instaladas.
2) CNAE e tributação. Reavaliar, com as áreas tributária, jurídica e contábil, os critérios utilizados na tributação municipal, observando o CNAE da atividade econômica principal e a legislação aplicável, evitando distorções.
3) Logística reversa dos recursos tributários. Estudar juridicamente a possibilidade de criar mecanismos legais pelos quais parte dos recursos arrecadados com atividades econômicas relacionadas ao turismo possa fortalecer o Fundo Municipal de Turismo, desde que compatível com a legislação orçamentária, tributária e fiscal.
4) Selo de Qualidade. Criar um Selo de Qualidade e Sustentabilidade Turística, acompanhado de incentivos para empresários que adotem boas práticas ambientais, sociais, culturais e de atendimento.
🧹 MANUTENÇÃO, ZELADORIA E ESTRUTURA DE APOIO À ATIVIDADE
1) Manutenção de atrativos. Criar frente de trabalho ou equipe especializada para manutenção e zeladoria de áreas e equipamentos turísticos.
2) Zeladoria, paisagismo e embelezamento. Manter ruas, avenidas, calçadas, vias públicas, postes, guias, jardins, árvores e lixeiras em boas condições.
A Rodoviária de São Vicente necessita de estrutura adequada, inclusive cobertura na área de embarque e desembarque.
3) Mais lixeiras. Ampliar a quantidade e a qualidade das lixeiras.
4) Política de resíduos. Fortalecer políticas para:
- resíduos domésticos;
- lixeiras de rua;
- bituqueiras;
- coleta seletiva;
- entulho;
- educação ambiental;
- redução de resíduos.
A Lei Federal nº 12.305/2010 institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecendo princípios, objetivos, instrumentos e responsabilidades relacionados à gestão e ao gerenciamento de resíduos.
5) Reforço de serviços na temporada. Ampliar e intensificar, em períodos de alta demanda e feriados:
- limpeza urbana;
- varrição;
- coleta de resíduos;
- segurança;
- saúde;
- fiscalização;
- transporte;
- atendimento ao visitante.
6) Recursos hídricos. Rios, manguezais, estuários e oceano precisam ser tratados como patrimônio ambiental, social e turístico. É necessário combater resíduos sólidos, lançamento irregular de esgoto e demais fontes de degradação.
- A) Balneabilidade: desenvolver estratégias para melhorar e manter a qualidade das praias.
- B) Micro lixo: reduzir a quantidade de resíduos nas areias.
- C) Manguezais e estuários: combater o macro lixo e fortalecer ações permanentes de limpeza, fiscalização e educação ambiental.
7) Arborização. Criar programa municipal de arborização urbana.
8) Praças e espaços públicos. Criar programa de valorização, manutenção e inovação de praças e espaços públicos, inclusive com parcerias como Adote uma Praça, observando regras de interesse público.
9) Trânsito e turismo. Criar vagas para ônibus de turismo, áreas de embarque e desembarque e bolsões para parada e estacionamento de veículos turísticos.
10) Áreas de risco e enchentes. Sinalizar áreas de risco e desenvolver estratégias de prevenção, adaptação, drenagem e solução dos problemas.
11) Transporte público e promoção turística. Utilizar luminosos e placas de itinerário do transporte público também para divulgar atrativos, quando tecnicamente possível, como Frei Gaspar, Jóquei, Biquinha e Vila de São Vicente.
12) Bicicletas. Criar locais adequados para estacionamento de bicicletas em atrativos e estabelecimentos ligados ao turismo.
13) Segurança turística. Construir trabalho integrado entre:
- Polícia Militar;
- Polícia Civil;
- Guarda Civil Municipal;
- COMSEG;
- câmeras e centrais de monitoramento;
- delegacias móveis;
- Delegacia de Turismo de Santos;
- demais órgãos competentes.
Estudar a criação de um Pelotão Especial GTur dentro da GCM, com equipamentos adequados e agentes capacitados para atendimento aos turistas e proteção de áreas de interesse turístico. Segurança é componente importante da experiência turística e da decisão de retorno do visitante.
14) Emergência e saúde. Fortalecer integração entre:
- hospitais;
- prontos-socorros;
- Bombeiros;
- SAMU;
- Defesa Civil;
- demais serviços de emergência.
15) Vacinação. Promover campanhas de vacinação direcionadas aos profissionais do turismo, conforme orientações das autoridades de saúde.
