Plataforma digital é o primeiro passo para o ranqueamento dos municípios turísticos. A mudança na legislação estadual que classifica os municípios turísticos – Estâncias e MITs – possibilitou a chance de várias cidades participarem de um ranqueamento que vai escolher, a médio prazo, novos integrantes desses grupos.
Atendendo aos requisitos da Lei 1261/2015, a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo está criando o ranqueamento técnico dessas cidades, e para isso criou uma plataforma digital para receber todas as informações necessárias à análise técnica dos municípios Estâncias, MITs e os que pleiteiam o título.
Cada município deverá escolher um interlocutor para ser responsável pela inserção os dados técnicos nessa plataforma, criada pela coordenadoria de turismo da Pasta. Após formulário preenchido, o município encaminhará as informações para o e-mail ranqueamento@turismo.sp.gov.br até o dia 10 de agosto de 2019.
Será indicado também o representante do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) que poderá visualizar e acompanhar as informações do município sem poder modificá-las.
Para Vinicius Lummertz, Secretário de Turismo do Estado de São Paulo, “esta decisão estabelece novos padrões de transparência e análise técnica avançada atendendo às demandas do município por evolução do sistema chamado DADETUR (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos). O segundo passo é integrar esse sistema no novo programa de Desenvolvimento Regional de Turismo que será lançado até outubro”, argumentou.
Fonte..:: Secretaria de Turismo
💡 Opinião Renato Marchesini:
📊 A plataforma digital é apenas o primeiro passo para o ranqueamento dos municípios turísticos
A criação de uma plataforma digital para organizar e analisar as informações dos municípios turísticos representa um avanço importante na busca por maior transparência, critérios técnicos e profissionalização da gestão do turismo no estado de São Paulo.
Mas é preciso compreender que uma plataforma, por si só, não transforma a realidade de um município. ela é apenas uma ferramenta. o verdadeiro desafio está na qualidade das informações apresentadas, na capacidade técnica dos gestores e na existência de uma política municipal de turismo estruturada e participativa.
⚠️ VAI CAIR A CASA: Para quem continuar dormindo no ponto
O novo modelo de ranqueamento tende a colocar em evidência os municípios que realmente trabalham o turismo de maneira profissional — e poderá expor aqueles que ainda tratam o setor de forma improvisada ou predominantemente política.
Não haverá espaço para municípios que confundem política partidária com política pública de turismo.
Também será cada vez mais difícil sustentar estruturas em que a Secretaria de Turismo é utilizada apenas como espaço de acomodação política, sem profissionais preparados, planejamento, orçamento, projetos, indicadores e capacidade de execução.
O mesmo vale para os COMTURs. um conselho municipal de turismo não deve existir apenas para cumprir uma formalidade ou produzir atas para atender exigências burocráticas.
COMTUR não pode ser “de fachada”. precisa ter participação efetiva da sociedade civil, representatividade dos diferentes segmentos do turismo, conhecimento técnico, autonomia para discutir políticas públicas e capacidade de acompanhar e fiscalizar as ações do município.
🚀 VAI ENALTECER E VALORIZAR: Quem realmente faz turismo
Por outro lado, o novo sistema poderá valorizar os municípios que compreenderam que turismo é política pública, atividade econômica, instrumento de desenvolvimento territorial e também mecanismo de valorização da cultura e do patrimônio.
Terão vantagem os municípios que possuírem:
- Secretaria ou estrutura específica de Turismo, com atribuições claramente definidas;
- Secretário de Turismo com formação, experiência e conhecimento do setor;
- equipe técnica qualificada, capaz de planejar, executar, monitorar e avaliar projetos;
- profissionais com formação multidisciplinar e capacidade de trabalhar de maneira transversal com outras áreas da administração pública;
- inventário da oferta turística atualizado;
- estudos, pesquisas e levantamento de dados sobre o turismo local;
- projetos estruturantes e planejamento de médio e longo prazo;
- ações de promoção e desenvolvimento do destino;
- COMTUR representativo, participativo e tecnicamente estruturado;
- participação efetiva da sociedade civil nas decisões;
- gestão compartilhada entre poder público, iniciativa privada e comunidade;
- orçamento compatível com os objetivos estabelecidos;
- capacidade de captar e aplicar recursos públicos com planejamento e transparência;
- mecanismos de acompanhamento dos resultados das políticas públicas de turismo.