16) Pessoas em situação de rua. Desenvolver políticas públicas humanizadas e integradas para pessoas em situação de rua, buscando parcerias para acolhimento, alimentação, pernoite, atendimento social, saúde, tratamento quando desejado e adequado, reinserção familiar e encaminhamento para a rede de proteção.
17) Flanelinhas. Desenvolver políticas de regulamentação, fiscalização e ordenamento da atividade, quando juridicamente cabível.
18) Prostituição e ocupação do espaço urbano. Desenvolver políticas públicas de ordenamento, segurança, proteção social e fiscalização para situações de exploração sexual, prostituição de rua e ocupação irregular do espaço público, respeitando direitos fundamentais e a legislação vigente.
🏛️ ATRATIVOS — CULTURAIS, HISTÓRICOS, PAISAGÍSTICOS E TURÍSTICOS
1) Porto das Naus e Engenho Jerônimo Leitão. Promover revitalização, urbanismo, preservação, interpretação patrimonial e valorização turística do Porto das Naus e do antigo engenho de cana-de-açúcar associado a Jerônimo Leitão.
2) Museu da História da Colonização Brasileira. Criar um Museu da História da Colonização Brasileira, utilizando acervo histórico, recursos tecnológicos e experiências interativas. A narrativa pode contemplar:
- Grandes Navegações;
- povos indígenas;
- colonização;
- formação territorial;
- primeira Câmara das Américas;
- Ipupiara;
- lendas;
- patrimônio;
- diferentes grupos sociais que construíram a história brasileira.
Como referências de linguagem museológica, podem ser estudados equipamentos como Museu do Amanhã, Museu da Língua Portuguesa e Museu do Futebol.
3) Píer do Gonzaguinha — Caravela. Estudar a transformação do Píer do Gonzaguinha em uma caravela, criando novo cartão-postal de São Vicente.
4) Grande Tela do Itararé. Transformar o grande muro da Rua da Constituição, no Itararé, no trajeto do VLT, em uma grande tela de arte educativa, utilizando grafite e outras técnicas artísticas.
5) Complexo Turístico do Morro do Voturuá. Revitalizar e ampliar lazer, infraestrutura e integração do Morro do Voturuá, articulando Prefeitura, Santa Casa de Misericórdia, teleférico, Clube de Voo Livre, Ao Mirante Restaurante e outros parceiros.
6) Rua Japão e Praça Kotoku. Promover revitalização, urbanismo, segurança e manutenção da Rua Japão e Praça Kotoku, fomentando turismo náutico, turismo comunitário, pesca artesanal e cultura caiçara.
7) Iluminação de atrativos. Criar programa especial de iluminação de atrativos turísticos, como Ponte Pênsil, Marco Padrão e outros monumentos.
8) Ipupiara e Praça 22 de Janeiro. Estudar a recuperação, restauração e reinserção do Ipupiara na paisagem cultural da Praça 22 de Janeiro, além da urbanização e valorização do espaço.
9) Museu da Cultura Afro. Fortalecer o Museu da Cultura Afro no Parque Ecológico do Voturuá, disciplinando e aplicando uso sustentável e garantindo legitimidade por meio da participação contínua de movimentos afrodescendentes.
10) Igreja Matriz e Mercado Municipal. Estudar a retirada ou organização da fiação aérea no entorno, sempre respeitando viabilidade técnica e legislação, para melhorar a leitura visual das fachadas e do patrimônio.
11) Mercado Municipal. Recuperar sua identidade como espaço de agricultura familiar, gastronomia e artesanato, tomando como referências experiências como Mercado Central de Belo Horizonte e Mercado da Cantareira em São Paulo.
12) Vila de São Vicente. Reformar, ordenar, preservar e fortalecer o uso cultural e turístico da Vila de São Vicente.
13) Ruínas de Santana do Acaraú. Realizar estudos histórico-culturais, arqueológicos, patrimoniais e turísticos das ruínas de Santana do Acaraú/Sítio Acaraú, relacionadas à história de Frei Gaspar da Madre de Deus.
14) Bandeira do Morro dos Barbosas. Manter a bandeira hasteada sempre que possível e, quando permanecer durante a noite, garantir sua iluminação adequada.
15) Fazenda Urbana. Criar uma Fazenda Urbana no Parque Ecológico do Voturuá, voltada à educação e à prática agrícola sustentável. A proposta aproxima agricultura, produção de alimentos e consumo, ensinando crianças, jovens e moradores a cultivar em pequenos espaços, casas e apartamentos.
16) Taxa de manutenção. Adotar o conceito de Taxa de Manutenção, evitando o uso do termo “ingresso” quando a finalidade for manutenção do equipamento. A proposta é que moradores de São Vicente tenham gratuidade e que visitantes contribuam com valor simbólico, quando legalmente estabelecido, nos equipamentos como Parque Ecológico do Voturuá, Casa Martim Afonso e Vila de São Vicente. É fundamental que os recursos sejam efetivamente destinados à manutenção e sustentabilidade dos próprios atrativos. O Parque Ecológico do Voturuá já possui experiência nesse sentido; a proposta é avaliar a nomenclatura e o modelo de destinação dos recursos.
17) Casa do Barão e Museu Histórico. Estabelecer Termo de Cooperação com a Casa do Barão e Museu Histórico, fortalecendo a atuação do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente.
18) Clube Ilha Porchat. Apoiar e contribuir para que o Clube Ilha Porchat retome suas atividades, reconhecendo seu significado histórico e simbólico para a cidade.
19) Monumento da Vila São Jorge. Realizar pesquisa e manutenção do chamado “Monumento do Escravo”, verificando sua história, significado, contexto, importância cultural e eventual relevância turística. O espaço também necessita de ações de segurança, iluminação, limpeza, zeladoria e ordenamento.
🏖️ PRAIAS E ORLAS — GRANDE ESPAÇO DEMOCRÁTICO DE LAZER
1) Projeto urbanístico integrado. As orlas precisam de um amplo projeto urbanístico integrado, superando intervenções fragmentadas, improvisadas, inacabadas ou sem critérios de continuidade.
2) Capacitação de ambulantes. Capacitar ambulantes que trabalham nas praias em:
- manipulação de alimentos;
- legislação;
- resíduos;
- hospitalidade;
- atendimento;
- história e conhecimentos sobre São Vicente.
Uma referência é o Projeto Selo Amigo do Turista, desenvolvido no Guarujá.
3) Itararé e Gonzaguinha. Recuperar calçamento, eliminar desníveis, melhorar paisagismo, manutenção, sinalização e travessias de pedestres nas ciclovias.
4) Comunicação aos banhistas. Criar sistema de comunicação e orientação aos banhistas nas praias do Itararé, Milionários e Gonzaguinha.
5) PITs — Pontos de Informação Turística. Realizar manutenção e adequações dos PITs, garantindo que cumpram efetivamente sua função de informar, orientar e acolher visitantes.
6) Beach Cleaner. Avaliar a utilização de máquinas específicas para recolhimento do chamado micro lixo das areias, integrada a ações de educação e prevenção.
7) Esportes e sossego público. Disciplinar e fiscalizar práticas esportivas, atividades recreativas e situações que possam gerar abuso do espaço público ou prejuízo ao sossego, sempre conciliando lazer, esporte, liberdade de uso e direito ao descanso.
🎭 EVENTOS E GASTRONOMIA
1) Departamento de Eventos e Gastronomia. Criar estrutura de Eventos e Gastronomia associada à Secretaria de Turismo para fomentar atividades estratégicas para a economia turística.
2) Calendário Anual de Eventos. Criar um Calendário Oficial Anual de Eventos de São Vicente, integrando eventos:
- esportivos;
- náuticos;
- religiosos;
- culturais;
- gastronômicos;
- corporativos;
- ambientais;
- educacionais.
As ações precisam envolver diferentes secretarias, iniciativa privada e comunidade. O calendário deve considerar oportunidades de mercado, tendências, identidade local, participação comunitária, capacidade técnica e articulação de parcerias.
3) Pavilhão de Eventos do Voturuá. Readequar e revitalizar o espaço do pavilhão de eventos do Parque Ecológico do Voturuá, hoje inadequado para diversas atividades.
4) Encenação. Garantir a realização anual da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, com planejamento antecipado. Para os períodos de chuva, estudar regras que evitem que guarda-chuvas abertos prejudiquem a visibilidade do público e provoquem transtornos nas arquibancadas, podendo ser estimulada a utilização de capas de chuva. A proposta também é estabelecer, com antecedência mínima de seis meses, o calendário do evento do ano seguinte, fornecendo às agências de turismo informações sobre cronograma, grupos, acessos e facilidades. Quando houver cobrança, estudar tarifas diferenciadas para agências e grupos turísticos, transformando a Encenação em produto turístico capaz de gerar empregos, renda e movimentação econômica.