🎯 Não basta ter o título de município turístico
Durante muito tempo, a discussão sobre o turismo municipal esteve excessivamente concentrada na conquista ou manutenção de títulos e recursos.
Mas ser Estância Turística ou Município de Interesse Turístico não deveria ser o ponto de chegada. deveria ser o ponto de partida.
O título precisa representar uma responsabilidade maior: planejar, investir, profissionalizar a gestão e demonstrar resultados.
O ranqueamento pode justamente contribuir para essa mudança de mentalidade.
Não basta dizer que uma cidade é turística. é necessário demonstrar, por meio de dados, planejamento e resultados, que ela realmente possui condições de desenvolver o turismo de forma sustentável e competitiva.
🔎 O dado precisa revelar a realidade
A plataforma digital também poderá contribuir para reduzir a subjetividade no processo de avaliação.
Porém, existe uma questão fundamental: quem produz os dados e quem garante que essas informações representam fielmente a realidade do município?
É preciso evitar que o sistema se transforme simplesmente em um grande formulário preenchido para cumprir uma exigência.
O município precisa desenvolver uma verdadeira cultura de informação e monitoramento do turismo.
Números sobre fluxo turístico, empregos, investimentos, equipamentos, atrativos, eventos, meios de hospedagem, arrecadação, qualificação profissional e impacto econômico precisam ser produzidos, atualizados e utilizados na tomada de decisões.
🤝 COMTUR precisa ser protagonista
A participação do representante do COMTUR no acompanhamento das informações é um passo importante.
Mas, na minha opinião, o papel do conselho deve ir muito além de apenas visualizar os dados inseridos pelo município.
Um COMTUR forte deve participar da construção da política municipal de turismo, analisar projetos, discutir prioridades, acompanhar investimentos e contribuir para a definição das estratégias de desenvolvimento turístico.
Conselho participativo não é obstáculo à gestão pública. é instrumento de governança.
🏛️ Profissionalização ou politicagem?
O grande divisor de águas será a capacidade dos municípios de compreender que gestão pública de turismo não pode ser confundida com interesses políticos de curto prazo.
Trocar secretários constantemente por razões políticas, colocar pessoas sem formação ou experiência na área e manter conselhos sem representatividade pode comprometer todo o trabalho realizado pelo município.
- turismo exige conhecimento.
- exige planejamento.
- exige continuidade.
- exige pesquisa.
- exige orçamento.
- exige profissionais.
- e, principalmente, exige visão de futuro.
🌎 O novo ranqueamento pode mudar a lógica
Se for aplicado com critérios técnicos, transparência e fiscalização, o ranqueamento poderá produzir uma mudança significativa na política turística paulista.
A tendência é que os municípios mais preparados sejam reconhecidos e aqueles que não se profissionalizarem tenham cada vez mais dificuldades para justificar sua permanência em determinadas classificações.
Isso pode ser positivo. Não como punição, mas como estímulo à melhoria da gestão.
O turismo paulista precisa deixar para trás a lógica de que basta possuir belas praias, patrimônio histórico, natureza, eventos ou atrativos para ser considerado um destino turístico estruturado.
- Atrativo turístico sem planejamento não é política de turismo.
- Recurso público sem projeto não é desenvolvimento.
- COMTUR sem participação não é governança.
- secretaria sem equipe técnica não é profissionalização.
- E título sem resultados não representa desenvolvimento turístico.
💡 Minha opinião
A plataforma digital é, sem dúvida, um primeiro passo importante. Mas o verdadeiro ranqueamento dos municípios turísticos não deveria acontecer apenas dentro de uma plataforma.
- Ele acontece na realidade de cada cidade.
- Acontece quando o turista encontra um destino organizado.
- Quando o empreendedor encontra um ambiente favorável.
- Quando a comunidade participa das decisões.
- Quando o patrimônio é preservado.
- Quando os recursos públicos são bem aplicados.
- Quando existem profissionais qualificados.
- Quando o COMTUR funciona de verdade.
- E quando o turismo deixa de ser tratado como discurso político para se transformar em política pública permanente de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental.
No fim das contas, a plataforma poderá mostrar os dados. Mas quem quiser permanecer entre os municípios turísticos de destaque terá que mostrar resultados.
Para Projetos e Consultoria de Municípios para o Turismo / / WWW.R9TURISMO.COM