5) Espetáculo de Vídeo Mapping. Criar espetáculo noturno de projeções 3D ou vídeo mapping, preferencialmente semanal ou em calendário definido, contando histórias de São Vicente.
6) Concurso Sabor São Vicente. Realizar anualmente o Concurso Sabor São Vicente — Festival Gastronômico, aperfeiçoando o modelo para aumentar a participação dos estabelecimentos e a presença de moradores e turistas.
7) Eventos gastronômicos. Ampliar e fomentar eventos como:
- Festa da Tainha;
- Festa do Peixe;
- Festival da Taioba;
- Festival do Camarão;
- Festa da Mandioca;
- Festival do Sorvete;
- outros eventos gastronômicos.
Criar ações integradas: por exemplo, participar de uma ação gastronômica e obter benefício em transporte ou outro serviço turístico, mediante parcerias comerciais.
8) Cozinha Tradicional Caiçara. Valorizar e resgatar a cozinha tradicional caiçara, reconhecendo a gastronomia como parte do patrimônio cultural e da identidade territorial. Promover rodas de conversa e oficinas para levantar e preservar:
- receitas antigas;
- pratos tradicionais;
- ingredientes típicos;
- produtos da floresta;
- técnicas culinárias;
- histórias e memórias.
✅ Objetivos: resgate cultural, fortalecimento identitário e geração de renda.
9) Eventos esportivos. Criar estratégias integradas entre Turismo, Esportes e iniciativa privada para circuitos, competições e apresentações:
- travessias aquáticas;
- biathlon;
- triathlon;
- remo;
- vela;
- vôlei;
- basquete;
- futebol;
- frescobol;
- tamboréu;
- parapente;
- asa-delta;
- artes marciais;
- skate;
- patinação;
- outros.
O objetivo é que eventos esportivos também fomentem hotelaria, gastronomia, comércio e demais segmentos turísticos.
10) Eventos culturais. Ampliar e fomentar estratégias para:
- Carnaval;
- Semana da Cultura Caiçara;
- Festa Junina;
- Festival das Quadrilhas;
- Festival Naha Matsuri;
- Festa das Nações;
- Tradição Nordestina;
- Festival de Acessibilidade e Inclusão;
- Encontro de Observadores de Aves;
- Olimpíada do Meio Ambiente;
- Semana Fotográfica;
- Festival Literário;
- outros.
11) Eventos corporativos. Criar estratégias para atrair e desenvolver eventos corporativos, em parceria entre SETUR, iniciativa privada e demais setores. Eventos corporativos movimentam hotelaria, gastronomia, transporte, comércio, espaços de eventos e outros serviços.
12) Capacidade de carga e descentralização. Todos os eventos devem respeitar uso e ocupação do solo, capacidade de carga, capacidade da infraestrutura, segurança, mobilidade e impactos sobre patrimônio e moradores. Eventos de grande concentração de público precisam ser planejados considerando o impacto sobre áreas urbanas, praias, vias, patrimônio e equipamentos. Como alternativa, estudar a descentralização das atividades, utilizando diferentes espaços, como ocorre com as tendas em cidades como Santos e Praia Grande.
Durante o dia, esses espaços podem receber:
- esportes;
- educação;
- oficinas;
- palestras;
- atividades culturais.
À noite:
- bailes;
- bandas;
- apresentações;
- manifestações artísticas.
Sempre que possível, valorizar artistas, músicos, oficineiros e profissionais de São Vicente e da região.
13) Centro de Convenções. Estimular a iniciativa privada para construção e administração de um Centro de Convenções, capaz de gerar fluxo permanente de eventos, empregos e renda.
🏛️ CIRCUITO HISTÓRICO E CULTURAL
1) Desenvolvimento e oportunidades. Criar um Projeto de Desenvolvimento e Oportunidades para o Circuito Histórico e Cultural de São Vicente, conectando patrimônio, história, cultura, gastronomia, comércio, guias, agências, artesanato e comunidade.
🚌 TURISMO EDUCACIONAL
1) Programas de visitação para instituições de ensino. Criar programas e pacotes turísticos específicos para escolas e instituições de ensino. Um exemplo de potencial: dois ônibus por dia, com aproximadamente 40 pessoas cada, representariam cerca de 80 visitantes diariamente. Em 200 dias letivos, seriam aproximadamente 16 mil pessoas circulando pela cidade.
Esse fluxo poderia movimentar:
- meios de hospedagem;
- restaurantes;
- agências de turismo;
- guias de turismo;
- artesanato;
- transporte;
- atrativos;
- comércio.
São Vicente possui enorme potencial para o turismo educacional por sua história e patrimônio, incluindo personagens e referências como:
- Martim Afonso de Sousa;
- Anna Pimentel;
- José de Anchieta;
- Manoel da Nóbrega;
- João Ramalho;
- Tibiriçá;
- Bartira;
- povos indígenas;
- formação territorial;
- Mata Atlântica e seus ecossistemas.
Os conteúdos devem ser alinhados às normas educacionais e aos currículos vigentes, incluindo referências da Base Nacional Comum Curricular — BNCC, e não “BNNC”.
⛵ SETOR NÁUTICO
1) Desenvolvimento do Turismo Náutico. Criar um Projeto de Desenvolvimento e Oportunidades para o Setor Náutico de São Vicente, integrando marinas, pesca artesanal, esportes náuticos, turismo comunitário, gastronomia, eventos, segurança, meio ambiente e conservação.
♿ TURISMO ACESSÍVEL — PARA TODOS
1) São Vicente como Destino Acessível. Transformar a cidade em referência de Destino Turístico Acessível, garantindo condições para:
- pessoas com deficiência;
- idosos;
- gestantes;
- pessoas com mobilidade reduzida;
- pessoas cegas ou com baixa visão;
- pessoas com outras necessidades específicas.
Um exemplo a ser estudado é Socorro/SP.
2) Acessibilidade física e comunicacional. Implantar acessibilidade nos locais e vias de interesse turístico, seguindo princípios de Desenho Universal e ABNT NBR 9050, quando aplicável.
3) Praia Acessível. Ampliar e adequar o programa Praia Acessível.
4) Ecoturismo e aventura acessíveis. Criar programa específico de Turismo Acessível para Ecoturismo e Turismo de Aventura, considerando segurança, equipamentos, comunicação e desenho universal.
5) Vivência e conscientização. Capacitar profissionais do trade para compreender barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, utilizando experiências educativas de orientação espacial, mobilidade, comunicação e percepção sensorial.
6) Promoção do destino acessível. Integrar qualificação da oferta, promoção de São Vicente como destino acessível, sensibilização do trade, parcerias e aproximação com operadores de turismo nacionais e internacionais.
🌳 ECOTURISMO, TURISMO DE AVENTURA E TURISMO RURAL
1) ICMS Ecológico. Estudar, dentro das competências municipais e da legislação estadual aplicável, formas de garantir que recursos provenientes de mecanismos de conservação ambiental sejam destinados a finalidades ambientais.
Como proposta de planejamento, estudar uma divisão indicativa como:
- 30% para manutenção de unidades de conservação;
- 20% para novas unidades de conservação;
- 15% para áreas verdes urbanas;
- 15% para resíduos;
- 20% para educação ambiental.
2) Unidade de Conservação Municipal do Voturuá. Estudar a criação de uma Unidade de Conservação Municipal no Parque do Voturuá, em articulação com Santos quando houver áreas e competências compartilhadas.
3) Manejo de trilhas. Investir em planejamento, sinalização, segurança, manejo e conservação das trilhas da:
- Pedreira;
- Pico do Urubu;
- Bicho-Preguiça.
4) Turismo na Área Continental. Realizar estudos de viabilidade e desenvolver atividades de turismo comunitário, ecoturismo, aventura e turismo rural na Área Continental de São Vicente, sempre com avaliação ambiental, capacidade de carga e participação comunitária.
5) Cooperação com a Fundação Florestal. Buscar Termos de Cooperação com a Fundação Florestal, envolvendo:
- Parque Estadual Xixová-Japuí;
- Parque Estadual da Serra do Mar — Núcleo Itutinga-Pilões.
🧑🌾 TURISMO COMUNITÁRIO
1) Fomento ao Turismo Comunitário. O turismo comunitário pode ser entendido como uma ferramenta de organização e fortalecimento das comunidades que recebem visitantes. Mais do que simplesmente receber turistas, pressupõe que as famílias e comunidades participem ativamente:
- do planejamento;
- da execução;
- da avaliação;
- do monitoramento.
O turismo comunitário pode possibilitar geração de renda no próprio território, valorizando tradições, conhecimentos, modos de vida, patrimônio, cultura e relação com o ambiente.
2) Turismo nos bairros. Realizar levantamento dos principais atrativos e referências de cada bairro, valorizando a identidade local e transformando esses elementos em experiências para moradores e visitantes.
🧳 PACOTES DE TURISMO
1) Pacotes de São Vicente e Região. Em conjunto com o trade turístico, criar pacotes envolvendo:
- agências de turismo;
- guias de turismo;
- meios de hospedagem;
- atrativos;
- gastronomia;
- marinas;
- artesanato;
- eventos;
- transporte;
- outros serviços.
2) Rodadas de negócios. Promover rodadas de negócios para distribuição de pacotes turísticos de São Vicente e Região, estruturados como produtos comercializáveis, para agências e operadoras nacionais e internacionais.
A integração do trade turístico precisa ser fortalecida.
🌎 AÇÕES REGIONAIS — BAIXADA SANTISTA
1) Regionalização do Turismo. Fortalecer a integração de São Vicente com os municípios da Baixada Santista no Programa de Regionalização do Turismo do Ministério do Turismo. O programa trabalha justamente com gestão, estruturação e promoção turística de forma regionalizada e descentralizada, estimulando cooperação entre municípios e territórios.
2) Selo Metropolitano da Baixada Santista. Apoiar a criação e consolidação de um Selo Metropolitano da Baixada Santista, favorecendo a integração do circuito turístico e o acesso das agências de turismo receptivo.
3) Governança regional. Apoiar a criação de uma associação ou instância de governança para o desenvolvimento do turismo receptivo regional. A própria política de regionalização do Ministério do Turismo trabalha com instâncias de governança regional, reunindo poder público, iniciativa privada e entidades representativas.
4) Pacotes regionais. Criar pacotes integrados dentro do Circuito de Turismo Metropolitano da Baixada Santista, estimulando o visitante a conhecer mais de um município.
5) Aumentar a permanência do visitante. Grande parte dos visitantes permanece poucos dias na região. É necessário criar roteiros integrados e produtos regionais capazes de aumentar o tempo de permanência e distribuir melhor os benefícios econômicos.
📝 NOTAS — UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA
Estas propostas foram elaboradas a partir de compilações de falas, ideias e escritos de colegas conselheiros, profissionais do trade turístico e da experiência e visão de Renato Marchesini, associadas a estudos acadêmicos e experiências aplicadas à gestão pública, gestão empresarial e planejamento turístico.
O documento não deve ser entendido como proposta fechada. É uma plataforma de ideias aberta ao diálogo, aperfeiçoamento, crítica, participação e construção coletiva.
Demais interessados podem contribuir com novas sugestões, projetos, estudos e propostas. São Vicente precisa de um turismo que seja, de fato:
- participativo;
- democrático;
- deliberativo;
- transparente;
- profissional;
- inclusivo;
- acessível;
- ambientalmente responsável;
- economicamente viável;
- socialmente justo;
- culturalmente valorizado.
O Turismo de São Vicente e o COMTUR devem ser construídos com participação efetiva da sociedade, do poder público, da iniciativa privada, das instituições de ensino, dos trabalhadores e das comunidades.
❤️ AMOR POR SÃO VICENTE!
Sintam-se convocados e convocadas todas as pessoas que compartilham da utopia — e, sobretudo, do compromisso — de construir um turismo sustentável, profissional, inclusivo e capaz de gerar oportunidades.
Reunidos, podemos construir a força necessária para a grande transformação que o turismo de São Vicente e da Região Metropolitana da Baixada Santista necessita.
🇧🇷 O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO FEDERAL
A Constituição Federal estabelece, em seu Artigo 180, que:
“A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico.”
O dispositivo constitucional reforça que o turismo não deve ser tratado apenas como lazer ou entretenimento, mas como atividade relacionada ao desenvolvimento social e econômico, exigindo planejamento, políticas públicas, investimentos, governança e participação.
🔎 PARA REFLETIR
“Faça o necessário, depois o possível, e, de repente, você estará fazendo o impossível.”
Francisco de Assis
🔰 São Vicente tem história, patrimônio, natureza, cultura, localização estratégica, população, trabalhadores, empreendedores e uma identidade única.
O desafio está em transformar esse patrimônio em planejamento, projetos, investimentos, oportunidades e qualidade de vida, sem comprometer os recursos naturais e culturais que fazem da cidade aquilo que ela é.
✅ 2032 não pode ser apenas uma data comemorativa. Pode ser o resultado de uma década de planejamento, integração, profissionalização, participação social e valorização da identidade vicentina. São Vicente 500 anos: o futuro começa com planejamento.


